Competição X colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [1]

“Com o capitalismo, vem a competitividade, presente em todas as áreas”

Precisamos aceitar o fato de que o capitalismo, por sua veia competitiva, tornou-se dominante, e isso, sob certa medida, tornou-se natural ou normal. Neste sistema, a competitividade deve alcançar todos os ambientes. Cada vaga de emprego deve ser disputada

até as últimas circunstâncias. Os produtos devem ser ofertados a todos e vendidos a quem possa pagar. O mesmo se aplica às vagas universitárias, pelas quais cada vestibulando disputa

como peso descomunal.

Singer (2010) lembra que este movimento pode ser bom a partir de dois pontos de vista: o primeiro é que a competição permite melhores escolhas aos consumidores, influenciando o preço. O segundo é que os melhores vencerão, pois aqueles que prestam melhores serviços ou produtos galgarão melhores espaços. Isso gera, necessariamente, um vencedor e um perdedor. Está aí, talvez, o principal problema deste modelo: uma verdadeira apologia ao vencedor, enquanto o perdedor é relegado à penumbra.

Isso vale para a empresa que prestou melhor serviço, mas vale também para o aluno que não conseguiu vaga no vestibular público, levando à falsa sensação de que os vencedores acumulam vantagens e os perdedores acumulam desvantagens. Para Singer (2010), isso produz profundas desigualdades. O autor argumenta que este modelo se encaminha (talvez sem saber) para um abismo. A saída para isso é a cooperação em vez da competição gratuita.

Esse pensamento não é assim tão distante. Por exemplo, você consegue imaginar qual a semelhança entre o Facebook, a Wikipédia e a primeira campanha presidencial de Barack Obama? É que todos funcionam, ou funcionaram, sob o sistema de colaboração. O Facebook espera que as pessoas associadas em seu sistema postem, voluntariamente, suas mensagens; a Wikipédia permite, por meio de plataforma aberta, que pessoas espalhadas pelo mundo

façam parte da construção dos seus bancos de dados; e não faltou quem atendesse aos chamados inéditos de um candidato à presidência da república dos Estados Unidos para doar quantias mínimas, mas suficientes para conduzir o primeiro presidente negro à Casa Branca.

Ao falar de sociedade, isso fica mais complexo ainda e carece de várias definições, mas é fundamental projetar ali as grandes transformações sociais, tecnológicas, econômicas, culturais, políticas etc. Rapidamente, saímos do modelo de produção artesanal e alcançamos a fase industrial, a revolução da tecnologia e do conhecimento e outros elementos que deram um tom confuso e transitório às formas de negociar, dominar e articular a dinâmica do mundo moderno que alcança a população de maneira multidimensionada.

Paralelo a isso, vimos o sistema capitalista se tornar perverso (in natura) com os excluídos e exigir crescente readaptação dos incluídos, que amplia e intensifica conflitos ao mesmo tempo em que dissemina mercados, negócios e mão de obra em um irreversível ciclo segmentado de poderes cada vez mais difusos. Tudo isso, quando analisado em conjunto, nos põe em uma única rota de sobrevivência resumida em um termo: redes de relacionamentos.

Continua…


Fonte:

  • Economia de Empresas. UniAteneu, 2019. Autores: Rafael dos Santos da Silva / Charlles Franklin Duarte.