Henrique C. Nardi – Ética, Trabalho e Subjetividade

“A nova configuração do mundo do trabalho produz efeitos importantes nas trajetórias de vida…”

Nota: 9,50.

O livro está fora de catálogo, mas o conteúdo é e será sempre atual para quem deseja saber mais sobre os aspectos éticos do trabalho em relação aos avanços de cada época.

Toda geração é marcada por um tipo próprio de evolução. Se olharmos para os últimos 20 anos, poderemos ver como as sociedades evoluíram de maneira mais rápida do que nos anos anteriores e assim será se retroagirmos mais e mais. Ocorre que as mudanças sociais que materializam esta evolução estão sempre associadas ao exercício do poder e ao processo de interação natural dos homens.

Cada mudança na vida prática vem associada à quebra de paradigmas da geração anterior e estas, por sua vez, não ocorrem sem debates ou conflitos sociais. As revoluções científicas mais notáveis se processam nos campo da biológica, da genética e principalmente da inteligência artificial. Algumas, chamando mais atenção das sociedades, outras, passando de forma mais – digamos – despercebida pelo grande público. Porém, em menor ou maior grau, todas provocam impactos no mundo.

A forma como lidamos com esta evolução DO momento em que as mudanças são propostas ATÉ aquele em que de fato se efetivam é basicamente o objeto de estudo deste livro. Sendo que, aqui, o foco está nas relação de trabalho.

Imaginemos que um país onde a expectativa média de vida do povo é de 75,51 anos em 2016 e que neste mesmo país a população potencialmente ativa está envelhecendo mais rápido do que a  quantidade de jovens inserida e no mercado de trabalho e, apta, para trabalhar.

Não é difícil entender que em pouco tempo, haverá mais gente aposentada e necessitando de auxílio do governo do que a quantidade de gente trabalhando e contribuindo para a manutenção do sistema de aposentadorias daquele país.

Nessas circunstâncias, podemos perceber claramente que o sistema não será capaz de se manter por mais gerações. E que é necessário mudar a forma segundo o qual o governo recolhe essas contribuições para futuramente devolvê-las àqueles que já deram sua parcela de contribuição.

Temos aqui um dilema ético-econômico:

Ora, se a expectativa de vida do povo em geral é de 75 anos e este mesmo povo é obrigado a trabalhar até 65 anos, o que lhes resta para usufruir? Qual a expectativa de realização social para uma nação cujo futuro apresentado é carente de significados? Quais as conseqüências disso para as gerações futuras?

Bem, nossa função no momento não é responder a estas questões, mas apenas, dar exemplo de como os pressupostos sociais podem ser derrubados, modificados ou dilatados em função das circunstâncias do momento ou para se ajustar aos valores de uma época. Estes paradigmas necessitam ser quebrados ou alterados com vistas a evolução de uma sociedade qualquer.

Nesse contexto:

“A transformação das relações entre a subjetividade, o trabalho e a ética carregam as marcas do redimensionamento da função do trabalho como base de coesão social. A compreensão dessa transformação constitui-se no desafio deste livro. Aqui buscamos analisar as relações entre trabalho e ética a partir dos efeitos das transformações dos valores associados ao trabalho e das condições objetivas de inserção no mercado de trabalho nos processos de subjetivação de das gerações de trabalhadores.”


Autor: Henrique Caetano Nardi;
Editora: UFRGS;
Idioma: Português;
Páginas: 222;
Ano: 2006.