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A sociedade contemporânea e a crise comportamental

“Uma reflexão sobre os anos velhos”

Muitas vezes na infância ouvi falar em “no futuro isto…”, “no futuro aquilo…” vai ser diferente. (…) Passaram-se os anos e, esse futuro parece nunca ter chegado para umas coisas. Para outras, sim!

Contudo, assumindo-se que o futuro seja o hoje, diria que os últimos anos foram marcados pela descartabilidade. Um espaço no tempo em que muitas coisas se prenunciaram, nasceram e se passaram de uma forma tão efêmera que nem tiveram tempo de significar algo.

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A implicação disto para a nossa vida prática é que certas coisas foram descartadas sem que delas tenhamos tirado aprendizados úteis para a humanidade. E isto, em grande parte, tem ocorrido função da quantidade e da velocidade da informação, que tem provocado mudanças tão radicais na dinâmica das relações, que os fenômenos sociais mais corriqueiros parecem estar se tornado cada vez mais carentes de significado.

Como adaptar-se à mudanças tão rápidas num mundo tão barulhento? É preciso ter estrutura psíquica bem constituída. E, esse aspecto, que é fundamental para a construção da personalidade de quem quer que seja é, de um modo geral, desenvolvido no ceio da família, com base no modelo de criação adotado pelos pais. Entretanto, se esse modelo apresenta algum tipo de desconformidade com o “estabelecido”, pode apresentar efeitos colaterais severos para a coletividade.

Um deles é a ausência dos referenciais adquiridos na infância, que pode levar o indivíduo à uma inversão ou a uma dessignificação dos valores vigentes. Um exemplo disto é a confusão existente entre as questões psicológicas e religiosas, éticas e legais, políticas e filosóficas. Disto segue-se que, sendo o agir humano pautado pelo uso de modelos referenciais, pode-se atribuir à crise desses modelos, a degeneração da sociedade.

A crise da família, entendendo-a como instância doadora de significado às relações particulares, contribui para a crise da sociedade como um todo. É notório que hoje, a humanidade acumula mais crises do que soluções. Dessa forma, por exemplo, é que se dá a crise ética e moral que perpassa o país em todos os níveis e segmentos da sociedade.

Não nos damos contas, mas como seres sociais. Temos a necessidade quase fisiológica de influenciar e de ser influenciados. Esse processo de troca é inerente a nossa condição humana.

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Nesse sentido, 1) num momento em que se prega, cada vez mais, a libertação do homem e 2) num momento em que as possibilidades de se fazer o que se quer nos são dadas de forma tão múltiplas, escolher torna-se cada vez mais difícil. Disso decorre também, a crise do “Eu”. Pois, como os referenciais individuais devem estar validados por um modelo social, o “Eu” não pode se constituir de forma independente.

Assim, considerando que os modelos expressam padrões instituídos em sociedade e que essas escolhas são assinaladas pela necessidade de rompimento de padrões, porque escolher? E, para quê? (…) Já que estes modelos podem ser traduzidos justamente pela manutenção dos padrões que durante muito tempo tolheram e aprisionaram em nome de verdades estáticas.

As convenções, que se estabelecem como norma tácita do modo de agir em sociedade, estão aí para orientar o agir humano, no entanto, não são garantias para ninguém.

De onde se deduz que o momento em que nos encontramos pode ser traduzido pelo desejo coletivo de abandonar os velhos modelos. Isto é, pela necessidade de fazer algo de efetivo para a emancipação do homem. Pela urgência de enfrentar os preconceitos, as violências cotidianas e às várias formas de intolerância.

Como conclusão temos que, é notória a contradição entre o que desejamos e o que fazemos de fato para transformar a sociedade. E essa contradição, que se coloca como obstáculo para a evolução da sociedade, nos distancia da humanidade que apregoamos. E para piorar, peca principalmente por excluir do seu discurso, um alinhamento geral em favor da vida e pelo respeito a pessoa humana.


Ética profissional – O que fazer quando a dúvida bater?

“Seria ética a conduta do profissional da Contabilidade, omitir informações relevantes, no que diz respeito aos informes contábeis?”

Nesta situação hipotética, temos um caso simples, mas que pode causar grande embaraço para profissionais e empresas. Portanto, para desmistificar esse tipo de questionamento, apresentamos uma reflexão clara e simples sobre o tema:

Antes de tudo, é conveniente fazer uma distinção entre ética e moral. Enquanto conjunto de princípios, a ética nasce dos valores e costumes praticados em sociedade. Já a moral, é prática e foi estabelecido pelos homens com base no seu comportamento efetivo e diz claramente o que fazer e o que não fazer. Noutras palavras, enquanto a Moral afirma: “faça isto, não faça aquilo!”, a Ética é uma voz interior que diz: “porquê eu devo fazer isto e não aquilo?”. Assim, fica claro que a atitude ética surge da reflexão dos efeitos das ações individuais sobre aquilo que é considerado justo e certo.

De toda forma, objetivando não fundamentar a discussão apenas em elementos filosóficos, para que nenhum profissional peque por desconhecimento, existe o Código de Ética Profissional do Contador, que estabelece claramente os comportamentos adequados para toda a categoria. E conhecendo-o, não há como justificar desvios de conduta por parte de quem quer que seja.

Nesse sentido, de acordo com os elementos filosóficos e com o referido código, pode-se afirmar que omitir informações relevantes, no que diz respeito aos informes contábeis é uma atitude que contraria o Código de Ética Profissional do Contador e portanto, não seria ético.

Aí você pode vir a dizer:

“tudo bem, eu não sou contador, portando não precisarei lidar com esse tipo de questão!”.

E a resposta mais uma vez é simples:

Todos temos que lidar com dilemas éticos em algum momento, portanto, esta reflexão vale para todas as categorias de profissionais!


Referências:

Responsabilidade Social Empresarial: ainda é uma boa estratégia de negócios

O atual nível de competitividade do ambiente empresarial exige novas estratégias para que as empresas consigam manter-se no mercado. Na busca pelo algo mais, são levados em contas os anseios da sociedade por comportamentos éticos e pela preocupação com o bem-estar social. De forma a unir os interesses da sociedade com os das empresas surge a responsabilidade social empresarial, uma conduta coerente com a ética pública na qual os interesses da organização ficam preservados e são gerados inúmeros benefícios à sociedade. Com isso ganha a empresa e ganha a comunidade. Desta forma, a responsabilidade social empresarial apresenta-se cada vez mais importante com um diferencial de vantagem competitiva, induzindo ao desenvolvimento de novas estratégias de negócios.

Convivemos hoje com um cenário empresarial altamente competitivo, alimentado por novas tecnologias, informações, novos métodos e sistemas cada vez mais especializados que propiciam maior eficiência. Nesse contexto, possuir um “diferencial” torna-se, inclusive, fator de sobrevivência.

Questões como qualidade, flexibilidade, segurança e comodidade, já não são suficientes. O consumidor considera esses fatores como básicos e busca sempre novos atributos. É preciso algo mais. Apesar da corrida incessante pelo domínio do mercado, a organização empresarial não pode deixar de lado os valores éticos e o respeito pelos consumidores.

Devido ao papel estratégico que ocupam na sociedade, as empresas carregam consigo um grande poder de interferência no ambiente externo à sua estrutura física. Suas decisões podem afetar não apenas os seus colaboradores, mas também toda a sociedade na qual está inserida. Por esse motivo, suas ações devem ser pensadas também por uma ótica social, buscando um crescimento econômico sustentado na dignidade humana e reconhecendo seu papel como importante agente de transformação social.

A organização que busca esse crescimento “economicamente correto”, que se preocupa com a comunidade, assumindo a conseqüência por seus impactos e que se permite ofertar benefícios sociais, transformando parte dos lucros em ganho social, estará ganhando pontos fundamentais, estará sendo socialmente responsável.

Responsabilidade social empresarial é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa peça importante no desenvolvimento social. Trata-se de criar uma harmonia entre as necessidades da comunidade e da empresa, através do planejamento de práticas coerentes com ética pública, na qual ficam preservados os interesses da organização, sem comprometimento das ações que contribuam para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade como um todo.

Ao permitir que a empresa utilize seus recursos naturais, empregue mão-de-obra e comercialize produtos e serviços, a sociedade espera obter algum retorno. Cabe à organização empresarial aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas e garantir uma troca justa que beneficie ambas as partes.

Investir em responsabilidade social significa investir em imagem, importante fator de vantagem competitiva. Permite não apenas a aquisição de novos consumidores, mas possibilita também à organização empresarial agregar maior valor aos produtos e serviços. A sociedade aceita desta forma, pagar um pouco mais e cobra investimentos em ações sociais.

No entanto, a responsabilidade social deve partir de uma consciência sincera da empresa, deve representar um valor de sua cultura organizacional. Do contrário terá não terá o efeito esperado. O consumidor sabe e, essencialmente, valoriza a diferença entre empresas que são socialmente responsáveis e outras que não têm essa preocupação.

O surgimento e fortalecimento deste tipo de empresa, capaz de conseguir um crescimento econômico sustentado na preocupação social, é uma realidade cada vez mais exigida pela sociedade. Com investimentos em responsabilidade social, ganha a empresa e ganha a sociedade. Representa a aplicação da prática ética, simbolizada por ações orientadas pelo respeito aos interesses da coletividade.


FONTE

Aposentadoria: Até que idade compensa entrar na previdência privada?

Será que você está velho demais para começar um plano de previdência privada ou ainda dá tempo de juntar um dinheirinho para aproveitar a aposentadoria? A questão ganhou mais relevância recentemente com a reforma da Previdência, que deve endurecer as regras para se aposentar. O UOL conversou com especialistas para saber até quando compensa fazer esse tipo de investimento.

No mínimo 8 anos de duração

O consenso entre os especialistas ouvidos é que o investimento em previdência privada deve ser de pelo menos oito anos para valer a pena. O ideal é chegar a dez anos. Por isso, se você tem entre 55 e 57 anos e quer se aposentar aos 65, ainda está em tempo.

O ideal mesmo seria começar antes. Como teria mais tempo, precisaria guardar menos a cada mês, o que pesaria menos no bolso. Para quem não se preveniu, não é preciso desanimar.

Imposto menor faz muita diferença

Um dos grandes atrativos dos planos de previdência privada é a questão tributária.

Enquanto aplicações tradicionais, como CDBs, títulos públicos e ações, têm desconto de pelo menos 15% de Imposto de Renda, os planos de previdência do tipo VGBL podem pagar apenas 10% sobre os rendimentos. Para ter direito a essa vantagem, é preciso deixar o dinheiro investido por dez anos.

A tabela de IR dos fundos VGBL com tributação regressiva, que são os mais comuns, começa em 35% e diminui cinco pontos porcentuais a cada dois anos. Isso quer dizer que após oito anos, o IR cai para 15%, ficando em linha com outras aplicações de renda fixa. Nesse caso, já compensa investir, mas o ideal seria ficar dez anos, pois o IR cairia para 10%.

Os planos de previdência também têm uma vantagem tributária em relação aos fundos de renda fixa porque não têm a incidência do “come-cotas”, segundo Bernardo Barboza, chefe de Vida e Previdência da Genial Investimentos.

“Como o fundo de previdência [do tipo VGBL] não sofre esta tributação ao longo do tempo, mas somente no final da aplicação, faz uma boa diferença porque o dinheiro rende mais”, afirmou.

Existem também fundos de previdência com tabela de tributação progressiva. Nesse caso, as alíquotas do IR variam conforme o valor que será resgatado. Essa tabela segue as mesmas alíquotas que são aplicadas no salário (que variam até 27,5%). Quanto maior for o valor do resgate, maior será o imposto.

Essa opção é mais interessante para quem tem uma renda menor na hora do resgate. Quem tem renda mensal de até R$ 1.903,98 será isento de IR nesse investimento.

Além da aposentadoria

Os fundos de previdência não têm sido usados apenas para quem planeja se aposentar, mas também como opção de investimento com prazo maior que dez anos –é o caso de pais que investem para pagar a faculdade dos filhos pequenos.

Segundo o consultor financeiro André Massaro, o que determina se o plano de previdência é uma opção boa ou ruim é o tempo que a pessoa pode ficar sem mexer naquele dinheiro para poder aproveitar a vantagem fiscal. “Não tem relação com a idade dela. Pode ser para uma criança ou para uma aposentadoria”, disse.

Ou seja: se você acha que pode precisar do dinheiro no curto prazo, um plano de previdência não é boa opção.

Melhor para os herdeiros

Além da questão fiscal, os planos de previdência têm outra vantagem: permitir a transferência dos recursos diretamente para os beneficiários em caso de morte, sem precisar passar pelo inventário.

Segundo Barboza, da Genial, os beneficiários recebem os recursos em até 30 dias, enquanto o processo de duração de um inventário pode levar de um a dois anos. “Existe gente que gosta de deixar um valor em previdência privada para os seus dependentes receberem rapidamente e sem muita burocracia”, afirmou.

Atenção para a rentabilidade

É preciso tomar cuidado na hora de escolher um fundo de previdência privada, pois muitos não conseguem uma rentabilidade interessante e cobram altas taxas de administração. De acordo com um levantamento da gestora de investimentos Monetus, nos últimos 12 meses corridos apenas 52% dos fundos de previdência conseguiram retorno superior ao CDI.

Segundo o diretor de Produto da Monetus, Vinícius Soares, fundos mais conservadores que investem em renda fixa devem ter taxas de administração de 0,5% para valerem a pena. “No entanto, existem fundos deste tipo com taxas de 3% no mercado”, declarou.

Fundos de previdência que investem em diferentes tipos de ativos (multimercados) e em renda variável costumam ter retornos melhores, mas também trazem mais risco. Por isso, não são recomendados para pessoas perto da idade de se aposentar.

Segundo Soares, fundos mais arrojados, que apresentam bons rendimentos, em geral cobram 2% de taxa de administração, porém os retornos melhores nesses casos justificam tal taxa.

Errata: o texto foi atualizado:

A comparação com a tributação de fundos de renda fixa só se aplica a planos de previdência do tipo VGBL. O texto foi alterado para incluir essa informação.

Fonte:

Lei – Conceito

“As Leis existem em virtude de uma necessidade social para a qual não há entendimento objetivo que possa equilibrar os interesses dos envolvidos numa disputa”

A lei é uma norma jurídica ditada por uma autoridade pública competente. [Criar as Leis], em geral, é uma função que recai sobre os legisladores dos congressos nacionais dos países, com prévio debate e o texto que a impulsiona e que deverá observar um cumprimento obrigatório por parte de todos os cidadãos, sem exceção, de uma Nação, porque da observação destas dependerá que um país não termine transformado numa anarquia ou caos.

[…] A finalidade das leis é a de contribuir ao lucro do bem comum das pessoas que fazem parte de uma sociedade organizada determinando a base dos deveres e direitos, o seu não cumprimento, é claro, acarretará em uma sanção que pode, segundo a importância da norma que se tenha violado, implicar num castigo de cumprimento de prisão ou a realização de algum trabalho de cunho comunitário que não implica na privação da liberdade, mas que deverá ser cumprido ao pé da letra, igualmente, para que assim deixe saldada a falta cometida.

As leis nasceram com o objetivo de limitar o livre arbítrio dos seres humanos que vivem inseridos numa sociedade e são o principal controle que ostenta um estado para vigiar que a conduta de seus habitantes não se desvie, nem termine prejudicando a seu próximo.

As leis são a fonte principal do direito e se distinguem pelas seguintes características:

1) Generalidade, que devem ser cumpridas por TODOS, sem exceção; 2) Obrigatoriedade, supondo um caráter imperativo-atributivo que significa que, por um lado outorga deveres jurídicos, e pelo outro, direitos; 3) Permanência, ou seja, quando são promulgadas não têm uma data de vencimento, pelo contrário, sua duração será indefinida no tempo até que um órgão competente determine seu cancelamento por alguma causa válida e previamente convinda; 4) Abstrata e impessoal, que implica que uma lei não se concebe para resolver um caso em particular, senão que move a generalidade dos casos que possa abarcar e por último, 5) [Reputação, que tenha reputação ou seja conhecida, de modo] que ninguém possa argumentar que não a cumpriu por desconhecimento.

Fonte:

Autor. Editorial QueConceito. Sao Paulo.
Disponível em: https://queconceito.com.br/lei . Acesso em: [14/11/2019]

Direito Civil, Direito do Trabalho e Direito Empresarial

Quais os impactos destes ramos do direito sobre a Gestão Administrativa nas Empresas Privadas e em seu Controle Interno de ações?

Os ramos do Direito estão intimamente ligados e por isso é quase impossível dissociá-los mentalmente. A questão central no estudo do Direito, seja ele qual for, é que ele foi instituído com a finalidade primordial de mediar as disputas entre particulares e destes com os poderes público e privado.

Dessa forma, os elementos do Direito são extraídos e complementados uns dos outros, de modo a equilibrar as partes de uma disputa quando houver Lei específica ou quando não houver tipificação.

A sociedade tem buscado formas de resolver seus conflitos de forma civilizada, pois acredita que, apenas desse modo, é possível haver harmonia em sociedade.[i] Dado que para todos os efeitos do Direito a vida civil é realizada na práxis, através disto a que chamamos “vida em família combinada com prática da propriedade privada”, então vemos que é no seio da família que o direito começa a se constituir.

No momento em que surgiu a necessidade de trabalho remunerado como forma de subsistência, as relações de particulares entre si e destes com as instituições tornaram-se mais complexas. Como consequência, tornou-se indispensável um aparelho capaz de regular juridicamente os atos decorrentes do processo natural de interação dos homens. Nesse contexto, o Direito do Trabalho surgiu como uma transformação ocorrida no âmago da sociedade, a partir dos efeitos das pressões que a cidadania organizada exerceu em algum momento.[ii]

Noutros termos, as transformações pelas quais passaram as relações de trabalho e emprego no Brasil e no mundo foram possíveis graças ao processo de intervenção política da sociedade civil. Processo este, que vem se aprimorando desde o período compreendido entre as duas guerras mundiais.[iii]

Antecedendo a instituição do Direito do Trabalho, veio o Direito Empresarial, cujas bases foram lançadas pela atividade comercial no século XIX. Da atividade comercial, que dava conta apenas das relações de comércio, foram extraídos os princípios fundamentais para regulamentar todo o conjunto de práticas empresariais (força de trabalho, fatores de produção, comercialização, etc.).[iv] A partir daí viu-se que a atividade empresarial como um todo dialogava com os demais setores da sociedade, portanto, as normas que a regem deveriam estar inseridas num contexto muito mais amplo.

Assim, “a primeira legislação que se filiou a essa nova teoria foi o Código Civil Italiano de 1942, considerado o grande marco da transformação desse ramo do Direito que, aliás, passou a receber uma nova denominação: Direito Empresarial. Inspirada no modelo do Código Civil Italiano de 1942, a moderna Lei Civil brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado, unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial.”[v]

Logo, vê-se que a gestão administrativa das empresas privadas e seus controles internos deve estar em perfeita sincronia com as regras gerais da sociedade civil. Mas o que isto significa, na prática, para o administrador de empresas? Significa que suas decisões tanto impactam quanto são impactadas pelas normais gerais da nação (sociedade, meio-ambiente, força de trabalho, etc.) e observar o que diz a Lei é condição para a boa prática da atividade empresarial em todo e qualquer ramo de atuação.


Referências:

[i] Instituição do Direito público e Privado, pág. 72.

[ii] Instituição do Direito público e Privado. Pág. 127.

[iii]Poder, Cultura e Ética nas Organizações. Disponível em: Coeficiente.me

[iv] Instituição do Direito público e Privado. Pág. 104.

[v] Instituição do Direito público e Privado. Pág. 105.

Coerção – O que é e como lidar com ela?

“Como e porque o impulso coercitivo é inerente à sociedade”

Nota: 9/10.

É comum encontrar a prática da coerção em vários ambientes diferentes como em escolas, empresas, famílias, entre outras situações que são constituídas por hierarquia, seja de cargo, idades, força e diversas capacidades que porventura tornam alguém maior, em termos hierárquicos, que o outro.

O ato de pressionar, induzir, intimidar, forçar e ameaçar alguém a fazer algo que não queira é considerado coerção. Um exemplo clássico é quando a mãe ameaça a bater, tirar os brinquedos ou vídeo game do filho caso ele não coma ou tire nota baixa na escola.

É possível encontrar também em organizações, mas não somente na forma pejorativa, mas como forma de motivação aos funcionários. Por exemplo: o chefe pressiona seus funcionários a vender certa quantia, caso não consigam eles não ganham comissão. Nas organizações é possível também encontrar o abuso de autoridade, ou seja a coerção de algum chefe sobre seu subordinado.

Se a prática da coerção for constante, pode se considerar esse ato como escravidão. É comum perceber nas áreas militares, onde muitas vezes a violência não é somente verbal, mas físicas, morais e psicológicas aos subordinados de cargos altos.

Coerção ou coação

Coerção significa o poder legal que as autoridades têm em impor leis e obrigar ao seu cumprimento. Coação pode significar uma forma de violência física ou verbal que obriga uma pessoa a agir contra sua vontade ou que a impede de agir.

Coerção e Suas Implicações

Livro que apresenta as características gerais do ato coercitivo e as formas de como lidar com esse tipo de ocorrência no momento em que se dá. Além disso, oferece elementos importantes para uma discussão sobre o assunto. Tópicos como punição, defesa, fuga, esquiva são tratados de forma séria e delicada, dando ao tema a atenção que ele merece. O autor mostra o quanto a coerção está presente em quase todos os segmentos da sociedade e propõe maneiras de se orientar para lidar com eventos desta natureza de forma madura e legal.


Autor: Murray Sidman;
Editora: Psy;
Ano: 2009;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 292.


Referências:

Discriminação e preconceito nos âmbito social e laboral

“Discriminação e preconceito – Da Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho à Constituição Federal.”

É comum confundirmos discriminação e preconceito. No dicionário Aurélio, a definição de preconceito é ideia preconcebida. Na segunda acepção é suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões. Já discriminação é ato ou efeito de discriminar. Tratamento preconceituoso dado a certas categorias sociais, raciais, etc.

Analisando, então, podemos deduzir que o preconceito pode permanecer só no aspecto interno. Sem que tenha uma correspondência na prática. Pode não se materializar nas ações.Enquanto que a discriminação é tida como algo que decorre do preconceito, fazendo com que determinados segmentos, grupos ou atividades sejam excluídos ou estigmatizados.

Uma forma corriqueira de discriminação é aquela referente ao nível social, à raça, religião, opção sexual.

A convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho considera discriminação toda distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, exceto aquelas fundadas nas qualificações exigidas.

A Constituição Federal iguala homens e mulheres em direitos e deveres, proíbe diferença de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

A legislação procura respaldar o trabalhador, evitando restrições no acesso ao trabalho, que não sejam as naturais decorrentes de melhor ou maior qualificação para a função. Em função disto existem políticas de inserção, através de ações afirmativas para portadores de necessidades especiais, para negros, índios, visando à inserção e conseqüente redução da exclusão.

O resultado de uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho, realizada em 2005 chamou minha atenção. Segundo a pesquisa feita com executivos, estes confirmaram que existe discriminação com relação à admissão de obesos, o que afeta, inclusive, os salários.

Além da qualificação normal para o exercício de determinada função, que hoje exige muito mais do que era exigido há uma década, para a mesma função (nível de escolaridade, conhecimentos de línguas, diversos programas de informática, experiência comprovada, perfil pró-ativo, etc.) o candidato tem que ser magro, pois o magro tem mais chance de admissão e salários maiores.

A pesquisa revela que a sociedade discrimina o obeso, rotula a obesidade como um desvio social, fruto da falta de autocontrole e não como uma doença a ser tratada. Certamente isto leva a um sentimento de rejeição.

Dados da Organização Mundial de Saúde dizem que mais de um bilhão de pessoas no mundo tem excesso de peso, podendo chegar a um 1,5 bilhão antes de 2015 e isto não se constitui problema só nos países ricos.

A obesidade está diretamente relacionada com a maior ingestão de sal, gordura, açúcar, no que se refere ao costume alimentar, associado à diminuição de atividades físicas, ao exercício de tarefas ou desempenho de profissões sedentárias, ao aumento do uso dos meios de transporte, aos avanços tecnológicos que auxiliam na execução de tarefas, modificação do tipo de lazer, que era mais ao ar livre, passando a se resumir à frente da televisão, do dvd, do videogame, provocando menos gasto de calorias.

Embora o resultado tenha sido aferido em pesquisa e saibamos que é real, é difícil de ser constatado, permanecendo velado e sendo sentido com intensidade por aquela pessoa que é alvo das ações discriminatórias.

A ditadura da beleza (porque o conceito é que só o magro é belo) invade não só o mercado da moda, mas o mercado de trabalho em geral. O obeso sofre a discriminação desde a infância, nos bancos escolares, nos relacionamentos, no acesso ao emprego e no exercício de determinadas funções, na prática de esportes (nem o “fenômeno” escapou).

É necessário incentivar alimentação saudável, prática de atividades físicas, acompanhamento médico e terapêutico em alguns casos, busca de esclarecimentos visando à manutenção da saúde, melhor rendimento nas atividades, aprimoramento da qualidade de vida, o que sem dúvida melhora a autoestima o que conduz o indivíduo a uma nova postura na sociedade, sobrepujando-se à discriminação que é alvo.


Fonte:

Comunicação Não Violenta – Marshall B. Rosenberg

“Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”

Nota: 8,00.

O livro é definido pela sua editora como um manual didático paras as pessoas com dificuldades de se fazer entender e de entender as pessoas num diálogo em qualquer tipo de circunstâncias. Obviamente, todos os que têm algum tipo de dificuldade de relacionamentos verão aqui, uma possibilidade de melhorar em muitos pontos. Mas calma que não é simples assim.

A metodologia utilizada pelo autor se diz voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Tal afirmação parte de um ponto de vista inusitado e muito coerente que se debruça sobre o modo de se comunicar das pessoas. É fato que muitos se comunicam de forma inadequada, mas também é verdade que muitos mais ainda, o fazem de forma inconsciente.

Portanto, tomar consciência da fala desproporcional é requisito básico para a leitura deste livro, pois pressupõe a busca de ajuda.

E, por falar em “buscar ajuda”, aqui reside outro ponto fundamental do livro, pois ele pretende ser declaradamente um manual de “auto-ajuda”. E, como sabemos, muitos têm bloqueios com esse tipo de conteúdo, por sentir dificuldade em admitir que precisa de ajuda. Mas a proposta do livro é justamente ajudar às pessoas a identificar em si mesmas, aquilo que se coloca como impeditivo de realizar o seu potencial.

Nesse contexto, a linguagem aqui utilizada busca ser didática, mas também – e, principalmente por isso – é demasiadamente branda, tornando a leitura sacal e podendo fazer com que muitos desistam do livro ao longo do processo de leitura.

No entanto, aqueles que estão certos de que podem ser beneficiados por mínimo que seja, certamente encontrarão formas de chegar ao final. Já outros, não terão a mesma paciência. Porém, este que vos escreve se encaixa no primeiro grupo e resistiu bravamente. O termo “bravamente” foi utilizado propositalmente para enfatizar que ninguém deve fazer qualquer coisa por sacrifício. Afinal, o que funciona para um não funciona necessariamente para todos.

Seja como for, é importante ter em mente que o livro sozinho não fará nada por ninguém, portanto, exige esforço de atenção e de compreensão daquilo que é essencial. Mais do que isso, para certificar-se de que esta no caminho desejado, o leitor deverá buscar feedback de pessoas em quem confia com vistas a confirmar as percepções que tem sobre si e sobre sua forma de dialogar.

Por isso, como tudo na vida varia conforme as circunstâncias, o maior desafio é o de aprender a interpretar a si próprio e sua forma de atuar nos ambientes em que interage, para assim, dar respostas mais ou menos apropriadas nas diversas situações do cotidiano.

Ao conseguir achar uma forma – o seu timing – de iniciar este aprendizado, perceberá que o livro começara a produzir os efeitos almejados.


Autor: Marshall B. Rosenberg;
Editora: AGORA;
Ano: 2006 (1ª Edição);
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 288.

Competição X Colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [3]

“Parte Final”

Na realidade moderna, o modelo de mercado capitalista, ou seja, o modelo que faz circular com mais velocidade tudo aquilo que agrega valor capital e com menos velocidade aqueles produtos que têm pouca ou nenhuma importância monetária, dá ao instrumento das redes importância sem igual. Se você tomar por base a Lei de Darwin, então pode imaginar que o maior organismo vivo irá se sobrepor aos organismos de menor porte. Isso explica, em parte, a cadeia alimentar naturalizada pela necessidade de sobrevivência. Contudo, é possível observar que o mesmo conceito do darwinismo pode ser aplicado aos negócios. É o que chamamos de darwinismo empresarial.

Utilizando a mesma sequência lógica de raciocínio, no darwinismo empresarial, você pode observar as maiores empresas se sobrepondo às menores, em uma busca insana pela sobrevivência. A partir dessa realidade, colaborar em redes passou a ser a pauta do dia para os pequenos negócios, sobretudo no Brasil. Como você sabe, nem todos possuem tudo que querem; então, em determinado momento, alguém vai comercializar mais do que os outros, gerando concentração de riquezas. Isso parece um processo naturalizado no modelo capitalista de mercados. O que pode ser feito? Nossa reação ganha força nas redes colaborativas. Ou seja, não adianta mais somente o senso de redes, agora, é preciso que elas colaborem mutuamente.

Podemos citar várias formas de redes: associações, cooperativas, Arranjos Produtivos Locais (APLs), Redes de Negócios etc., mas o fundamental é a liga que essas diferentes formas possuem para dar vida à primeira motivação de quem as procura, ou seja: a sobrevivência.

As redes colaborativas dão importância de vida ao empreendedorismo no mercado. Esse mecanismo nada mais representa que uma capacidade humana muito relevante que, quando exposta a determinada necessidade, permite novas formas de fazer, reagindo ou antecipando o cenário dado. Como todo processo social, este não se apresenta de forma mais simples. O movimento de empreendedorismo se apresentou ao mundo moderno como instrumento alavancador de processos novos e descobridor de combinações e possibilidades pouco comuns até se reverberar em inúmeros desafios, acentuando diversos mecanismos na estrutura social dentre eles a empresa.

Com isso, temos o empreendedor de negócios, o empreendedor social, o empreendedor ambiental e assim por diante. Em outras palavras, o ser humano possui extrema facilidade adaptativa e o empreendedorismo é, sem dúvidas, o seu instrumento mais efêmero. Para ilustrar, convém lembrar Castells (2000), quando afirma que as transformações sociais são tão drásticas que se irrompem em um conjunto de decisões estratégicas particularistas e historicamente enraizadas de relações cada vez mais bipolarizadas (erradamente) entre a rede e o ser. Esse processo, de aspecto maniqueísta, desconfigura a possibilidade de avanços concretos representando quase uma alienação social, saindo do abstrato para o concreto, do universal para o particular.

Projetar uma resposta direta para definir empreendedorismo em rede talvez não seja de todo prudente neste momento, posto que apontamos apenas algumas noções introdutórias sobre esses dois conceitos de altíssima complexidade. Uma resposta direta também não seria interessante; nosso papel aqui é aflorar a discussão e o debate. Afinal, quem sabe não consigamos, juntos, nos convencermos de que o fenômeno da colaboração, quando associada

ao empreendedorismo, é um mecanismo importante para nossas novas demandas sociais, políticas, ambientais e institucionais?

Temos que admitir a necessidade de algumas ações de mobilidade social nesta emaranhada dinâmica pós-fordista trazida à tona pelo capitalismo moderno. Entre esses mecanismos, encontra-se o empreendedorismo de mercado.

Dentro do processo empreendedor, parece que a sociedade está sempre posta à competição da forma mais predadora possível, causando profundos efeitos negativos no seu tecido. Tal apologia à competição, que muitos chamam de empreendedorismo, dá valor apenas aos ganhadores, e, lembrando-se do darwinismo empresarial, esse valor se direciona apenas a alguns extratos da sociedade.

É preciso que predomine uma nova Economia, mais igualitária, mais solidária e, sobretudo, mais significativa como alternativa aos mais pobres ou aos pequenos. Talvez possamos alcançar parte desse esforço dando uma nova cara ao empreendedorismo. Mas como isso seria possível? Singer (2010) afirma que a saída é “a associação entre os iguais em vez do contrato entre os desiguais”.

Talvez um empreendedorismo solidário ao invés do competitivo ou de mercado contribua muito mais acentuadamente para esse louco processo de produção e consumo.

A condução de um projeto bem interessante de empreendedorismo juvenil de base tecnológica no Ceará permitiu fazer com que o jovem cearense pudesse criar “musculatura intelectual” e vencer os novos desafios (social, econômico e ambiental) do nosso Estado. De uma forma ou de outra, houve uma inversão da lógica dos seus planos de negócios, de modo que compreendessem que suas atividades empreendedoras, na sua cidade, teriam mais sucesso por seus impactos culturais e sociais do que pelo seu valor econômico. Trocando em miúdos, os jovens que, antes, eram vítimas do êxodo rural (realidade para a maioria dos jovens do semiárido cearense), agora, passaram a enxergar que, unindo forças, podem atender às demandas da sua própria localidade. Há um relato de um desses jovens que fazia planos de ir embora para a capital (Fortaleza), mas, depois de compreender sua importância na cooperativa incubada no projeto, acabou ressignificando sua identidade, cooperando com seus colegas e assumindo uma nova postura diante da sua realidade. Em outras palavras, neste caso exclusivo, contribuímos para uma nova interpretação de empreendedorismo

Perceba que o garoto deixou de ir para a capital, onde teria potencial de mercado muito maior, para ficar na sua região. Neste momento, ele preferiu a associação entre os iguais ao contrato entre os desiguais. Isso seria o novo tom do empreendedorismo. Caso contrário, estaremos reproduzindo meramente a ciranda do mercado. Isso lembra Paulo Freire, que cunhou uma expressão muito própria para este debate: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor”. Você pode substituir a palavra “educação” por “empreendedorismo” no texto do pensador para uma melhor compreensão destes conceitos.


Fonte:

Economia de Empresas. UniAteneu, 2019.
Autores:
-Rafael dos Santos da Silva
-Charlles Franklin Duarte.