Linguagem #2 – Introdução

A tradição filosófica ocidental sempre concebeu a linguagem como um instrumento de designação do real, no que podia ter razão até certo ponto, pois, conforme Wittgenstein, com a linguagem, realmente se podem descrever coisas, objetos ou fatos. No entanto não é apenas isso que se pode fazer com ela. Para nosso filósofo, a linguagem não é mero instrumento de descrição dos fenômenos da realidade. Com ela, pode-se fazer muito mais. Wittgenstein percebeu isso e, através da obra supracitada, pretende retirar o fenômeno linguístico dessa compreensão, que pode ser considerada, por si só, defasada.

Desde os gregos, a linguagem foi tomada em sua acepção designativa. No livro Tractatus Logico-Philosophicus, de Wittgenstein, esse caráter foi absolutizado como a única forma de concepção da linguagem, o que teve como consequência a transformação desse modo de uso da linguagem em um paradigma de uma linguagem segundo o qual fosse possível exprimir todos os fenômenos da realidade pela simples descrição. Como último representante dessa corrente de pensamento, Wittgenstein ratifica-o ao propor um modelo de linguagem exata, de acordo com os fundamentos da lógica, ainda que preservando seu caráter fundacionista.

O pensamento filosófico de Wittgenstein está dividido em duas fases bem distintas, as quais, comumente, denominamos de “primeiro Wittgenstein”, na qual a obra Tractatus Logico-Philosophicus está compreendida, e de “segundo Wittgenstein”, na qual se situa a obra Investigações Filosóficas. Essa distinção pode ser considerada como decorrente da profunda transformação espiritual operada na vida do autor e que se reflete de modo muito claro em seu filosofar. Wittgenstein abandona suas crenças anteriores e se coloca em radical oposição à tradição ocidental. Essa reviravolta, que pode ser considerada em todos os aspectos de sua vida, tem como consequência a quebra do paradigma segundo o qual a linguagem seria meramente designativa. Para o filósofo, isso seria a conversão de um único jogo de linguagem como sendo o paradigma de uma linguagem ideal[1].

Após essa radical transformação, Wittgenstein passa a orientar suas investigações para uma nova perspectiva de conhecimento. Com a relativização da linguagem, sua função descritiva passa a ser considerada tão somente como um entre infinitos jogos linguísticos. Por outro lado, essa mesma linguagem que utilizamos para nos comunicar corriqueiramente se eleva ao status de condição de possibilidade do conhecimento humano, coisa que não se poderia dizer quando considerada sob a perspectiva tradicional e mesmo no Tractatus. O que Wittgenstein faz é perceber que, fazendo parte do conjunto das ações humanas, a linguagem não poderia servir apenas para descrever os objetos, visto que é por meio dela que conhecemos os fatos e é com ela que podemos falar sobre eles. A linguagem é, pois, uma prática que se distingue das outras por constituir-se como forma de representação de todas as práticas, mas que nem por isso pode delas ser desvinculada.


[1] Wittgenstein, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1989. § 592, 593. p.

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Linguagem #1 – Resumo do Estudo

Com este trabalho monográfico, pretendemos tratar do fenômeno da linguagem com base nos escritos da obra Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein. Fenômeno este, concebido pelo filósofo como resultado dos processos humanos de interação social. Nesse sentido, buscamos situar o referido fenômeno no conjunto das atividades humanas realizadas em comunidade de modo que possamos, através da consciência de sua prática, colocá-la no âmbito das coisas imanentes. O fenômeno da linguagem é analisado sob o prisma das relações que os homens formam entre si e relativamente ao meio no qual estão integrados. Os caminhos trilhados por Wittgenstein na obra supra mencionada orientam-nos para uma nova concepção da linguagem humana. Para o filósofo, essa linguagem é fruto de nossa práxis cotidiana, a qual engendra os mecanismos de comunicação e de troca de experiências, os quais participam da totalidade de nosso conhecimento. Essa linha de raciocínio nos leva ao consequente descobrimento de uma linguagem que se impõe como condição de possibilidade da realização do conhecimento humano enquanto tal, uma vez que, sendo parte do conjunto das atividades humanas, é realizada na medida em que se pratica uma atividade. Dessa forma, concluímos que as palavras adquirem significação mediante o uso que delas é feito no conjunto da linguagem humana, sendo, portanto, resultado do processo de socialização do homem.

Palavras-chave: Linguagem. Conhecimento. Reviravolta.


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Linguagem ## – Estudo – Apresentação

A linguagem é a forma através da qual se dá – assim como nos sistemas de informática – a configuração de todos os mecanismos de construção de simbolismos, significados, fala e escrita, dos quais nos utilizamos para nos comunicar de forma intra e extra-cultural, com animais e até com as máquinas.

Assim, visando contribuir com entendimentos que ajudem a compreender e dominar para melhor interagir nos nossos infinitos processos de interação, a partir deste e, pelos próximos 15 posts, apresento o artigo do estudo realizado como requisito para conclusão da Graduação em Filosofia (Licenciatura Plena), pela Universidade Estadual do Ceará-UECE, sob orientação da Professora Dra. Cristiane Maria Marinho, cujo título é “WITTGENSTEIN E O USO DA PALAVRA NO USO DA LINGUAGEM”.


Dedicatória:

"Dedico esta obra à minha mãe, Maria Adaíce, por haver-me mostrado, com toda a simplicidade, o caminho para uma vida digna, construída pela força do trabalho."