Libertando o Poder Criativo – Ken Robinson

“A Chave Para o Crescimento Pessoal e Das Organizações”

O que seria de Vincent van Gogh se houvesse freqüentado uma escola de artes? O que seria da arte se estivesse subordinada a padrões de comportamento e a valores de épocas? Bem, a resposta é ao mesmo tempo simples e objetiva: van Gogh muito provavelmente não teria sido reconhecido como um gênio da arte moderna e, da mesma forma, arte condicionada não é arte.

O motivo de tais afirmações reside em que a arte de um modo geral, é algo que existe para questionar modelos e denunciar realidades falseadas, mas principalmente, existe para estimular o pensamento criativo. Este por sua vez, deve ser livre, mas para ser livre, há que ser puro no sentido de não sofrer influências que o limitem. Mas pelo que se sabe não há como ser puro num mundo em que a dinâmica que rege as relações giram em torno de poder e de influência.

É aqui onde entra o pensamento perspicaz de Ken Robinson. Ele busca oferecer uma visão inovadora sobre como os modelos educacionais moldam os comportamentos de modo a agir como limitantes do poder criacional.

Ele argumenta que:

“As pessoas e empresas no mundo todo lidam com problemas originados na escola e nas universidades e que muitas pessoas param de estudar sem ter um conhecimento verdadeiro das suas capacidades criativas.”

Nesse sentido, Libertando o Poder Criativo questionar a forma como somos treinados para pensar e de como esse treinamento visa uniformizar a forma segundo a qual devemos agir para gerar resultados e/ou de justificar o fracasso quando o treinamento não produz o sucesso pretendido.

Assim, Robinson pretende demonstrar como e por que a maioria de nós perde a capacidade criativa ao longo da vida escolar. E ao falar abertamente desses “problemas”, ele expõe problemas encontrados no sistema educacional tradicional e os relaciona com o tipos de inteligências necessárias para produzir soluções nos dias de hoje.

Segundo o autor, compreendendo como funcionam os modelos educacionais vigentes (na família, escola, universidade e empresas), é possível achar brechas que nos permitem burlar a lógica tradicional na busca de produzir soluções originais.

Dessa forma, poderemos libertar o poder criativo para agir com muito mais segurança e liberdade no campo acadêmico e profissional.


Autor: Ken Robinson;
Editora: HSM;
Ano: 2012;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 304.

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FOCO – DANIEL GOLEMAN

“A atenção e seu papel fundamental para o sucesso”

Talvez você já tenha se ouvido falar em Mindfulness. Mas talvez não saiba exatamente o que seja nem do que se trata. Pois bem, para responder se uma forma objetiva, Mindfulness é um, este estado de consciência em que estamos com o corpo e a mente no mesmo lugar. Ou seja, é um estado de atenção plena aplicado ao momento presente em que há receptividade sem reatividade.

Esta palavra que aportuguesamos e que agora virou moda nos diversos cursos de aprimoramento que geralmente fazemos para atender a demandas da profissão, existe na comunidade científica médica e psicológica internacional há 30 anos e na psicologia budista há, pelo menos, 2500 anos. Sim, a origem do conceito “Mindfulness” é budista, mas hoje quem é responsável por sua disseminação e crescimento é a ciência.

Nesse sentido, Mindfulness nada mais é do que a habilidade de nos colocarmos conscientes e abertos às experiências do momento presente e sem julgamentos. Essa habilidade pode ser desenvolvida por meio de práticas específicas de meditação – chamadas de meditações mindfulness – que possuem resultados científicos comprovados. Estas práticas têm sido febre na região do Vale do Silício, onde as empresas consideradas mais inovadoras do mundo se concentram como Google, Apple e Twitter. Tais corporações investem em treinamentos de mindfulness para seus funcionários há tempos; há comprovação de que quanto maior o nosso nível de mindfulness, maior é nossa criatividade, nosso bem-estar e inteligência emocional.

Os especialistas afirmam que todos temos a habilidade (em maior ou em menor grau) de permanecer concentrados em algo por um determinado período de tempo. E o que é melhor, que podemos aumentar essa capacidade se nos exercitarmos regularmente.

A afirmativa acima encontra paralelo em Daniel Goleman no seu livro “Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso”. Para Goleman, o excesso de informação do mundo moderno, sobrecarrega o pensamento provocando uma série de distúrbios que culminam em níveis elevados de stress.

Na área profissional, temos que lidar diariamente com fatores que parecem agir como nossos inimigos e nos atrapalhar a toda e qualquer hora. Como exemplo ele cita o hábito de olhar e-mails, mensagens nos diversos app’s, Facebook, Twitter, etc., indisciplinadamente. No entanto, se você conseguir resistir ao impulso de deixar sua mente divagar por entre as tentações do mundo conectado, você pode ir além.

O autor constatou que normalmente uma pessoa fica distraída por mais de 40% do tempo quando lê um texto ou participa de uma reunião. Mas, ainda segundo o autor, há muitos benefícios em desenvolver foco para permanecer concentrado por períodos maiores de tempo. E a palavra que mais deve agradar aos profissionais do mundo corporativo é “sucesso”. Sim, o sucesso na realização de projetos importantes, na boa organização e distribuição de recursos, na execução de tarefas rotineiras na sua empresa.

Por isso, afirma que todos precisam aprender a aprimorar o foco se quiserem prosperar no complexo mundo em que vivemos. E acrescenta que todos os que alcançaram rendimento máximo (nos estudos, nos negócios, nos esportes ou nas artes) são precisamente os que prestaram atenção no que era mais importante para seu desempenho.

De onde conclui que foco é o que diferencia um especialista de um amador, um profissional de alta performance de um funcionário mediano.” E nesse contexto, desenvolver foco é uma forma de lançar um olhar inovador sobre as circunstâncias e de perceber como a atenção pode ser decisiva para obter sucesso nos seus projetos.


Autor: Daniel Goleman;
Editora: Objetiva;
Ano: 2013;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 296.

Cultura Organizacional e Liderança – Edgar H. Schein

“Transformando o conceito em uma ferramenta prática da administração”

Para compreender o significado de Cultura somos obrigados e revisitar estudos de antropologia, os quais tratam intimamente dos comportamentos e costumes de todos os agrupamentos de pessoas que se reúnem por quaisquer tipos de motivos. Todavia, para simplificar, recorremos à literatura formal, que define Cultura como sendo ”todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.

A definição acima está correta, porém, ao desviar um pouco desse tipo de definição, que se impões quase que como uma norma, nos permitimos enxergar aspectos mais profundos do conjunto de variáveis que regem as regras postas e tácitas de todo grupo em sua singularidade.

Nas organizações empresariais, por exemplo, vários estudiosos se dedicaram à busca da compreensão deste todo elaborado que se fundamenta na interação entre as pessoas. E essa compreensão se deu pela verificação e através do estabelecimento de padrões (comportamentos que se repetem) que circulam em torno do objetivo (atividade econômica, missão e valores) da empresa.

Dentre os estudiosos do tema, um dos pioneiros é Edgar Schein, conhecido pelo aprofundamento com que se insere nos estudos sobre cultura organizacional. Neste livro (que o encontramos em sua 3ª edição), “traz uma atualização de seu entendimento da cultura como conceito, tratando-a como uma abstração, mas de suma importância para se entender o conflito intergrupal no nível organizacional.”

Fazendo uma aproximação super didática com um tema intimamente ligado aos estudos organizacionais, a liderança, Schein mostra como aqueles que têm poder de decisão nas empresas criam a cultura na justa proporção em que criam grupos. E como a cultura, uma vez instituída estabelece os critérios para as lideranças que se seguem. Nesse ato contínuo, os líderes acabam por determinar quem será ou não líder naquela organização.

Dessa forma, este livro representa uma grande fonte de informação para quem estuda lidera e/ou deseja compreender melhor a fisiologia das organizações na perspectiva comportamental.


Autor: Edgar H. Schein
Editora: Atlas;
Ano: 2009;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 415.

Desenvolvimento Interpessoal

“Treinamento em grupo”

Autor: Fela Moscovici;
Editora: José Olympio;
Ano: 2008;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 400.

Cada pessoa tem um modo próprio de agir, ou seja, um modo pessoal. Nesse sentido, ao fazer parte de um grupo, o comportamento pessoal de cada um entrecruza-se ao dos demais dando origem ao relacionamento interpessoal. Este, por sua vez, envolve um conjunto de normas que orientam as interações entre membros do referido grupo.

Dessa forma, o conceito de desenvolvimento interpessoal surge da necessidade de aprimoramento do comportamento individual com vistas a aproveitar os melhores comportamentos de cada um dentro de um grupo.

Esses comportamentos começam a ser estimulados muito cedo: do maternal até a os cursos de doutorado. E, enquanto há pessoas que desenvolvem essa habilidade sem grandes esforços, alguns levam uma vida inteira para conquistá-la. Outros, nem conseguem.

Justamente por isso, está é uma habilidade muito valorizada pelas empresas. Pois é um instrumento altamente eficaz para a geração de resultados.

Nesse contexto, Fela Moscovici, elaborou um guia para treinamento de grupos. O livro destina-se principalmente a educadores e profissionais de organizações públicas ou privadas, como dirigentes, executivos, gerentes ou assessores. Mas também pode ser dirigido aos professores e estudantes de ciências comportamentais e a qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre as relações humanas e se aprimorar na sua própria jornada.

O livro é uma coletânea de textos que contém fundamentações conceituais e sugestões de atividades para aplicação em treinamentos de desenvolvimento em grupo. É um material de fácil leitura, sem rigidez na seqüência dos textos e dos exercícios. De acordo com a autora, este não é um manual de técnicas e orientações. Mas pode ser utilizado como um orientador para situações específicas. Cabe a cada um reconhecer o momento adequado para aplicá-lo de acordo com sua criatividade e conforme as circunstâncias.


Referências:

Estudo do desempenho pessoal e organizacional

“Bases para o desenvolvimento de equipe de consultores”

Autor: José Carlos Zanelli;
Editora: Revista Eletrônica de Ciência Administrativa (RECADM);
Ano: 2009;
Páginas: 15;
Assunto: Cultura Organizacional.

Todos já fizemos parte de um grupo ou de uma equipe em determinado momento de nossas vidas. Baseados nesta(s) experiência(s) sabemos que a parte mais difícil de realizar um trabalho em conjunto é o relacionamento interpessoal.

Para que fique claro, na prática, o que distingue um grupo de uma equipe é que uma equipe é o nível mais alto ao qual um grupo pode chegar se desenvolver plenamente sua capacidade colaborativa (capacidade de superar conflitos internos para resolver problemas relativos à sua finalidade última; enquanto um grupo é só um ajuntamento de duas ou mais pessoas reunidas para a realização de uma tarefa específica.

Dessa forma, em todos os ambientes (escolar, organizacional, etc.) a formação de grupos e de equipes é imprescindível em diversos momentos. Isso significa que ambos têm funções específicas e necessárias para a realização de um dado objetivo.

Mas também é verdade que o grupo que aprende mais rápido com os seus erros e com as dificuldades, passa a dar respostas mais rápidas e mais assertivas para as questões mais complexas e, assim, seus membros passam a figurar entre os mais aptos a assumir funções e responsabilidades nos vários contextos profissionais (sociedade empresarial, empregado numa organização, etc).

Nesse sentido, “o presente trabalho tem o objetivo de gerar informações consistentes, por meio de instrumentos e procedimentos orientados pelos referenciais das organizações de aprendizagem, para o estabelecimento de alternativas de intervenção que visam a transformar o grupo em equipe. Uma organização de aprendizagem melhora o conhecimento e o entendimento do próprio grupo e de seu ambiente, ao longo do tempo, ao facilitar e fazer uso da aprendizagem de seus membros individuais. O pesquisador usou diferentes instrumentos e procedimentos por meio dos quais pôde apreender as informações: entrevistas, observações, técnicas projetivas, matriz de relações, mapeamentos conceituais e confrontações. Os resultados, em essência, confirmam a suposição inicial. Os conflitos interpessoais permeiam os processos grupais em muitos aspectos. Os fatores estão associados à indefinição de objetivos, de políticas e de critérios de liderança. As conclusões indicam que o método foi efetivo ao gerar informações coerentes, como base para o planejamento das próximas etapas do trabalho.”

Contudo, tudo o que diz respeito ao comportamento humano é abstrato, não sendo possível predicá-los de forma exata, ou melhor, não é possível afirmar algo definitivo sobre a essência de alguém, mas, apenas captar os movimentos que mais se repetem no comportamento de uma pessoa e/ou de um grupo. E, a partir daí, presumir indicadores sobre os comportamentos manifestos. De um modo geral, quando um grupo passa a compartilhar elementos de uma busca coletiva, começa a desenvolver sinergia, que significa incorporar coletivamente os comportamentos individuais que mais apresentam resultados à dinâmica do grupo.

Num cenário onde a economia globalizada força as organizações a identificarem diferenciais de competitividade, as empresas voltam a olhar para os processos de interação entre as pessoas como um fator relevante para o seu sucesso comercial e isto diz muito “tanto sobre a disposição das pessoas em aprender quanto da organização em capacitar. Nos termos do autor: “… torna-se cada vez mais difundido que a forma pela qual uma organização pode obter e conservar a vantagem competitiva é aprender com maior rapidez que seus competidores.”

O inusitado do presente estudo é que ele nos oferece uma perspectiva do trabalho de trabalho desenvolvido por uma empresa do ramo de consultoria, ou seja, estamos lidando uma empresa a qual caberia à qualificação de detentora e de usuária dos conhecimentos. Mais do que isto, deveria efetivamente difundir informações entre seus clientes, pois é uma agência de educação empresarial. No entanto, internamente aplicam a si o velho ditado de que “santo de casa não faz milagre” – o que, para uma empresa deste seguimento, representa uma grande contradição.

A empresa submetida à análise dos especialistas demonstrou claramente não praticar aquilo que supostamente apregoa e os maiores gargalos encontrados dizem respeito justamente ao relacionamento interpessoal e à comunicação, que é produto da interação dos membros daquela instituição, que também demonstraram falta de empatia no convívio diário, desinteresse pelo projeto da empresa e pelas responsabilidades individuais.

A conclusão a que chego com base na leitura integral do texto, é a de que o momento é oportuno para salvar, sem grandes perdas, a consultoria estudada. Todavia, tal salvamento depende de 1) internalização dos pressupostos (missão, valores e visão) segundo os quais o negócio foi instituído, 2) assunção de responsabilidades por parte dos membros do negócios (diretores e empregados) e 3) alinhamento entre os perfis profissionais e a cultura da empresa.

Os especialistas enfatizam ainda a instituição de medidas internas para a reconstrução do elo organizacional perdido: 1) feedback individual das percepções interpessoais; 2) levantamento das crenças e valores individuais para compor as políticas de trabalho da consultoria; 3) alinhar expectativas do líder e dos liderados com vistas à consolidação das atribuições e responsabilidades de cada um.

Fonte:

Poder, Cultura e Ética nas Organizações

“O desafio das formas de gestão”

Autor: Robert Henry Srour;
Ano: 2005;
Páginas: 408;
Editora: Ed. Campus.

O ambiente organizacional sempre foi um ecossistema rico para investigar e aprender sobre as relações humanas. Nele, ocorrem fenômenos de todos os tipos e naturezas, dada a diversidade de pessoas, seus comportamentos e as circunstâncias de cada ambiente. Por falar em comportamento, é sempre fascinante notar como é paradoxal. Ao mesmo tempo em que é singular, é também plural; simples e complexo; tranqüilo e dinâmico, e por aí vai.

“Poder, cultura e ética nas organizações”, analisa as relações de poder em torno dos objetivos empresariais, como interagem e se articulam para que a empresa cumpra suas várias missões. Através de uma interpretação baseada em anos de estudo, o autor buscar tornar compreensível os movimentos que ocorrem em todos os níveis organizacionais e, a partir disto, elabora uma tese que descreve a nova arquitetura do capitalismo social. Para possibilitar um entendimento no mesmo nível do autor, ele faz pontes com temas como a revolução digital, a globalização econômica e a sociedade da informação.

Em primeiro plano figuram as relações de trabalho nas empresas que, para se tornarem competitivas, tiveram que passar por mudanças radicais envolvendo os seus empregados. E nos leva a perceber que as transformações ocorridas no ceio destas organizações ocorreram como conseqüência das pressões que a cidadania organizada exerceu no cotidiano das empresas e das ruas.

No ponto que tange ao capital humano, nota-se que os trabalhadores deixaram de ser percebidos como meras peças de reposição nas engrenagens da linha de produção e passaram a ser capacitados ao ponto de tornarem-se polivalentes no desempenho de suas atividades. A implementação de ferramentas tecnológicas em grande escala permitiu que o agora, colaborador, pudesse fazer mais uso das faculdades mentais do que da força física e isto deu-lhes mais dignidade como pessoa.

Por fim, a principal conclusão a que se pode chegar é a de que as transformações pelas quais passaram as relações de trabalho e emprego foram possíveis graças ao processo de intervenção política da sociedade civil, que desde o período entre as duas guerras mundiais, foi se aprimorando e ganhando poder para redefinir muitas das relações capitalistas.


Vai lá e faz!

“Como empreender na era digital e tirar ideias do papel”

Autor: Tiago Mattos;
Editora: Belas Letras;
Ano: 2017;
Páginas: 320.

Pra quem empreende, o espírito empreendedor está associado a muitos princípios que indicam ação. O empreendedor é, por natureza, um ser colaborativo, dotado de capacidade de iniciativa e ama compartilhar o que tem e o que sabe.

Empreendedor não é todo aquele que simplesmente que abre uma empresa, que funda uma startup ou que desenvolveu um aplicativo capaz de revolucionar um ramo de atividade.

Na verdade, é a soma de tudo isso e muito mais. Há pessoas que têm muitos desses atributos, outras têm poucos e algumas, nenhum. Mas, o mais importante aqui é a atitude empreendedora, o impulso criativo/construtivo e a capacidade de organizar as ideias e tirá-las do papel.

Nesse sentido, há empresários que não são empreendedores e empreendedores que não são empresários. Entre os empreendedores, há idealistas, capitalistas, oportunistas, etc. e tal. Mas, para efeito desta análise, não importa com que se identificam ou o que os motiva. O que importa é que todos querem fazer a diferença na vida de alguém.

E fazer a diferença não está relacionado com o desejo de mudança apenas, mas também com o desejo de melhorar algo que pode ser melhorado, de criar algo que produza impacto positivo no universo a sua volta e/ou no mundo. O empreendedor nato se alimenta da concretização do seu impulso criativo/construtivo.

Empreender é sempre desafiador, ainda mais na era digital, que exige muito mais capacidade de resposta e visão de futuro, dada a efemeridade das coisas. Nesse sentido, uma das sacadas mais legais do livro, é ver que o autor se preocupou em compreender a história da tecnologia e que ele a vislumbra tanto numa perspectiva local quanto global e, o mais importante, que a aceita como imprescindível para a realização de toda a cadeia produtivo-construtiva no intervalo compreendido entre o “agora” e o “devir”.

Neste ponto, introduz-se o conceito de futurismo, que é um termo muito usado de uns anos pra cá, mas ainda pouco difundido entre todos aqueles que não são do ramo.

Futurista é todo aquele que é dotado de capacidade de projetar cenários possíveis entre as diversas variáveis mercadológicas, dentre as quais, destaca-se a econômica. Tiago Mattos é, nesse sentido, um dos nomes mais difundidos entre os empreendedores da geração que ora vivemos, dada a sua visão clara e nível de profundidade no tema.

Por essas e outras, o livro tem a sagacidade de exercer críticas aos modelos tradicionais de aprendizagem/trabalho, ao mesmo tempo em que oferece insights que ajudam a quebrar com o engessamento dos mesmos. Aqui, o autor alerta para a necessidade de romper com esses modelos e de democratizar esses conhecimentos para que a sociedade possa evoluir em sua totalidade.

Tiago nos ajuda a ver que o mercado começa a repudiar naturalmente muitas práticas intrínsecas a estes modelos e a perceber que somente pelo abandono destas velhas práticas, pessoas e organizações poderão se manter relevantes para o mercado num futuro já próximo.

Essa capacidade de enxergar e de se antecipar às intempéries do devir é o produto da reflexão que – suponho – Tiago espera que façamos. Ela pode e deve ser feita do aspecto mais particular para o mais geral, ou seja, da realidade individual para a coletiva e da local para a global, sem deixar de olhar para os lados e de contemplar os muitos aspectos do processo construtivo/produtivo.

Paralelamente, a ação [de ir lá e fazer] deve ser precedida de outro tipo de reflexão – a ética. Neste momento o leitor pode se perguntar: porque é necessária tal reflexão? A resposta é simples e diz respeito a pelos menos dois pontos relevantes:

1) Autocrítica, que é o conhecimento de si mesmo (das potencialidades e das fraquezas);
2) Circunstancial, que se refere a situar-se em relação às próprias práticas e sobre as quais se pretende inovar.

Mas há o motivo óbvio, que provavelmente não precisaria citar por se tratar do fato de que ninguém pode sair por aí fazendo o que quer sem que esta ação seja livre de conseqüências.

Já que falamos em inovar, o tema Inovação é justamente o favorito de Tiago, por isso, o autor reserva mais espaço para o mesmo. Individualmente, a capacidade de produzir inovação está diretamente ligada ao “mindset”(termo que em português significa “modelo mental”) e se refere a “configuração  mental” de cada um. Dessa forma, para estimular o pensamento inovador, somam-se todas as experiências do indivíduo (interação com pessoas e coisas), pois cada aspecto influencia na atitude empreendedora de uma forma específica – daí a importância do auto conhecimento.

Havendo organizado as próprias ideias, fica muito mais fácil para quem deseja empreender, tirá-las do papel, tocar o próprio projeto e obter êxito.

No entanto, é preciso ter em mente que na vida, a única constante é a mudança, por isso, é muito importante ter disposição e informação para produzir impactos na vida pessoal ou nas organizações. Todos os dias conceitos mudam ou deixam de existir e, nesse contexto, tudo permanece inacabado, em processo de reconstrução ou de ressignificação.

Se você acredita que pode impactar positivamente a vida de alguém num grupo, numa comunidade ou numa empresa, não deixe de ler este livro. Paralelamente, busque desafiar-se sempre que possível. Encontre formas de aprender coisas que ajudem a manter a mente aberta e use suas vivências pessoais para melhorar algo com o qual atua ou se identifica.

O livro é didático na medida da complexidade do tema. Mas a leitura e prazerosa e estimulante. E, apesar de todos os tópicos relacionador e dos parênteses abertos (e por mais estranho que isso possa parecer), a mensagem mais importante que ele passa é curta e simples: quer fazer alguma coisa/qualquer coisa? Vai lá e faz!


Gestao Humanista De Pessoas

“O Fator Humano Como Diferencial Competitivo”

Autor: MUSSAK, EUGENIO
Editora: ELSEVIER EDITORA
Ano: 2010;
Nº de Páginas: 300

Os estilos de liderança em todas as épocas – inclusive, hoje – sempre se basearam na autoridade. Esta, por sua vez, pode ser instituída por meio do conhecimento, do poder ou da forma de relacionar-se com os demais. Todavia, não há unanimidade quanto a estilos e formas de liderança, pois praticamente todos os comportamentos são baseados em vivências e realidades individuais e, assim sendo, a única forma de exercer uma liderança legítima sob a maior  quantidade de aspectos é conhecendo a alma humana. E isto é para poucos.

O autor parte da premissa de que as pessoas não são controláveis, mas são lideráveis. Essa diferença não é sutil, é radical, ainda que seja tão mal compreendida por todos aqueles que praticam gestão de pessoas. O projeto habilita-se a equacionar essa diferença com firmeza e didática. Peter Drucker disse que “o futuro da gestão se confundirá cada vez mais com a capacidade dos gestores de entenderem da alma humana”.

Nesse sentido, vocação e talento são componentes isoladas do espectro do líder verdadeiro. Se o objetivo das empresas é gerar resultados e se esse resultado na maioria das vezes é percebido pela rentabilidade e lucro, as pessoas são o meio pelo qual o lucro é possível de ser realizado e potencializado. Sendo assim, a despeito dos movimentos de recessão a políticas de austeridade, o significado e o papel mais belo da gestão de pessoas é atrair e manter os melhores talentos, desenvolvendo-os e estimulando-os a enfrentar os desafios com alegria e vontade de superá-los.

O livro nos oferece um pouco da história da gestão de pessoas, o papel da liderança, do clima e cultura empresarial, os instrumentos de gestão de carreira, do conhecimento e do tempo, além das tendências e desafios da área.

Aqui temos um material articulado com poder de estimular para a ação e, sobretudo para reflexão, aqueles que se acostumaram a conviver com as preocupações, ansiedades, dúvidas e necessidades diárias do ato de gerir pessoas. Nada precisa nem deve ser dolorido, apenas conhecido.


O Monge e o Executivo

“Uma história sobre a essência da liderança”


Escritor: James C. Hunter;
Editora: Sextante;
Paginas: 127.


O livro conta a historia de John Daily um executivo bem sucedido que tinha uma vida que certamente seria considerada boa por muitos de nós, no entanto, ele tinha problemas como quaisquer um de nós: sua mulher demonstrava insatisfação com o casamento e seus dois filhos estavam na fase da rebeldia adolescente e retrucavam tudo o que ele dizia. Pra piorar, no ambiente de trabalho, havia desgaste profissional.

 Percebendo seu aborrecimento crescente, sua esposa aconselhou que falasse com o Pastor da igreja que frequentavam para pedir aconsehamento. O Pastor o convenceu a passar alguns dias num mosteiro, para onde um grande executivo também havia ido e lá compartilhava seus aprendizados com quem desejasse ouvir.

O ex-executivo transmitia seus conhecimentos sobre o mundo corporativo de uma forma pouco convencional e desse modo enfatizava a diferença entre liderar e servir, e sobre como ambas se complementavam.

Um dos momentos mais marcantes é quando distingue a Administração segundo o velho e novo paradigmas:

De acordo com o antigo paradigma, no mundo corporativo, as pessoas (donos de empresa, gerentes e demais funcionários), baseavam suas crenças no seguinte:

  • Os EUA eram imbatíveis;
  • Administração centralizada é como deve ser;
  • O Japão somente fabrica produtos de má qualidade;
  • Eu penso (postura que reforça o individualismo);
  • Apego a um modelo (modelo baseado no “sempre foi assim”);
  • As empresas têm que gerar lucro a curto prazo;
  • Trabalhar, trabalhar e trabalhar (cumprir tarefas mecanicamente);
  • Evitar e temer mudanças (sem comentários);
  • Está razoável (ou seja, vamos fazer de qualquer jeito).

De acordo com o novo Paradigma, no mundo corporativo e na vida pessoal (todos nós), devemos nos basear no seguinte:

  • A concorrência é global (mundial);
  • A Administração descentralizada aponta para a abertura de conceitos;
  • O Japão fabrica produtos de alta qualidade;
  • Liderar também é servir;
  • Causa e efeito (tudo ocorre como conseqüência de alguma coisa);
  • Melhoria contínua (aprendizado contínuo);
  • O lucro deve ser planejado para curto, médio e longo prazos;
  • Sócios (postura que reforça o colaborativismo);
  • A mudança é uma constante (sem comentários);
  • Defeito Zero (significa que a qualidade é algo que deve ser perseguido).

Dizendo isto, o monge explicava que a verdadeira liderança é algo que deve ser feito com amor e que, portanto, deve buscar primeiramente servir. Disto decorre que o bom líder deve incentivar e dar condições para que as pessoas se tornem melhores.

O livro em si é sobre liderança, mas uma forma de liderança libertadora que busca identificar o que há de melhor nas pessoas e usa isto para empoderá-las.  A liderança servidora é reconhecida pelo respeito conquistado, pela autoridade legitimada pelo exemplo e pelo amor ao servir (independente de a quem se sirva).  

Jonh refletiu sobre como estava conduzindo sua vida pessoal e profissional e identificou muitas oportunidades de melhoria. Foi o princípio do começo da mudança. A mesma mudança que todos nós almejamos, mas que não temos coragem e/ou disposição para dar o primeiro passo – a menos que estejamos próximos do fundo do poço.

De todo modo, o lado bom é que sempre poderemos recomeçar. Todos os dias são novas oportunidades de aprender e de pôr em prática novas percepções, novos olhares e de rompermos com os velhos paradigmas.


Equipes dão certo – Livro

MOSCOVICI, Fela. Equipes dão certo: a multiplicação do talento humano. 8. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.

A autora Fela Moscovici é mestre em psicologia social pela Universidade de Chicago (EUA) e especialista em consultoria organizacional no NTL – Institute of Applied Behavioral Science (EUA). Fela também foi professora de cursos de graduação e pós-graduação da Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) e do Centro de Pós-Graduação de Psicologia Aplicada (CPGPA) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Atualmente é consultora de empresas e atua nas áreas de desenvolvimento interpessoal, de executivos, de equipes e organizacional.

SOBRE O LIVRO:

O livro é dividido em três partes: idéias, ações e experiências. A autora aborda a idéia de que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando durante a obra, as características entre grupos e equipes. Grupos existem em toda a parte e os membros trabalham juntos; equipes, porém, são bem mais do que isso. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum. Em uma equipe deve haver comunicação entre os membros, estímulo a opiniões divergentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação.

Segundo Fela, na vida em grupo é impossível não haver conflitos ao existir escassez de recursos para satisfazer todas as necessidades, desejos e afetividades. O conflito, no entanto, é uma dinâmica interpessoal com conseqüências positivas ou negativas. Existem dois conjuntos de táticas para lidar com conflitos: as de luta/fuga e as de diálogo. Embora o fato das táticas de luta/fuga serem muito usadas, elas não promovem melhoria de relacionamento, nem resultados satisfatórios na resolução de conflitos. Já a tática de diálogo que inclui também apaziguamento, negociação, confrontação e resolução de problemas, permite descobrir alternativas de controle de conflito.

A autonomia de uma equipe vai desde prover simples sugestões até trabalhar como unidades autogerenciadas, exigindo esforço motivacional e confiança na continuidade trazendo compensações significativas. Obstáculos e dificuldades também estão presentes em grupos, como por exemplo, a resistência. A resistência a mudanças tem de ser reconhecida e não tratada como negativa, ela pode ser uma reação sadia ao desequilíbrio tendo grande importância para o planejamento e implementação do programa.

As pessoas aspiram por relações harmoniosas, mas nem sempre isso acontece. O relacionamento interpessoal é um processo sujeito a variações de espaço, tempo e contexto. E a afetividade e o poder existem em qualquer relação dentro e fora das organizações. A autora afirma que o tipo de afetividade define as características num relacionamento profissional que faz com que as pessoas gostem ou não de trabalharem juntas. A distribuição do poder também tem fundamental importância entre as pessoas que faz com que uma pessoa possua mais poder que outras em função do contexto, personalidades e dos meios para conquistar, ampliar e manter esse domínio. Torna-se fonte de poder também aquilo que pode satisfazer o desejo de uma pessoa, a identificação, conhecimento e informação sobre determinado assunto.

Algo presente também em todas as organizações são as diferenças de cultura, fazendo com que as empresas tornem-se diferentes umas das outras tendendo a criar e desenvolver culturas organizacionais próprias, se distinguindo como sistemas únicos. Dentro de um sistema organizacional, originam-se também, as subculturas que se manifestam com maneiras próprias de pensar e agir. Dessa forma, pode enriquecer o contexto cultural de uma organização pela introdução de valores e pontos de vistas diferenciados ou até mesmo podem dificultar a integração quando os membros da organização não estão preparados para lidar com situações diferentes. No entanto, os grupos podem ser veículos de transformação cultural, impulsionando a transformação dos sistemas contemporâneos mediante mudanças integradas em suas diferentes dimensões, incluindo seus valores, com o objetivo de fazer dos sistemas, espaços para desenvolvimento humano e socioeconômico instituindo um instrumento de mudança cultural.

A transformação de um grupo em equipe, segundo a autora, passa pelos pressupostos básicos de interdependência, diálogo e nível de colaboração. Junto com esses pressupostos, devem-se valorizar abordagens racionais da tarefa e aprender com a sua própria experiência. Mas, às vezes, equipes bem desenvolvidas encontram dificuldades, dentro de empresas problemáticas pelo fato da cúpula entender como perda de tempo os pressupostos básicos para influenciar no crescimento. Um processo bem conduzido de DE ajuda o grupo a assumir maior responsabilidade por seus destinos, todavia, o crescimento não pode ser imposto numa organização míope às oportunidades, enrolada a seus próprios problemas.

Por fim, conclui-se que o futuro pertence a organizações baseadas em equipes e não apenas em grupos organizacionais, diferenciando grupos de equipes. Uma equipe alia o desejo de realização do indivíduo, seja profissional ou pessoal, à vontade de buscar o objetivo comum, com comunicação, estímulo a opiniões diferentes, capacidade de assumir riscos, confiança, respeito, mente aberta e cooperação. Essas são, portanto, as características de uma equipe perfeita diante da análise desta obra.

Fela Moscovici usa como referência em seu livro, diversos autores tais como Crys Argiris, Peter Drucker e Paulo Freire, tornando dessa forma, a obra muito mais rica e valorizada na área de desenvolvimento de equipes.

As idéias da autora são bem originais, simples e objetivas, proporcionando uma fácil compreensão aos administradores, consultores e demais profissionais que de certa forma, lidam com grupos. Com a obra, muitos equívocos poderão ser evitados em processo de desenvolvimento em grupo, facilitando o diálogo e a comunicação entre as pessoas, aceitando o processo democrático, as limitações dos outros, mostrando as complicações dos relacionamentos e como lidar com elas. Enfim, é mais que uma obra. É o manual de como trabalhar em grupo de forma mais hábil, comunicativa e produtiva, proporcionando satisfação para os participantes.


Referências: