Vilém Flusser – Língua e Realidade (2004)

“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a lingua, quem cria a poesia?”

Nota: 10.

Vilém Flusser nasceu numa família judia em 1920 na cidade de Praga/Tchecoeslováquia (atualmente, República Checa). Era apenas um jovem universitário quando os alemães invadiram sua cidade natal. Assim, por ocasião da chegada de Hitler à cidade de Praga, Flusser e sua amiga Edith Barth tiveram que deixar seu país às pressas partindo para a Inglaterra. Posteriormente, quando Paris caiu e antecipando-se a invasão iminente da Inglaterra, decidiu vir para o Brasil, onde chegaram em 1940. Mais tarde casaram-se, tiveram filhos e adotaram o país como sua nova terra natal.

Língua e Realidade foi originalmente escrito em 1963 e não antes reeditado até 2004. Trata-se do primeiro livro desse pensador e constitui-se numa obra ímpar. Nunca antes e nem depois se discutiu uma filosofia da língua como neste trabalho, baseado não apenas na informação de um erudito como também na vivência de um poliglota exilado. Escrito em português por um filósofo tcheco que usualmente escrevia em alemão. A partir da sua experiência no Brasil, Flusser sentiu-se incorporando o português como uma terceira língua materna.

Vivendo no Brasil e “ganhando a vida como escritor, descobriu o poder da tradução como recurso de apropriação da língua nativa. Em carta à pintora Mira Schendel, Flusser explica porque sistematicamente traduzia a si mesmo. Escrevia tudo primeiramente em alemão, que é a língua que mais pulsa no seu peito. Depois, traduzia para o português, que é a língua que mais articula a realidade social na qual esteve engajado. Traduzia, ainda, para o inglês, que segundo ele, é a língua que dispõe de maior riqueza de repertório e forma. Por fim, traduzia para a língua em que o escrito seria publicado. Dessa forma, penetrando nas estruturas das várias línguas, chegava a um núcleo geral e despersonalizado, através do qual articulava a(s) realidade(s) com maior liberdade e propriedade.

Esta pequena obra-prima, além de evocar as questões fundamentais do pensamento ocidental como as categorias de Aristóteles segundo as infinitas línguas existentes no mundo, também trata de questões primárias da filosofia, como aquela que persegue os filósofos desde Platão: se o mundo pode ser pensado, pensar sobre o pensamento, pode revelar elementos da estrutura do mundo?

Bem, meu objetivo aqui não é responder a estas e as outras questões que certamente surgirão, mas de instigar em você, amante da leitura, o desejo de ler e de adentrar no universo apaixonante que Vilém Flusser criou neste livro.


Autor: Vilém Flusser;
Editora: Annablume;
Idioma: Português;
Páginas: 230;
Ano: 2004.

Henrique C. Nardi – Ética, Trabalho e Subjetividade

“A nova configuração do mundo do trabalho produz efeitos importantes nas trajetórias de vida…”

Nota: 9,50.

O livro está fora de catálogo, mas o conteúdo é e será sempre atual para quem deseja saber mais sobre os aspectos éticos do trabalho em relação aos avanços de cada época.

Toda geração é marcada por um tipo próprio de evolução. Se olharmos para os últimos 20 anos, poderemos ver como as sociedades evoluíram de maneira mais rápida do que nos anos anteriores e assim será se retroagirmos mais e mais. Ocorre que as mudanças sociais que materializam esta evolução estão sempre associadas ao exercício do poder e ao processo de interação natural dos homens.

Cada mudança na vida prática vem associada à quebra de paradigmas da geração anterior e estas, por sua vez, não ocorrem sem debates ou conflitos sociais. As revoluções científicas mais notáveis se processam nos campo da biológica, da genética e principalmente da inteligência artificial. Algumas, chamando mais atenção das sociedades, outras, passando de forma mais – digamos – despercebida pelo grande público. Porém, em menor ou maior grau, todas provocam impactos no mundo.

A forma como lidamos com esta evolução DO momento em que as mudanças são propostas ATÉ aquele em que de fato se efetivam é basicamente o objeto de estudo deste livro. Sendo que, aqui, o foco está nas relação de trabalho.

Imaginemos que um país onde a expectativa média de vida do povo é de 75,51 anos em 2016 e que neste mesmo país a população potencialmente ativa está envelhecendo mais rápido do que a  quantidade de jovens inserida e no mercado de trabalho e, apta, para trabalhar.

Não é difícil entender que em pouco tempo, haverá mais gente aposentada e necessitando de auxílio do governo do que a quantidade de gente trabalhando e contribuindo para a manutenção do sistema de aposentadorias daquele país.

Nessas circunstâncias, podemos perceber claramente que o sistema não será capaz de se manter por mais gerações. E que é necessário mudar a forma segundo o qual o governo recolhe essas contribuições para futuramente devolvê-las àqueles que já deram sua parcela de contribuição.

Temos aqui um dilema ético-econômico:

Ora, se a expectativa de vida do povo em geral é de 75 anos e este mesmo povo é obrigado a trabalhar até 65 anos, o que lhes resta para usufruir? Qual a expectativa de realização social para uma nação cujo futuro apresentado é carente de significados? Quais as conseqüências disso para as gerações futuras?

Bem, nossa função no momento não é responder a estas questões, mas apenas, dar exemplo de como os pressupostos sociais podem ser derrubados, modificados ou dilatados em função das circunstâncias do momento ou para se ajustar aos valores de uma época. Estes paradigmas necessitam ser quebrados ou alterados com vistas a evolução de uma sociedade qualquer.

Nesse contexto:

“A transformação das relações entre a subjetividade, o trabalho e a ética carregam as marcas do redimensionamento da função do trabalho como base de coesão social. A compreensão dessa transformação constitui-se no desafio deste livro. Aqui buscamos analisar as relações entre trabalho e ética a partir dos efeitos das transformações dos valores associados ao trabalho e das condições objetivas de inserção no mercado de trabalho nos processos de subjetivação de das gerações de trabalhadores.”


Autor: Henrique Caetano Nardi;
Editora: UFRGS;
Idioma: Português;
Páginas: 222;
Ano: 2006.

Mário Sergio Cortella – Qual é a tua obra?

“Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”

Nota: 8,00.

Neste livro, o professor Mário Sergio, oferece componentes para a construção de reflexões sobre o trabalho e sobre a forma como o encaramos. Apresenta elementos que ajudam a preparar nossas para se abrir a novas noções como, por exemplo, a substituição da ideia de trabalho como castigo por um conceito de algo que vai além do mero respeito às normas laborais e da execução das tarefas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser ressignificado para algo tão superior quanto a realização de uma obra. Obra esta, que permanece no tempo a despeito da passagem da pessoa que a realizou e constituirá o conjunto de saberes desenvolvidos pela empresa de modo a servir a todos os que ali passarão. Nesta perspectiva, os atos de pensar estrategicamente, de dar ou de executar ordens, adquirem contornos cujos limites se expandem para algo que pode ser nomeado de prazer e dá às relações de trabalho um significado equiparado a isto que chamamos de espiritualidade.

“Qual é a tua obra?” não é manual. Ao contrário, pretende ser o elo que media e concilia as expectativas de patrões e empregados, chefes e subordinados de modo que ambos possam refletir e identificar o que há de mais gratificante no desempenhar de suas atribuições e almeja que cada um possa identificar aspectos de liderança no ato de executar suas atividades diárias para, dessa forma, enxergar significados e elevar o trabalho cotidiano em experiências transformadoras.


Autor: Mário S. Cortella;
Editora: Vozes;
Idioma: Português;
Páginas: 144;
Ano: 2015.



Ken Robinson – Libertando o Poder Criativo

“A Chave Para o Crescimento Pessoal e Das Organizações”

Nota: 9,00.

O que seria de Vincent van Gogh se houvesse freqüentado uma escola de artes? O que seria da arte se estivesse subordinada a padrões de comportamento e a valores de épocas? Bem, a resposta é ao mesmo tempo simples e objetiva: van Gogh muito provavelmente não teria sido reconhecido como um gênio da arte moderna e, da mesma forma, arte condicionada não é arte.

O motivo de tais afirmações reside em que a arte de um modo geral, é algo que existe para questionar modelos e denunciar realidades falseadas, mas principalmente, existe para estimular o pensamento criativo. Este por sua vez, deve ser livre, mas para ser livre, há que ser puro no sentido de não sofrer influências que o limitem. Mas pelo que se sabe não há como ser puro num mundo em que a dinâmica que rege as relações giram em torno de poder e de influência.

É aqui onde entra o pensamento perspicaz de Ken Robinson. Ele busca oferecer uma visão inovadora sobre como os modelos educacionais moldam os comportamentos de modo a agir como limitantes do poder criacional.

Ele argumenta que:

“As pessoas e empresas no mundo todo lidam com problemas originados na escola e nas universidades e que muitas pessoas param de estudar sem ter um conhecimento verdadeiro das suas capacidades criativas.”

Nesse sentido, Libertando o Poder Criativo questionar a forma como somos treinados para pensar e de como esse treinamento visa uniformizar a forma segundo a qual devemos agir para gerar resultados e/ou de justificar o fracasso quando o treinamento não produz o sucesso pretendido.

Assim, Robinson pretende demonstrar como e por que a maioria de nós perde a capacidade criativa ao longo da vida escolar. E ao falar abertamente desses “problemas”, ele expõe problemas encontrados no sistema educacional tradicional e os relaciona com o tipos de inteligências necessárias para produzir soluções nos dias de hoje.

Segundo o autor, compreendendo como funcionam os modelos educacionais vigentes (na família, escola, universidade e empresas), é possível achar brechas que nos permitem burlar a lógica tradicional na busca de produzir soluções originais.

Dessa forma, poderemos libertar o poder criativo para agir com muito mais segurança e liberdade no campo acadêmico e profissional.


Autor: Ken Robinson;
Editora: HSM;
Ano: 2012;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 304.

FOCO – DANIEL GOLEMAN

“A atenção e seu papel fundamental para o sucesso”

Nota: 9,00.

Talvez você já tenha se ouvido falar em Mindfulness. Mas talvez não saiba exatamente o que seja nem do que se trata. Pois bem, para responder se uma forma objetiva, Mindfulness é um, este estado de consciência em que estamos com o corpo e a mente no mesmo lugar. Ou seja, é um estado de atenção plena aplicado ao momento presente em que há receptividade sem reatividade.

Esta palavra que aportuguesamos e que agora virou moda nos diversos cursos de aprimoramento que geralmente fazemos para atender a demandas da profissão, existe na comunidade científica médica e psicológica internacional há 30 anos e na psicologia budista há, pelo menos, 2500 anos. Sim, a origem do conceito “Mindfulness” é budista, mas hoje quem é responsável por sua disseminação e crescimento é a ciência.

Nesse sentido, Mindfulness nada mais é do que a habilidade de nos colocarmos conscientes e abertos às experiências do momento presente e sem julgamentos. Essa habilidade pode ser desenvolvida por meio de práticas específicas de meditação – chamadas de meditações mindfulness – que possuem resultados científicos comprovados. Estas práticas têm sido febre na região do Vale do Silício, onde as empresas consideradas mais inovadoras do mundo se concentram como Google, Apple e Twitter. Tais corporações investem em treinamentos de mindfulness para seus funcionários há tempos; há comprovação de que quanto maior o nosso nível de mindfulness, maior é nossa criatividade, nosso bem-estar e inteligência emocional.

Os especialistas afirmam que todos temos a habilidade (em maior ou em menor grau) de permanecer concentrados em algo por um determinado período de tempo. E o que é melhor, que podemos aumentar essa capacidade se nos exercitarmos regularmente.

A afirmativa acima encontra paralelo em Daniel Goleman no seu livro “Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso”. Para Goleman, o excesso de informação do mundo moderno, sobrecarrega o pensamento provocando uma série de distúrbios que culminam em níveis elevados de stress.

Na área profissional, temos que lidar diariamente com fatores que parecem agir como nossos inimigos e nos atrapalhar a toda e qualquer hora. Como exemplo ele cita o hábito de olhar e-mails, mensagens nos diversos app’s, Facebook, Twitter, etc., indisciplinadamente. No entanto, se você conseguir resistir ao impulso de deixar sua mente divagar por entre as tentações do mundo conectado, você pode ir além.

O autor constatou que normalmente uma pessoa fica distraída por mais de 40% do tempo quando lê um texto ou participa de uma reunião. Mas, ainda segundo o autor, há muitos benefícios em desenvolver foco para permanecer concentrado por períodos maiores de tempo. E a palavra que mais deve agradar aos profissionais do mundo corporativo é “sucesso”. Sim, o sucesso na realização de projetos importantes, na boa organização e distribuição de recursos, na execução de tarefas rotineiras na sua empresa.

Por isso, afirma que todos precisam aprender a aprimorar o foco se quiserem prosperar no complexo mundo em que vivemos. E acrescenta que todos os que alcançaram rendimento máximo (nos estudos, nos negócios, nos esportes ou nas artes) são precisamente os que prestaram atenção no que era mais importante para seu desempenho.

De onde conclui que foco é o que diferencia um especialista de um amador, um profissional de alta performance de um funcionário mediano.” E nesse contexto, desenvolver foco é uma forma de lançar um olhar inovador sobre as circunstâncias e de perceber como a atenção pode ser decisiva para obter sucesso nos seus projetos.


Autor: Daniel Goleman;
Editora: Objetiva;
Ano: 2013;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 296.

Edgar H. Schein – Cultura Organizacional e Liderança

“Transformando o conceito em uma ferramenta prática da administração”

Nota: 10,00.

Para compreender o significado de Cultura somos obrigados e revisitar estudos de antropologia, os quais tratam intimamente dos comportamentos e costumes de todos os agrupamentos de pessoas que se reúnem por quaisquer tipos de motivos. Todavia, para simplificar, recorremos à literatura formal, que define Cultura como sendo ”todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.

A definição acima está correta, porém, ao desviar um pouco desse tipo de definição, que se impões quase que como uma norma, nos permitimos enxergar aspectos mais profundos do conjunto de variáveis que regem as regras postas e tácitas de todo grupo em sua singularidade.

Nas organizações empresariais, por exemplo, vários estudiosos se dedicaram à busca da compreensão deste todo elaborado que se fundamenta na interação entre as pessoas. E essa compreensão se deu pela verificação e através do estabelecimento de padrões (comportamentos que se repetem) que circulam em torno do objetivo (atividade econômica, missão e valores) da empresa.

Dentre os estudiosos do tema, um dos pioneiros é Edgar Schein, conhecido pelo aprofundamento com que se insere nos estudos sobre cultura organizacional. Neste livro (que o encontramos em sua 3ª edição), “traz uma atualização de seu entendimento da cultura como conceito, tratando-a como uma abstração, mas de suma importância para se entender o conflito intergrupal no nível organizacional.”

Fazendo uma aproximação super didática com um tema intimamente ligado aos estudos organizacionais, a liderança, Schein mostra como aqueles que têm poder de decisão nas empresas criam a cultura na justa proporção em que criam grupos. E como a cultura, uma vez instituída estabelece os critérios para as lideranças que se seguem. Nesse ato contínuo, os líderes acabam por determinar quem será ou não líder naquela organização.

Dessa forma, este livro representa uma grande fonte de informação para quem estuda lidera e/ou deseja compreender melhor a fisiologia das organizações na perspectiva comportamental.


Autor: Edgar H. Schein
Editora: Atlas;
Ano: 2009;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 415.

Fela Moscovici – Desenvolvimento Interpessoal

“Treinamento em grupo”

Nota: 9,00.

Cada pessoa tem um modo próprio de agir, ou seja, um modo pessoal. Nesse sentido, ao fazer parte de um grupo, o comportamento pessoal de cada um entrecruza-se ao dos demais dando origem ao relacionamento interpessoal. Este, por sua vez, envolve um conjunto de normas que orientam as interações entre membros do referido grupo.

Dessa forma, o conceito de desenvolvimento interpessoal surge da necessidade de aprimoramento do comportamento individual com vistas a aproveitar os melhores comportamentos de cada um dentro de um grupo.

Esses comportamentos começam a ser estimulados muito cedo: do maternal até a os cursos de doutorado. E, enquanto há pessoas que desenvolvem essa habilidade sem grandes esforços, alguns levam uma vida inteira para conquistá-la. Outros, nem conseguem.

Justamente por isso, está é uma habilidade muito valorizada pelas empresas. Pois é um instrumento altamente eficaz para a geração de resultados.

Nesse contexto, Fela Moscovici, elaborou um guia para treinamento de grupos. O livro destina-se principalmente a educadores e profissionais de organizações públicas ou privadas, como dirigentes, executivos, gerentes ou assessores. Mas também pode ser dirigido aos professores e estudantes de ciências comportamentais e a qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre as relações humanas e se aprimorar na sua própria jornada.

O livro é uma coletânea de textos que contém fundamentações conceituais e sugestões de atividades para aplicação em treinamentos de desenvolvimento em grupo. É um material de fácil leitura, sem rigidez na seqüência dos textos e dos exercícios. De acordo com a autora, este não é um manual de técnicas e orientações. Mas pode ser utilizado como um orientador para situações específicas. Cabe a cada um reconhecer o momento adequado para aplicá-lo de acordo com sua criatividade e conforme as circunstâncias.


Autor: Fela Moscovici;
Editora: José Olympio;
Ano: 2008;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 400.

Referências:

Robert Henry Srour – Poder, Cultura e Ética nas Organizações

“O desafio das formas de gestão”

Nota: 9,00.

O ambiente organizacional sempre foi um ecossistema rico para investigar e aprender sobre as relações humanas. Nele, ocorrem fenômenos de todos os tipos e naturezas, dada a diversidade de pessoas, seus comportamentos e as circunstâncias de cada ambiente. Por falar em comportamento, é sempre fascinante notar como é paradoxal. Ao mesmo tempo em que é singular, é também plural; simples e complexo; tranqüilo e dinâmico, e por aí vai.

“Poder, cultura e ética nas organizações”, analisa as relações de poder em torno dos objetivos empresariais, como interagem e se articulam para que a empresa cumpra suas várias missões. Através de uma interpretação baseada em anos de estudo, o autor buscar tornar compreensível os movimentos que ocorrem em todos os níveis organizacionais e, a partir disto, elabora uma tese que descreve a nova arquitetura do capitalismo social. Para possibilitar um entendimento no mesmo nível do autor, ele faz pontes com temas como a revolução digital, a globalização econômica e a sociedade da informação.

Em primeiro plano figuram as relações de trabalho nas empresas que, para se tornarem competitivas, tiveram que passar por mudanças radicais envolvendo os seus empregados. E nos leva a perceber que as transformações ocorridas no ceio destas organizações ocorreram como conseqüência das pressões que a cidadania organizada exerceu no cotidiano das empresas e das ruas.

No ponto que tange ao capital humano, nota-se que os trabalhadores deixaram de ser percebidos como meras peças de reposição nas engrenagens da linha de produção e passaram a ser capacitados ao ponto de tornarem-se polivalentes no desempenho de suas atividades. A implementação de ferramentas tecnológicas em grande escala permitiu que o agora, colaborador, pudesse fazer mais uso das faculdades mentais do que da força física e isto deu-lhes mais dignidade como pessoa.

Por fim, a principal conclusão a que se pode chegar é a de que as transformações pelas quais passaram as relações de trabalho e emprego foram possíveis graças ao processo de intervenção política da sociedade civil, que desde o período entre as duas guerras mundiais, foi se aprimorando e ganhando poder para redefinir muitas das relações capitalistas.


Autor: Robert Henry Srour;
Ano: 2005;
Páginas: 408;
Editora: Ed. Campus.

Eugênio Mussak – Gestão Humanista De Pessoas

“O Fator Humano Como Diferencial Competitivo”

Os estilos de liderança em todas as épocas – inclusive, hoje – sempre se basearam na autoridade. Esta, por sua vez, pode ser instituída por meio do conhecimento, do poder ou da forma de relacionar-se com os demais. Todavia, não há unanimidade quanto a estilos e formas de liderança, pois praticamente todos os comportamentos são baseados em vivências e realidades individuais e, assim sendo, a única forma de exercer uma liderança legítima sob a maior  quantidade de aspectos é conhecendo a alma humana. E isto é para poucos.

O autor parte da premissa de que as pessoas não são controláveis, mas são lideráveis. Essa diferença não é sutil, é radical, ainda que seja tão mal compreendida por todos aqueles que praticam gestão de pessoas. O projeto habilita-se a equacionar essa diferença com firmeza e didática. Peter Drucker disse que “o futuro da gestão se confundirá cada vez mais com a capacidade dos gestores de entenderem da alma humana”.

Nesse sentido, vocação e talento são componentes isoladas do espectro do líder verdadeiro. Se o objetivo das empresas é gerar resultados e se esse resultado na maioria das vezes é percebido pela rentabilidade e lucro, as pessoas são o meio pelo qual o lucro é possível de ser realizado e potencializado. Sendo assim, a despeito dos movimentos de recessão a políticas de austeridade, o significado e o papel mais belo da gestão de pessoas é atrair e manter os melhores talentos, desenvolvendo-os e estimulando-os a enfrentar os desafios com alegria e vontade de superá-los.

O livro nos oferece um pouco da história da gestão de pessoas, o papel da liderança, do clima e cultura empresarial, os instrumentos de gestão de carreira, do conhecimento e do tempo, além das tendências e desafios da área.

Aqui temos um material articulado com poder de estimular para a ação e, sobretudo para reflexão, aqueles que se acostumaram a conviver com as preocupações, ansiedades, dúvidas e necessidades diárias do ato de gerir pessoas. Nada precisa nem deve ser dolorido, apenas conhecido.


Autor: MUSSAK, EUGENIO;
Editora: ELSEVIER EDITORA;
Ano: 2010;
Nº de Páginas: 300.

James C. Hunter – O Monge e o Executivo

“Uma história sobre a essência da liderança”

Nota: 8,00.


O livro conta a historia de John Daily um executivo bem sucedido que tinha uma vida que certamente seria considerada boa por muitos de nós, no entanto, ele tinha problemas como quaisquer um de nós: sua mulher demonstrava insatisfação com o casamento e seus dois filhos estavam na fase da rebeldia adolescente e retrucavam tudo o que ele dizia. Pra piorar, no ambiente de trabalho, havia desgaste profissional.

 Percebendo seu aborrecimento crescente, sua esposa aconselhou que falasse com o Pastor da igreja que frequentavam para pedir aconsehamento. O Pastor o convenceu a passar alguns dias num mosteiro, para onde um grande executivo também havia ido e lá compartilhava seus aprendizados com quem desejasse ouvir.

O ex-executivo transmitia seus conhecimentos sobre o mundo corporativo de uma forma pouco convencional e desse modo enfatizava a diferença entre liderar e servir, e sobre como ambas se complementavam.

Um dos momentos mais marcantes é quando distingue a Administração segundo o velho e novo paradigmas:

De acordo com o antigo paradigma, no mundo corporativo, as pessoas (donos de empresa, gerentes e demais funcionários), baseavam suas crenças no seguinte:

  • Os EUA eram imbatíveis;
  • Administração centralizada é como deve ser;
  • O Japão somente fabrica produtos de má qualidade;
  • Eu penso (postura que reforça o individualismo);
  • Apego a um modelo (modelo baseado no “sempre foi assim”);
  • As empresas têm que gerar lucro a curto prazo;
  • Trabalhar, trabalhar e trabalhar (cumprir tarefas mecanicamente);
  • Evitar e temer mudanças (sem comentários);
  • Está razoável (ou seja, vamos fazer de qualquer jeito).

De acordo com o novo Paradigma, no mundo corporativo e na vida pessoal (todos nós), devemos nos basear no seguinte:

  • A concorrência é global (mundial);
  • A Administração descentralizada aponta para a abertura de conceitos;
  • O Japão fabrica produtos de alta qualidade;
  • Liderar também é servir;
  • Causa e efeito (tudo ocorre como conseqüência de alguma coisa);
  • Melhoria contínua (aprendizado contínuo);
  • O lucro deve ser planejado para curto, médio e longo prazos;
  • Sócios (postura que reforça o colaborativismo);
  • A mudança é uma constante (sem comentários);
  • Defeito Zero (significa que a qualidade é algo que deve ser perseguido).

Dizendo isto, o monge explicava que a verdadeira liderança é algo que deve ser feito com amor e que, portanto, deve buscar primeiramente servir. Disto decorre que o bom líder deve incentivar e dar condições para que as pessoas se tornem melhores.

O livro em si é sobre liderança, mas uma forma de liderança libertadora que busca identificar o que há de melhor nas pessoas e usa isto para empoderá-las.  A liderança servidora é reconhecida pelo respeito conquistado, pela autoridade legitimada pelo exemplo e pelo amor ao servir (independente de a quem se sirva).  

Jonh refletiu sobre como estava conduzindo sua vida pessoal e profissional e identificou muitas oportunidades de melhoria. Foi o princípio do começo da mudança. A mesma mudança que todos nós almejamos, mas que não temos coragem e/ou disposição para dar o primeiro passo – a menos que estejamos próximos do fundo do poço.

De todo modo, o lado bom é que sempre poderemos recomeçar. Todos os dias são novas oportunidades de aprender e de pôr em prática novas percepções, novos olhares e de rompermos com os velhos paradigmas.



Escritor: James C. Hunter;
Editora: Sextante;
Paginas: 127.