Coerção – O que é e como lidar com ela?

“Como e porque o impulso coercitivo é inerente à sociedade”

Nota: 9/10.

É comum encontrar a prática da coerção em vários ambientes diferentes como em escolas, empresas, famílias, entre outras situações que são constituídas por hierarquia, seja de cargo, idades, força e diversas capacidades que porventura tornam alguém maior, em termos hierárquicos, que o outro.

O ato de pressionar, induzir, intimidar, forçar e ameaçar alguém a fazer algo que não queira é considerado coerção. Um exemplo clássico é quando a mãe ameaça a bater, tirar os brinquedos ou vídeo game do filho caso ele não coma ou tire nota baixa na escola.

É possível encontrar também em organizações, mas não somente na forma pejorativa, mas como forma de motivação aos funcionários. Por exemplo: o chefe pressiona seus funcionários a vender certa quantia, caso não consigam eles não ganham comissão. Nas organizações é possível também encontrar o abuso de autoridade, ou seja a coerção de algum chefe sobre seu subordinado.

Se a prática da coerção for constante, pode se considerar esse ato como escravidão. É comum perceber nas áreas militares, onde muitas vezes a violência não é somente verbal, mas físicas, morais e psicológicas aos subordinados de cargos altos.

Coerção ou coação

Coerção significa o poder legal que as autoridades têm em impor leis e obrigar ao seu cumprimento. Coação pode significar uma forma de violência física ou verbal que obriga uma pessoa a agir contra sua vontade ou que a impede de agir.

Coerção e Suas Implicações

Livro que apresenta as características gerais do ato coercitivo e as formas de como lidar com esse tipo de ocorrência no momento em que se dá. Além disso, oferece elementos importantes para uma discussão sobre o assunto. Tópicos como punição, defesa, fuga, esquiva são tratados de forma séria e delicada, dando ao tema a atenção que ele merece. O autor mostra o quanto a coerção está presente em quase todos os segmentos da sociedade e propõe maneiras de se orientar para lidar com eventos desta natureza de forma madura e legal.


Autor: Murray Sidman;
Editora: Psy;
Ano: 2009;
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 292.


Referências:

Discriminação e preconceito nos âmbito social e laboral

“Discriminação e preconceito – Da Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho à Constituição Federal.”

É comum confundirmos discriminação e preconceito. No dicionário Aurélio, a definição de preconceito é ideia preconcebida. Na segunda acepção é suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões. Já discriminação é ato ou efeito de discriminar. Tratamento preconceituoso dado a certas categorias sociais, raciais, etc.

Analisando, então, podemos deduzir que o preconceito pode permanecer só no aspecto interno. Sem que tenha uma correspondência na prática. Pode não se materializar nas ações.Enquanto que a discriminação é tida como algo que decorre do preconceito, fazendo com que determinados segmentos, grupos ou atividades sejam excluídos ou estigmatizados.

Uma forma corriqueira de discriminação é aquela referente ao nível social, à raça, religião, opção sexual.

A convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho considera discriminação toda distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, exceto aquelas fundadas nas qualificações exigidas.

A Constituição Federal iguala homens e mulheres em direitos e deveres, proíbe diferença de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

A legislação procura respaldar o trabalhador, evitando restrições no acesso ao trabalho, que não sejam as naturais decorrentes de melhor ou maior qualificação para a função. Em função disto existem políticas de inserção, através de ações afirmativas para portadores de necessidades especiais, para negros, índios, visando à inserção e conseqüente redução da exclusão.

O resultado de uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho, realizada em 2005 chamou minha atenção. Segundo a pesquisa feita com executivos, estes confirmaram que existe discriminação com relação à admissão de obesos, o que afeta, inclusive, os salários.

Além da qualificação normal para o exercício de determinada função, que hoje exige muito mais do que era exigido há uma década, para a mesma função (nível de escolaridade, conhecimentos de línguas, diversos programas de informática, experiência comprovada, perfil pró-ativo, etc.) o candidato tem que ser magro, pois o magro tem mais chance de admissão e salários maiores.

A pesquisa revela que a sociedade discrimina o obeso, rotula a obesidade como um desvio social, fruto da falta de autocontrole e não como uma doença a ser tratada. Certamente isto leva a um sentimento de rejeição.

Dados da Organização Mundial de Saúde dizem que mais de um bilhão de pessoas no mundo tem excesso de peso, podendo chegar a um 1,5 bilhão antes de 2015 e isto não se constitui problema só nos países ricos.

A obesidade está diretamente relacionada com a maior ingestão de sal, gordura, açúcar, no que se refere ao costume alimentar, associado à diminuição de atividades físicas, ao exercício de tarefas ou desempenho de profissões sedentárias, ao aumento do uso dos meios de transporte, aos avanços tecnológicos que auxiliam na execução de tarefas, modificação do tipo de lazer, que era mais ao ar livre, passando a se resumir à frente da televisão, do dvd, do videogame, provocando menos gasto de calorias.

Embora o resultado tenha sido aferido em pesquisa e saibamos que é real, é difícil de ser constatado, permanecendo velado e sendo sentido com intensidade por aquela pessoa que é alvo das ações discriminatórias.

A ditadura da beleza (porque o conceito é que só o magro é belo) invade não só o mercado da moda, mas o mercado de trabalho em geral. O obeso sofre a discriminação desde a infância, nos bancos escolares, nos relacionamentos, no acesso ao emprego e no exercício de determinadas funções, na prática de esportes (nem o “fenômeno” escapou).

É necessário incentivar alimentação saudável, prática de atividades físicas, acompanhamento médico e terapêutico em alguns casos, busca de esclarecimentos visando à manutenção da saúde, melhor rendimento nas atividades, aprimoramento da qualidade de vida, o que sem dúvida melhora a autoestima o que conduz o indivíduo a uma nova postura na sociedade, sobrepujando-se à discriminação que é alvo.


Fonte:

Departamento Pessoal – O que é e qual sua importância?

“O Departamento Pessoal é uma área especializada na gestão dos funcionários da empresa. Ele administra a folha de pagamento, férias, benefícios, atestados, marcação de ponto e passivos trabalhistas. O departamento pessoal é também encarregado principalmente das questões burocráticas relacionadas aos colaboradores, garantindo a correta emissão e gerenciamento de documentos.”

Ter uma empresa é um verdadeiro desafio, não é mesmo? Fazer a gestão dos colaboradores, controlar sua frequência, arquivar toda a documentação e garantir que as normas trabalhistas estão sendo cumpridas não é fácil. Para cuidar disso tudo, existe o Departamento Pessoal, setor que realiza a administração da mão-de-obra do negócio.

Ele é fundamental para garantir a qualidade dos processos e para manter a organização dos registros dos profissionais no empreendimento.

O DP, forma coloquial de se referir ao Departamento Pessoal, é uma área especializada na gestão dos funcionários da empresa. Ele gerencia a folha de pagamento, férias, benefícios, atestados, marcação de ponto e passivos trabalhistas.

Ou seja, o setor está encarregado principalmente das questões burocráticas relacionadas aos colaboradores, garantindo a correta emissão e gerenciamento de documentos. Dessa forma, há mais agilidade e eficiência no controle desses fatores. Além disso, ele é fundamental para o cumprimento de normas trabalhistas no empreendimento.

Funções do departamento pessoal?

O departamento pessoal cuida de uma série de tarefas burocráticas ligadas à mão de obra do negócio. Entenda melhor:

Documentação dos profissionais

Quando um candidato entra na empresa, existe uma documentação que deve ser emitida e recebida. O departamento pessoal se encarrega também dos contratos, anotações na carteira de trabalho e folha de ponto, sendo que ele realiza essas tarefas desde a admissão até a rescisão.

Isso significa que o setor é responsável por manter os papéis em ordem, garantindo a efetivação das normas trabalhistas e o respeito aos critérios definidos pelo governo. Isso permite que a sua corporação fique regularizada e que você evite passivos trabalhistas.

Acompanhamento de frequência

Seja o cumprimento da jornada, as horas extras, adicionais noturnos ou banco de horas, é fundamental que a organização gerencie bem a frequência do time. Se ela não fizer isso, podem aparecer irregularidades para realizar a gestão das remunerações e vários outros entraves, incluindo problemas na Justiça do Trabalho.

O DP tem a função de administrar as horas trabalhadas pelos colaboradores, fazendo os registros e montando as escalas de horários dos profissionais. Depois, todas essas ações são integradas com a folha de pagamento.

Folha de Pagamento

A folha de pagamento envolve uma ampla variedade de fatores, incluindo o salário, os benefícios, décimo terceiro e os recolhimentos de taxas como imposto de renda, contribuição sindical, INSS e FGTS. É papel do departamento pessoal gerenciar essas questões para garantir que os cálculos sejam feitos corretamente. Assim, os abatimentos seguem a norma estabelecida pelos órgãos federais.

Além disso, a gestão dos benefícios também é fundamental para o cálculo correto da folha. É preciso garantir que o profissional tenha os seus direitos assegurados e que o desconto feito sobre a remuneração esteja adequado às normas e dentro do que foi definido em contrato.

É muito comum em pequenas e média empresas que exista um escritório contábil externo contratado para processar a folha de pagamento, ou seja, para calcular os impostos e emitir as guias fiscais para as autoridades. Nesses casos, o DP normalmente abastece a Contabilidade com os dados sobre remuneração e descontos de cada colaborador (incluindo eventuais faltas e atrasos acusados na marcação de ponto), de modo que fique a cargo do contador calcular todos os impostos.

Gestão de licenças e férias

O departamento pessoal administra as licenças, atestados, afastamentos e acidentes de trabalho. Ele recebe esses arquivos, integra com a folha de pagamento e administra o contato com órgãos públicos.

Além disso, o setor também é responsável por acompanhar as férias dos colaboradores, realizando os registros necessários e monitorando se os períodos estão sendo cumpridos. Com isso, os profissionais podem ter suas férias no momento definido, sem imprevistos e erros nos prazos.

Representação junto a órgãos oficiais e fiscais

Em algumas empresas, o próprio DP emite diversos documentos para os órgãos fiscais, como a GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social), a Guia da Previdência, declarações da CIPA e do PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), entre outros. Além disso, ele é quem recebe e gerencia os registros de passivos trabalhistas.

Dessa forma, o setor de administração de pessoal é o principal representante da organização para o diálogo com instituições oficiais. Ele emite diversos arquivos que garantem a regularidade da situação da empresa.

Importância do Departamento Pessoal para a empresa?

O departamento pessoal é fundamental para a companhia porque ele é o principal responsável para que as leis trabalhistas sejam seguidas, evitando quaisquer passivos desnecessários.

Ele dá conta de um grande volume de documentos do empreendimento, colocando ordem nesses papéis. Seja qual for o tamanho da corporação, há muitos registros para cada colaborador e vários detalhes para serem acompanhados. Então, é fundamental ter uma área especializada para trabalhar com esses materiais.

O DP também media o contato da empresa com diversos órgãos públicos, emitindo guias e declarações fundamentais para a situação do empreendimento se manter regularizada. Dessa forma, é possível fiscalizar o cumprimento das normas e evitar um eventual processo trabalhista para a companhia.

E então, gostou de saber o que é departamento pessoal e a importância dele para a empresa? Se tiver dúvidas, sugestões ou quiser falar sobre sua experiência no assunto, deixe o seu comentário!


Fonte:

Comunicação Não Violenta – Marshall B. Rosenberg

“Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”

Nota: 8,00.

O livro é definido pela sua editora como um manual didático paras as pessoas com dificuldades de se fazer entender e de entender as pessoas num diálogo em qualquer tipo de circunstâncias. Obviamente, todos os que têm algum tipo de dificuldade de relacionamentos verão aqui, uma possibilidade de melhorar em muitos pontos. Mas calma que não é simples assim.

A metodologia utilizada pelo autor se diz voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Tal afirmação parte de um ponto de vista inusitado e muito coerente que se debruça sobre o modo de se comunicar das pessoas. É fato que muitos se comunicam de forma inadequada, mas também é verdade que muitos mais ainda, o fazem de forma inconsciente.

Portanto, tomar consciência da fala desproporcional é requisito básico para a leitura deste livro, pois pressupõe a busca de ajuda.

E, por falar em “buscar ajuda”, aqui reside outro ponto fundamental do livro, pois ele pretende ser declaradamente um manual de “auto-ajuda”. E, como sabemos, muitos têm bloqueios com esse tipo de conteúdo, por sentir dificuldade em admitir que precisa de ajuda. Mas a proposta do livro é justamente ajudar às pessoas a identificar em si mesmas, aquilo que se coloca como impeditivo de realizar o seu potencial.

Nesse contexto, a linguagem aqui utilizada busca ser didática, mas também – e, principalmente por isso – é demasiadamente branda, tornando a leitura sacal e podendo fazer com que muitos desistam do livro ao longo do processo de leitura.

No entanto, aqueles que estão certos de que podem ser beneficiados por mínimo que seja, certamente encontrarão formas de chegar ao final. Já outros, não terão a mesma paciência. Porém, este que vos escreve se encaixa no primeiro grupo e resistiu bravamente. O termo “bravamente” foi utilizado propositalmente para enfatizar que ninguém deve fazer qualquer coisa por sacrifício. Afinal, o que funciona para um não funciona necessariamente para todos.

Seja como for, é importante ter em mente que o livro sozinho não fará nada por ninguém, portanto, exige esforço de atenção e de compreensão daquilo que é essencial. Mais do que isso, para certificar-se de que esta no caminho desejado, o leitor deverá buscar feedback de pessoas em quem confia com vistas a confirmar as percepções que tem sobre si e sobre sua forma de dialogar.

Por isso, como tudo na vida varia conforme as circunstâncias, o maior desafio é o de aprender a interpretar a si próprio e sua forma de atuar nos ambientes em que interage, para assim, dar respostas mais ou menos apropriadas nas diversas situações do cotidiano.

Ao conseguir achar uma forma – o seu timing – de iniciar este aprendizado, perceberá que o livro começara a produzir os efeitos almejados.


Autor: Marshall B. Rosenberg;
Editora: AGORA;
Ano: 2006 (1ª Edição);
Idioma: Português;
Nº de Páginas: 288.

Competição X Colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [3]

“Parte Final”

Na realidade moderna, o modelo de mercado capitalista, ou seja, o modelo que faz circular com mais velocidade tudo aquilo que agrega valor capital e com menos velocidade aqueles produtos que têm pouca ou nenhuma importância monetária, dá ao instrumento das redes importância sem igual. Se você tomar por base a Lei de Darwin, então pode imaginar que o maior organismo vivo irá se sobrepor aos organismos de menor porte. Isso explica, em parte, a cadeia alimentar naturalizada pela necessidade de sobrevivência. Contudo, é possível observar que o mesmo conceito do darwinismo pode ser aplicado aos negócios. É o que chamamos de darwinismo empresarial.

Utilizando a mesma sequência lógica de raciocínio, no darwinismo empresarial, você pode observar as maiores empresas se sobrepondo às menores, em uma busca insana pela sobrevivência. A partir dessa realidade, colaborar em redes passou a ser a pauta do dia para os pequenos negócios, sobretudo no Brasil. Como você sabe, nem todos possuem tudo que querem; então, em determinado momento, alguém vai comercializar mais do que os outros, gerando concentração de riquezas. Isso parece um processo naturalizado no modelo capitalista de mercados. O que pode ser feito? Nossa reação ganha força nas redes colaborativas. Ou seja, não adianta mais somente o senso de redes, agora, é preciso que elas colaborem mutuamente.

Podemos citar várias formas de redes: associações, cooperativas, Arranjos Produtivos Locais (APLs), Redes de Negócios etc., mas o fundamental é a liga que essas diferentes formas possuem para dar vida à primeira motivação de quem as procura, ou seja: a sobrevivência.

As redes colaborativas dão importância de vida ao empreendedorismo no mercado. Esse mecanismo nada mais representa que uma capacidade humana muito relevante que, quando exposta a determinada necessidade, permite novas formas de fazer, reagindo ou antecipando o cenário dado. Como todo processo social, este não se apresenta de forma mais simples. O movimento de empreendedorismo se apresentou ao mundo moderno como instrumento alavancador de processos novos e descobridor de combinações e possibilidades pouco comuns até se reverberar em inúmeros desafios, acentuando diversos mecanismos na estrutura social dentre eles a empresa.

Com isso, temos o empreendedor de negócios, o empreendedor social, o empreendedor ambiental e assim por diante. Em outras palavras, o ser humano possui extrema facilidade adaptativa e o empreendedorismo é, sem dúvidas, o seu instrumento mais efêmero. Para ilustrar, convém lembrar Castells (2000), quando afirma que as transformações sociais são tão drásticas que se irrompem em um conjunto de decisões estratégicas particularistas e historicamente enraizadas de relações cada vez mais bipolarizadas (erradamente) entre a rede e o ser. Esse processo, de aspecto maniqueísta, desconfigura a possibilidade de avanços concretos representando quase uma alienação social, saindo do abstrato para o concreto, do universal para o particular.

Projetar uma resposta direta para definir empreendedorismo em rede talvez não seja de todo prudente neste momento, posto que apontamos apenas algumas noções introdutórias sobre esses dois conceitos de altíssima complexidade. Uma resposta direta também não seria interessante; nosso papel aqui é aflorar a discussão e o debate. Afinal, quem sabe não consigamos, juntos, nos convencermos de que o fenômeno da colaboração, quando associada

ao empreendedorismo, é um mecanismo importante para nossas novas demandas sociais, políticas, ambientais e institucionais?

Temos que admitir a necessidade de algumas ações de mobilidade social nesta emaranhada dinâmica pós-fordista trazida à tona pelo capitalismo moderno. Entre esses mecanismos, encontra-se o empreendedorismo de mercado.

Dentro do processo empreendedor, parece que a sociedade está sempre posta à competição da forma mais predadora possível, causando profundos efeitos negativos no seu tecido. Tal apologia à competição, que muitos chamam de empreendedorismo, dá valor apenas aos ganhadores, e, lembrando-se do darwinismo empresarial, esse valor se direciona apenas a alguns extratos da sociedade.

É preciso que predomine uma nova Economia, mais igualitária, mais solidária e, sobretudo, mais significativa como alternativa aos mais pobres ou aos pequenos. Talvez possamos alcançar parte desse esforço dando uma nova cara ao empreendedorismo. Mas como isso seria possível? Singer (2010) afirma que a saída é “a associação entre os iguais em vez do contrato entre os desiguais”.

Talvez um empreendedorismo solidário ao invés do competitivo ou de mercado contribua muito mais acentuadamente para esse louco processo de produção e consumo.

A condução de um projeto bem interessante de empreendedorismo juvenil de base tecnológica no Ceará permitiu fazer com que o jovem cearense pudesse criar “musculatura intelectual” e vencer os novos desafios (social, econômico e ambiental) do nosso Estado. De uma forma ou de outra, houve uma inversão da lógica dos seus planos de negócios, de modo que compreendessem que suas atividades empreendedoras, na sua cidade, teriam mais sucesso por seus impactos culturais e sociais do que pelo seu valor econômico. Trocando em miúdos, os jovens que, antes, eram vítimas do êxodo rural (realidade para a maioria dos jovens do semiárido cearense), agora, passaram a enxergar que, unindo forças, podem atender às demandas da sua própria localidade. Há um relato de um desses jovens que fazia planos de ir embora para a capital (Fortaleza), mas, depois de compreender sua importância na cooperativa incubada no projeto, acabou ressignificando sua identidade, cooperando com seus colegas e assumindo uma nova postura diante da sua realidade. Em outras palavras, neste caso exclusivo, contribuímos para uma nova interpretação de empreendedorismo

Perceba que o garoto deixou de ir para a capital, onde teria potencial de mercado muito maior, para ficar na sua região. Neste momento, ele preferiu a associação entre os iguais ao contrato entre os desiguais. Isso seria o novo tom do empreendedorismo. Caso contrário, estaremos reproduzindo meramente a ciranda do mercado. Isso lembra Paulo Freire, que cunhou uma expressão muito própria para este debate: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor”. Você pode substituir a palavra “educação” por “empreendedorismo” no texto do pensador para uma melhor compreensão destes conceitos.


Fonte:

Economia de Empresas. UniAteneu, 2019.
Autores:
-Rafael dos Santos da Silva
-Charlles Franklin Duarte.

Competição X colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [2]

Continuação:

Na realidade moderna, o modelo de mercado capitalista, ou seja, o modelo que faz circular com mais velocidade tudo aquilo que agrega valor capital e com menos velocidade aqueles produtos que têm pouca ou nenhuma importância monetária, dá ao instrumento das redes importância sem igual. Se você tomar por base a Lei de Darwin, então pode imaginar que o maior organismo vivo irá se sobrepor aos organismos de menor porte. Isso explica, em parte, a cadeia alimentar naturalizada pela necessidade de sobrevivência. Contudo, é possível observar que o mesmo conceito do darwinismo pode ser aplicado aos negócios. É o que chamamos de darwinismo empresarial.

Utilizando a mesma sequência lógica de raciocínio, no darwinismo empresarial, você pode observar as maiores empresas se sobrepondo às menores, em uma busca insana pela sobrevivência. A partir dessa realidade, colaborar em redes passou a ser a pauta do dia para os pequenos negócios, sobretudo no Brasil. Como você sabe, nem todos possuem tudo que querem; então, em determinado momento, alguém vai comercializar mais do que os outros, gerando concentração de riquezas. Isso parece um processo naturalizado no modelo capitalista de mercados. O que pode ser feito? Nossa reação ganha força nas redes colaborativas. Ou seja, não adianta mais somente o senso de redes, agora, é preciso que elas colaborem mutuamente.

Podemos citar várias formas de redes: associações, cooperativas, Arranjos Produtivos Locais (APLs), Redes de Negócios etc., mas o fundamental é a liga que essas diferentes formas possuem para dar vida à primeira motivação de quem as procura, ou seja: a sobrevivência.

As redes colaborativas dão importância de vida ao empreendedorismo no mercado. Esse mecanismo nada mais representa que uma capacidade humana muito relevante que, quando exposta a determinada necessidade, permite novas formas de fazer, reagindo ou antecipando o cenário dado. Como todo processo social, este não se apresenta de forma mais simples. O movimento de empreendedorismo se apresentou ao mundo moderno como instrumento alavancador de processos novos e descobridor de combinações e possibilidades pouco comuns até se reverberar em inúmeros desafios, acentuando diversos mecanismos na estrutura social dentre eles a empresa.

Com isso, temos o empreendedor de negócios, o empreendedor social, o empreendedor ambiental e assim por diante. Em outras palavras, o ser humano possui extrema facilidade adaptativa e o empreendedorismo é, sem dúvidas, o seu instrumento mais efêmero. Para ilustrar, convém lembrar Castells (2000), quando afirma que as transformações sociais são tão drásticas que se irrompem em um conjunto de decisões estratégicas particularistas e historicamente enraizadas de relações cada vez mais bipolarizadas (erradamente) entre a rede e o ser. Esse processo, de aspecto maniqueísta, desconfigura a possibilidade de avanços concretos representando quase uma alienação social, saindo do abstrato para o concreto, do

universal para o particular.

Projetar uma resposta direta para definir empreendedorismo em rede talvez não seja de todo prudente neste momento, posto que apontamos apenas algumas noções introdutórias sobre esses dois conceitos de altíssima complexidade. Uma resposta direta também não seria interessante; nosso papel aqui é aflorar a discussão e o debate. Afinal, quem sabe não consigamos, juntos, nos convencermos de que o fenômeno da colaboração, quando associada ao empreendedorismo, é um mecanismo importante para nossas novas demandas sociais, políticas, ambientais e institucionais?


Fonte:

Economia de Empresas. UniAteneu, 2019.
Autores:
-Rafael dos Santos da Silva
-Charlles Franklin Duarte.

Competição X colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [1]

“Com o capitalismo, vem a competitividade, presente em todas as áreas”

Precisamos aceitar o fato de que o capitalismo, por sua veia competitiva, tornou-se dominante, e isso, sob certa medida, tornou-se natural ou normal. Neste sistema, a competitividade deve alcançar todos os ambientes. Cada vaga de emprego deve ser disputada

até as últimas circunstâncias. Os produtos devem ser ofertados a todos e vendidos a quem possa pagar. O mesmo se aplica às vagas universitárias, pelas quais cada vestibulando disputa

como peso descomunal.

Singer (2010) lembra que este movimento pode ser bom a partir de dois pontos de vista: o primeiro é que a competição permite melhores escolhas aos consumidores, influenciando o preço. O segundo é que os melhores vencerão, pois aqueles que prestam melhores serviços ou produtos galgarão melhores espaços. Isso gera, necessariamente, um vencedor e um perdedor. Está aí, talvez, o principal problema deste modelo: uma verdadeira apologia ao vencedor, enquanto o perdedor é relegado à penumbra.

Isso vale para a empresa que prestou melhor serviço, mas vale também para o aluno que não conseguiu vaga no vestibular público, levando à falsa sensação de que os vencedores acumulam vantagens e os perdedores acumulam desvantagens. Para Singer (2010), isso produz profundas desigualdades. O autor argumenta que este modelo se encaminha (talvez sem saber) para um abismo. A saída para isso é a cooperação em vez da competição gratuita.

Esse pensamento não é assim tão distante. Por exemplo, você consegue imaginar qual a semelhança entre o Facebook, a Wikipédia e a primeira campanha presidencial de Barack Obama? É que todos funcionam, ou funcionaram, sob o sistema de colaboração. O Facebook espera que as pessoas associadas em seu sistema postem, voluntariamente, suas mensagens; a Wikipédia permite, por meio de plataforma aberta, que pessoas espalhadas pelo mundo

façam parte da construção dos seus bancos de dados; e não faltou quem atendesse aos chamados inéditos de um candidato à presidência da república dos Estados Unidos para doar quantias mínimas, mas suficientes para conduzir o primeiro presidente negro à Casa Branca.

Ao falar de sociedade, isso fica mais complexo ainda e carece de várias definições, mas é fundamental projetar ali as grandes transformações sociais, tecnológicas, econômicas, culturais, políticas etc. Rapidamente, saímos do modelo de produção artesanal e alcançamos a fase industrial, a revolução da tecnologia e do conhecimento e outros elementos que deram um tom confuso e transitório às formas de negociar, dominar e articular a dinâmica do mundo moderno que alcança a população de maneira multidimensionada.

Paralelo a isso, vimos o sistema capitalista se tornar perverso (in natura) com os excluídos e exigir crescente readaptação dos incluídos, que amplia e intensifica conflitos ao mesmo tempo em que dissemina mercados, negócios e mão de obra em um irreversível ciclo segmentado de poderes cada vez mais difusos. Tudo isso, quando analisado em conjunto, nos põe em uma única rota de sobrevivência resumida em um termo: redes de relacionamentos.

Continua…


Fonte:

  • Economia de Empresas. UniAteneu, 2019. Autores: Rafael dos Santos da Silva / Charlles Franklin Duarte.

Capitalismo selvagem – significado da expressão

“Homem primata, capitalismo selvagem”

A expressão capitalismo selvagem é um termo criado originalmente para se referir à fase do capitalismo na época da Primeira Revolução Industrial (cerca de fins do século XVIII). Naquela época, especialmente na Grã-Bretanha, camponeses empobrecidos vindo de um meio rural superpovoado e estagnado, não tinham outra alternativa senão trabalhar nas nascentes indústrias da época, criadas a partir das inovações tecnológicas que pipocavam a todo momento, em especial o tear mecânico ou ainda o motor a vapor.

Obviamente, neste cenário cheio de inovações, não havia nenhum regulamento ou disposição prevendo como se dariam as relações entre os donos de fábricas e seus empregados. Assim, as condições de trabalho desses primeiros empregados eram as mais desumanas possíveis, com um dia de trabalho de dezesseis horas ou mais, emprego de menores de idade, até mesmo crianças em ambientes insalubres, fechados e de risco de mutilações e doenças. Isto se dava não por falta ou pelo excesso de humanidade de qualquer um dos patrões, o que acontecia é que esta realidade de trabalho dava o máximo de retorno financeiro ao dono do empreendimento. Muitas vezes, os trabalhos nas fábricas não paravam, havendo turnos diurnos e noturnos, numa rotina de trabalho de 24 horas, que supria não só a Europa como boa parte do mundo com os novos produtos industrializados. Claro, este sistema não trazia vantagem nenhuma ao trabalhador, mesmo que fosse mais vantajoso de que aguardar por trabalho no campo. Esse sistema todo descrito deu origem ao termo capitalismo selvagem, onde a exploração ferrenha do rico empresário oprimia os pequenos trabalhadores, assim como na selva, os animais grandes impõem sua vontade aos pequenos.

Hoje, a locução “capitalismo selvagem” é utilizada para indicar um sistema capitalista de dimensões globais, onde ocorre concorrência ferrenha entre as multinacionais dominadoras de vários mercados ou até mesmo países, com o apoio de seus governos lenientes e corruptos, fruto da ausência de sustentabilidade do modelo capitalista dos dias de hoje. Exemplo perfeito deste conceito é o domínio que a Firestone, empresa do ramo da borracha industrial exerceu desde 1926 até bem recentemente dentro do território da Libéria, país africano, onde a mesma praticamente controlava o país.

Este segundo significado também é ligado a vários outros conceitos onde o ganho financeiro suplanta o desenvolvimento humano e do planeta como um todo. Assim, o conceito de capitalismo selvagem estará ligado a vários outros temas, como por exemplo a política dos países ricos, que exploram as riquezas da terra sem consideração a qualquer noção preservacionista ou auto-sustentável, ou a banalização da morte a favor do capital, ou da guerra pelo petróleo, pela venda de armas, pela manutenção de um estilo de vida luxuriante nos países desenvolvidos, a venda de alimentos industrializados com produtos cancerígenos, a utilização dos pesticidas, o superaquecimento do planeta, desmatamento, a morte pela fome e AIDS, a impunidade dos criminosos detentores de poder econômico ou político, e até mesmo a infância desvalida que acaba atraída para o tráfico de drogas e a criminalidade.


Fonte:

O que são recursos produtivos?

“Os recursos produtivos, ou fatores de produção, correspondem aos elementos utilizados nos processos produtivos de todos os tipos de bens necessários à vida material.”

Segundo os manuais de economia, os chamados recursos produtivos (ou fatores de produção) são elementos utilizados nos processos produtivos de todos os tipos de bens (mercadorias) necessários à nossa vida material. Dessa forma, referem-se aos chamados insumos (como o trabalho, a matéria-prima e o capital). Para Karl Marx, pensador do século XIX que produziu uma das mais importantes críticas à estrutura da sociedade capitalista, os recursos produtivos estariam divididos da seguinte forma no contexto de uma sociedade de classes: aos proletários (trabalhadores, operários) caberia o trabalho (recurso de pouco valor), isto é, sua força de trabalho é vista como recurso produtivo; enquanto que os meios de produção, como a fábrica, a máquina e o capital (recursos mais valiosos), estariam exclusivamente sobre o poder de uma classe dominante, a classe burguesa.

Assim, em linhas gerais, os principais recursos produtivos estão entre: trabalho, terra, matéria-prima, capital e capacidade de produção. Ao se iniciar pela questão da terra enquanto fator de produção, de maneira geral refere-se aos recursos naturais que dela podem ser extraídos. Logo, da terra dependem certas atividades, como extração de minérios (minério de ferro, cobre, estanho, ouro, prata, etc.), extração de petróleo, além é claro das mais diversas culturas agrícolas e da própria construção civil. Ou seja, enquanto insumo, ora a terra fornece matérias-primas naturais (petróleo e ferro, por exemplo) que apenas são extraídas pelo homem, ora ela contribui com seus nutrientes às plantações, sem se falar de sua necessidade física para a construção de casas, prédios, fábricas e outros empreendimentos. Daí seu valor econômico ser um dos maiores em termos de recursos produtivos. Logo, independente da natureza do ramo de atividade que tem a terra como meio de produção, vale dizer que os recursos provenientes são recursos escassos.

Outro fator de produção fundamental e que certamente sofreu e sofre transformações ao longo da história é o trabalho: esforço humano, físico ou mental (intelectual) para a produção de bens e serviços. Obviamente, enquanto fator de produção, o trabalho dispensa maiores explicações, pois, a despeito de estar entre os recursos produtivos de menor valor econômico, é certamente protagonista de qualquer modelo de produção. Afinal, é por meio do trabalho que o homem interage e transforma seu meio e a natureza (e, através de técnicas, obtém o que necessita para sua vida material). Seja no campo, colhendo frutos, seja na cidade, no chão da fábrica, o trabalhador está presente com sua força de trabalho, em maior ou menor grau de especialização. 

Como já citado, o próprio capital é um recurso produtivo, ou seja, um insumo necessário. O capital em si não se refere apenas à ideia de dinheiro corrente, mas a bens fabricados pelo homem para a produção de outros bens. É o que a economia chama de bens de capital, a exemplo de máquinas, tecnologia, ferramentas, computadores, estradas de ferro, portos, fábricas, etc. Segundo Nogami e Passos (2005, p. 13), tais instrumentos, entretanto, devem ser considerados como capital financeiro e não constituem riqueza, mas sim direito a ela. Não haverá aumento de riqueza na sociedade se esses direitos de papel (como próprio dinheiro, certificados, etc.) aumentarem sem que ocorra aumento correspondente de bens de capital (edifícios, equipamento, estoques, etc.). Finalmente, e não menos importante, mas muito ligado a esse último recurso apresentado, está a capacidade empresarial: refere-se à capacidade e à função do empresário no processo de produção, pois ele é quem organiza os demais recursos produtivos, investe, corre riscos e lucra, lançando mão de seus recursos financeiros, capacidade administrativa e empreendedora.

De fato, para o funcionamento do capitalismo, o investimento de capital pela classe burguesa (usando aqui uma terminologia de Marx e não o sentido pejorativo que a palavra adquiriu ao longo do tempo) em recursos produtivos ou fatores de produção é uma condição sine qua non, ou seja, sem a qual esse tipo de produção não se sustentaria. Mas uma observação deve ser feita enquanto ponderação acerca do capitalismo: a geração da pobreza, da exploração dos mais fracos, da desigualdade social consequente da má distribuição de renda e tantos outros problemas sociais são consequência direta do modo de produção capitalista. Dessa forma, um dos desafios contemporâneos está na tentativa de equacionar formas e caminhos para a promoção do crescimento econômico concomitantemente ao desenvolvimento social e também sustentável (do ponto de vista ambiental). Além disso, dentre os fatores de produção apresentados é certamente o trabalho, dado o aspecto social envolvido, que deve assumir a dianteira das preocupações de todos, pois ao trabalhador devem ser asseguradas, minimamente, boas condições de salário e de desempenho de suas funções no processo produtivo.


Referências:

PASSOS, C. R. M.; NOGAMI, O. Princípios de economia. 3.ed. São Paulo: Pioneira, 2001. 475p


Paulo Silvino Ribeiro
– Colaborador Brasil Escola
– Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
– Mestre em Sociologia pela UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
– Doutorando em Sociologia pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas

Economia #3 – O setor público enquanto agente econômico

“O agente público, segundo Troster e Mochón (2002), se ramifica segundo suas atividades públicas e privadas. Como você percebeu, por mais que o agente seja público, ele pode desempenhar algumas ações próprias do setor privado. Quando isso ocorre, espera-se que a ação esteja envolvida com o setor produtivo e a organização, apesar de ser estatal, deve ser regida como se fosse uma empresa.”

É o caso do Banco do Brasil, por exemplo, cujo capital tanto é público quanto privado e cujo comportamento mercadológico se dá a partir de estratégias destinadas ao setor privado. Na outra linha de ação, estão as entidades cujo foco se concentra em ações públicas. Esses agentes se dividem em unidades territoriais, previdência social e administração central. Atividades de políticas públicas, regulação de mercado ou fiscalização são exemplos de ações neste campo do setor.

É importante que você se lembre de que o setor público deve se preocupar com os efeitos relacionais entre as diversas sociedades. Isso ocorre quando Bernardes (1993) observa que o ser humano percebeu que as tarefas simples, como a caça, seriam mais eficientes se fossem praticadas coletivamente, o que fez com que surgissem as primeiras associações de pessoas baseadas na colaboração (ou sinergia) mútua.O Setor Público não é somente o Estado-nação como era visto logo após a Segunda Guerra Mundial. Ele é dividido em esferas de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) e, em países como o Brasil, é dividido em três níveis de Governo (Federal, Estadual e Municipal).”

O setor público é o agente econômico mais influente dentre os que você conheceu até agora. Na atual conjuntura, ele é quem direciona o comportamento das famílias e das empresas por meio de políticas públicas, compensatórias, fiscais e diversos outros instrumentos legais.

Para Troster e Mochón (2002), é comum encontrar, na sociedade moderna, uma dada configuração política que realiza funções fundamentais para a manutenção do contrato social desenhado por Rousseau. No século XIX, a ética liberal baseava-se na expressão francesa “deixe estar-deixe fazer” (Laisses faire), cujo principal precursor foi o inglês Adam Smith, com o livro A riqueza das nações. Esse clássico afirma que há uma mão invisível que regula o mercado, portanto, não carecendo de leis regulatórias. Esse sistema entrou em colapso no fim da segunda década do século XX; então, foi proposto o estado do bem-estar social, sendo o agente público o grande regulador do sistema geral.

Suas tentativas são voltadas principalmente para coordenar e regular mercados, via agências de regulação. Além disso, pretendem promover o desenvolvimento sustentável por meio de objetivos gerais de crescimento econômico, regulação fiscal, estabilidade de preços, controle urbano e distribuição equitativa de renda nominal. Com isso, se busca proporcionar uma cesta de bens, produtos e serviços ao tecido social cujo custo não pode ser superior ao necessário para fornecer.

Quando analisamos o nível coletivo, nos aproximamos das referências de sociedade e discutimos necessidades de transporte ou segurança pública. Deste conceito, derivam outros elementos importantes que acompanham o comportamento humano ao longo de sua evolução, como a hierarquização, a especialização das tarefas, a divisão do trabalho e a necessidade de institucionalizar a ação.

Esses mecanismos concorrerão para o surgimento das divisões de classes como as tipificadas em “A”, “B” e “C” e, consequentemente, servirão de base para definir quem terá acesso ou não a determinados bens. É comum que você espere que a especialização defina esse processo, ou seja, quanto maior for a especialização do indivíduo, maiores serão as suas chances de acessar às cestas de produtos destinadas à classe “A”. O inverso também se aplica: quanto menor for a sua especialização, mais reduzidas serão as suas chances de acessar às mesmas cestas de produtos. Isso define, em última instância, quem será rico e quem será pobre. Quem necessitará de políticas públicas compensatórias e quais serão as características de cada uma dessas ações.

Contudo, Bernardes (1993) chama a atenção de um elemento neste processo que é perigoso e carece de discussão. Trata-se da especialização, que visa modelar a mão de obra e, se lastreada, pode reduzir seu poder de barganha. Isso ocorre em parte como efeito colateral em função da necessidade da especialização. Perceba: se uma determinada sociedade possui poucos especialistas em uma determinada área, o valor da mão de obra dele será relativamente alta. Caso exista ocorrência de muita mão de obra especializada em determinada área, o valor a ser pago àquele tipo de profissional será relativamente reduzido em função da sua alta oferta.

Isso pode significar um risco para o trabalhador: o de se especializar em profissões muito difundidas ou que exigem pouco tempo de estudo. Geralmente, as profissões que exigem maior tempo de estudo são aquelas que proporcionam maior remuneração, pois há maior dificuldade em manter indivíduos se especializando por um período longo. É o caso de médicos, engenheiros e pilotos de avião comercial.


Fonte:

  • Economia de Empresas. Rafael dos Santos da Silva /Charlles Franklin Duarte.  (UniAteneu. 2017)

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