Linguagem #6 – O segundo Wittgenstein e a linguagem como condição de possibilidade…

Entramos na segunda fase de Wittgenstein. O itinerário por nós percorrido até aqui é de fundamental importância para que possamos compreendê-la, pois é contrapondo-se suas duas fases que se torna possível chegar a um entendimento acerca das suas Investigações. Nesta fase, Wittgenstein assume uma perspectiva de frontal oposição em relação à tradição, que tem sua última expressão justamente com o Tractatus Logico-Philosophicus, sua obra anterior. O cerne de seu pensamento permanece o mesmo; o que muda, entretanto, é a perspectiva.

“[…] Wittgenstein desenvolve seu pensamento na segunda fase como uma crítica radical à tradição filosófica ocidental da linguagem, cuja expressão última havia sido precisamente o Tractatus. Em suma, sua obra da segunda fase encontra-se em fundamental oposição com a da primeira, mesmo que o problema central permaneça o mesmo.”[1]

Wittgenstein passa por mudanças profundas que o levam às Investigações Filosóficas, esta que é sua obra de maturidade. Não acredita mais ser possível a existência de uma linguagem através da qual se pudesse exprimir a realidade de uma forma lógica e absoluta. Descobriu que a linguagem, em sua prática cotidiana, manifesta-se cheia de imprecisões; então, viu-se constrangido a repensar seu próprio pensamento, o que teve como consequência a refutação de si próprio de maneira radical.

Nessa fase, Wittgenstein pretende acabar com a concepção individualista da consciência e, consequentemente, com o dualismo epstemológico-antropológico da tradição ocidental. O homem, pensado como consciência individual, é pelo filósofo em pauta posto num plano secundário, pois este compreende que, no processo linguístico, a intersubjetividade é condição de possibilidade de realização da própria linguagem; a busca por um elemento que forneça significação às palavras encontra repouso no fato de o filósofo haver vislumbrado que é o uso da palavra, no contexto em que é empregada, que determina sua significação. A internalização desse sentido de uso da palavra é, para Wittgenstein, a ponte entre as diversas subjetividades.

‘Ele vai situar o homem e seu conhecimento no processo de interação social, o que vai levar, posteriormente, não só à consideração da relação entre conhecimento e ação, linguagem e praxis humana, como também à consideração explícita do papel da comunidade humana na constituição do conhecimento e da linguagem humana […]”[2]

Wittgenstein critica veementemente o essencialismo da tradição filosófica que ajudou a forjar. Para ele, não é mais admissível que dada forma de linguagem seja absolutizada como paradigma sobre todas as outras. Essa seria a causa de uma ilusão metafísica que induz ao erro de se crer num significado próprio e específico para cada palavra. Como vimos acima, o significado das palavras se dá por seu uso, de modo que pode variar conforme as circunstâncias. “Para o segundo Wittgenstein, tal ideal não passa de um mito filosófico. Um ideal de exatidão completamente desligado das situações concretas do uso da linguagem carece de qualquer sentido.”[3]

O filósofo propõe, assim, uma espécie de abandono de todo o aparato lógico-formal ideado pelo próprio homem, o que equivale a conceber a linguagem humana de forma distinta da até então realizada. A linguagem, enquanto exigência a ser satisfeita para a construção do conhecimento humano, deve ser tratada sob uma perspectiva mais ampla e isso significa considerar sua forma e seus aspectos de um modo geral, não apenas como faziam os gregos com suas inclinações teleológicas, que reduziam a totalidade das coisas àquilo a que elas supostamente tendiam, ou seja, para sua finalidade. Conforme Oliveira: “A teoria objetivista da linguagem tem, pois, caráter reducionista, uma vez que reduz todas as funções da linguagem a uma única.”[4]


[1]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 117.

[2]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 132.

[3] Ibid., p. 131.

[4] Ibid., p. 127.


Links:

Linguagem #5 – O primeiro Wittgenstein e a função designativa da linguagem

Wittgenstein é um dos principais herdeiros do pensamento aristotélico. Tendo, em suas obras, abordado exclusivamente a linguagem, teve a oportunidade de ampliar conceitos fundamentais de Aristóteles que tratam da lógica e que se aplicam à linguagem. Propôs-se, assim, a uma nova sistematização do ato de predicar o real. Admitiu os erros da tradição e partiu em busca de superá-los.

Em sua primeira fase, pensa, a partir da relação entre linguagem e pensamento, uma estrutura para o mundo e, com ela, uma forma de expressá-lo. Idealiza um conceito no qual a significação está condicionada à associação a outros conceitos, ou seja, a significação só existe dentro de um contexto.

“[…] para o Wittgenstein do Tractatus, o sentido de uma frase é o fruto da associação das significações de seus elementos. O que há de novo aqui é que o elemento só tem significação enquanto elemento, isto é, enquanto membro de uma frase e não mais independente dela como era antes.”[1]

Supera, na tradição, a noção de que o mundo seja a totalidade das coisas, instituindo como categoria fundamental de seu pensamento a do fato, o que faz com que, desse modo, o mundo seja a totalidade dos fatos. Esclarece-se que, aqui, fato deve ser entendido como o subsistir de um estado de coisas, sendo este, por sua vez, a forma como se configuram os fatos dentro de um processo. O filósofo diferencia fato e estado de coisas como sendo um referente a algo que ocorre, já o outro, referente a algo que pode ocorrer.

“A categoria fundamental, pois, para a expressão do mundo é a categoria do fato (Tatsache). Ora, Wittgenstein distingue essa categoria da categoria de ‘estados de coisas’ (Sachverhalt). A diferença fundamental entre ambos é, como interpreta muito bem Stenius, que o ‘estado de coisas’ se refere unicamente ao conteúdo descritivo das frases, enquanto fato se refere a sua realidade; usando as expressões de Stegmuller, o fato diz respeito a algo que realmente ocorre, enquanto o estado de coisas representa, apenas algo que possivelmente pode ocorrer.”[2]

Wittgenstein fala de um isolamento ontológico dos elementos fundamentais que trata das distinções entre estados de coisas atômicos e estados de coisas complexos, sendo estes também chamados de situações. Isso dentro da noção de que as informações chegam a nós por meio dos estados de coisas e a estrutura das situações é de natureza lógica. Idealiza um conceito chamado espaço lógico, para abordar da estrutura da totalidade dos estados de coisas; esse recurso serve para elucidar a diferença entre o mundo real e o mundo possível. O autor diz que fazemos figurações do mundo e isso é fundamental para nosso estudo, pois daí decorrem dois fatos: primeiro, a transformação do mundo em pensamento e, segundo, a expressão linguística do mundo, ou seja, a conversão deste em frases. Sobre isso, diz Oliveira:

“As informações do mundo nos vêm sempre por meio dos estados de coisas, e a estrutura das situações é de natureza lógica. Com a ajuda do espaço lógico, Wittgenstein fala da estrutura da totalidade dos estados de coisas embora os estados de coisas, quanto ao conteúdo sejam sempre isolados. E é por isso que esse conceito, como diz Stegmuller, serve para elucidar a diferença entre o mundo real e o mundo possível.”[3]

“[…] Nosso mundo real é apenas um ponto no espaço lógico onde são pensáveis outros pontos ou outros mundos possíveis. Neste espaço estão os fatos que constituem o mundo real, mas poderiam estar outros, pois é possível pensar outras configurações de objetos.”[4]

Nesse raciocínio, Wittgenstein propõe o isomorfismo para demonstrar, a partir das correspondências, o fato de que, quando alguém vê algo ocorrer e, ao vê-lo, tenta comunicá-lo a outrem, procura fazê-lo de uma maneira que represente o ocorrido como tal. Assim, declara a existência de dois mundos: o dos fatos e o dos pensamentos. Afirma que deve haver identidade entre o primeiro (o que ocorreu) e o segundo (a figuração do ocorrido). A teoria do isomorfismo põe em primeiro plano a questão da verdade, que Wittgenstein pretende resolver com o conceito de forma lógica, que, num discurso, nada mais é do que a coerência entre o fato e o que ele figura. A forma lógica é, portanto, o elemento regulador de relações entre o mundo dos fatos e o dos pensamentos. Desse modo, a verdade seria, então, o produto dessa relação (desde que esta se realize dentro dos critérios acima mencionados). A figuração de que fala Wittgenstein

“Trata de explicar a correspondência entre mundo e pensamento (linguagem). Ora, para Wittgenstein tal correspondência só é possível quando ambos os pólos têm algo em comum, ou seja, a forma de afiguração. Essa identidade, que permite a correspondência, é a ‘forma lógica’, que Wittgenstein determina como a forma da realidade.”[5]

O critério que Wittgenstein utiliza para fundamentar a teoria da figuração é a estrutura do mundo, que põe em relação com a forma da figuração. A figuração pode assumir qualquer forma de realidade, desde que haja correspondência entre elas. Essa correspondência implica uma identidade lógica entre o fato e o que ele afigura. Sendo o pensamento o meio lógico para a realização dessa transição, pode-se dizer que ele é a proposição significativa dos fatos, enquanto a linguagem é o meio pelo qual predicamos algo a respeito do mundo. De fato, “‘o pensamento é a proposição significativa’ e a linguagem se refere diretamente ao mundo objetivo. Trata-se, portanto, de dois fatos fundamentais: o mundo como fato e a frase como fato, o qual expressa o pensamento do mundo”[6].

O sistema do primeiro Wittgenstein está dividido em três conjuntos, os quais contêm a forma da linguagem. O conjunto das frases elementares é o dos signos proposicionais, no qual está contida a expressão do pensamento. A frase elementar é a unidade de significação em que está a representação do fato, sendo considerada, ela própria, também um fato. O conjunto das frases complexas é aquele no qual está incluída a estrutura lógica da linguagem, em que, precisamente, processa-se o fenômeno da figuração. A forma lógica, que é o elo entre a figuração e o figurado, tem a propriedade de figurar a realidade, entretanto não pode afigurar aquilo que há de estruturante entre ela e o fato, isto é, a realidade. O conjunto das frases decisivas é o que abrange a unidade de sentido do sistema linguístico de Wittgenstein. Esse conjunto se refere aos anteriores na medida em que verifica o sentido das frases neles produzidas.

“Ter sentido para uma sentença significa para Wittgenstein ser verdadeira ou falsa. Toda sentença possui dois pólos que constituem seu sentido, isto é, o pólo da verdade e o pólo da falsidade. O valor de verdade não é atribuído, posteriormente, ao sentido, mas o sentido mostra-se precisamente no poder ser verdadeiro ou falso.”[7]


[1] Ibid., p. 97.

[2] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 98.

[3] Ibid., p. 99-100.

[4] Ibid., p. 101.

[5]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 102.

[6] Ibid., p. 107.

[7]jOLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 111.


Links:

Linguagem #4 – Wittgenstein: O homem, a obra e o tempo.

Na obra Investigações Filosóficas, que corresponde à segunda fase de seu pensamento, Wittgenstein abre infinitas possibilidades para a linguagem. Num ato improvável, dá uma completa reviravolta linguística ao refutar a grande obra de sua vida, o Tractatus Logico-Philosophicus, e, com isso, toda a tradição filosófica ocidental. Não significa que, agindo assim, tenha chegado a negá-la, mas que chegou a restringir o campo de abrangência de categorias fundamentais ali ideadas. Neste estudo, pretendemos esmiuçar as suas Investigações Filosóficas na tentativa de adentrar seu pensamento para, assim, obter esclarecimentos indispensáveis ao conhecimento da linguagem humana; “o que ela é?”, “como funciona?” e “como se aplica?”. Nesse sentido: “Wittgenstein não vai negar o caráter designativo da linguagem, mas vai rebelar-se fortemente contra o exagero da tradição – posição assumida também no Tractatus – de ver na designação a principal e até mesmo a única função da linguagem”[1].

Investigações Filosóficas é uma obra construída em meio a conturbações existencialistas, políticas, econômicas e sociais. O período compreendido entre os anos de 1939 e 1945, somando-se ao que se segue após a guerra, foi de rivalidade em meio às nações, crise, terror, ceticismo e desespero entre as pessoas. O fato de haver presenciado duas grandes guerras e participado ativamente delas influenciou, sem dúvida, a visão de mundo de Wittgenstein. Isso se reflete de forma muito clara nessa obra e se pode avaliar pela verificação do abandono de suas antigas crenças e da radical mudança de perspectiva no que se refere ao núcleo de seu próprio pensamento, conforme podemos constatar:

“Wittgenstein, depois de ter abandonado a filosofia por coerência com o Tractatus, passou por uma lenta e dolorosa transformação espiritual desde mais ou menos 1930 até o fim de sua vida, e as Investigações Filosóficas são propriamente, a expressão desse itinerário de seu pensamento.”[2]

Segundo a obra em questão, é preciso se desfazer das superstições adquiridas com a lógica linguística. A sistematização gramatical criara uma espécie de ilusão metafísica que nos faz crer numa linguagem ideal em que seja possível a existência de uma superestrutura lógica e formal, na qual possamos ancorar nossas crenças e saberes, como sendo esta um paradigma universal e absoluto, o que para o segundo Wittgenstein não passa de um engano. “‘A linguagem (ou pensamento) é algo único’ – isto se revela como uma superstição (não erro!) produzida mesmo por ilusões gramaticais”[3].

O segundo Wittgenstein faz críticas severas à tradição. Reporta-se a ela de maneira contundente, expondo suas falhas e admitindo suas contradições. Contrariamente ao que prega a tradição, Wittgenstein afirma indiretamente que a linguagem, propriamente dita, é constituída pela totalidade dos jogos de linguagem, que, por sua vez, são as diversas formas e situações em que um fato pode se apresentar. Para esclarecimento, ressaltamos que essas formas e situações correspondem ao que Wittgenstein chama de formas de vida ou contextos. Senão vejamos: “Jogada a linguagem dentro da situação, Wittgenstein percebe que a diferente linguagem faz parte da totalidade dessa situação de vida humana, que ela é parte da atividade humana, ou, em sua expressão, uma forma de vida do homem.”[4]


[1] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 119.

[2] Ibid., p. 117.

[3] WITTGENSTEIN, Ludwig, op. cit., § 110. p. 54.

[4] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 132.


Links:

Linguagem #3 – A Dimensão do Pensamento Wittgensteiniano

O objetivo deste capítulo é introduzir o leitor no contexto de Investigações Filosóficas, de Wittgenstein, consiste em um percurso que parte do homem, reflete sobre sua época e adentra os termos da obra propriamente dita. Com isso, pretendemos adquirir uma visão panorâmica desta relativamente às circunstâncias em que foi gerada. No trajeto que agora iniciamos, buscaremos a apropriação dos aspectos temporais e dos elementos filosóficos que levaram nosso filósofo a escrever esse livro. Isso, principalmente, se o considerarmos em contraposição ao pensamento filosófico tradicional, cuja última expressão foi exatamente o Tractatus Logico-Philosophicus[1], penúltima obra do autor. Procuraremos entender a nova interpretação que Wittgenstein dá aos fenômenos cotidianos por meio da práxis linguística, buscando, na medida do possível, interagir com o autor no intuito de perceber as influências e os aspectos contextuais que permeiam toda essa obra. Faremos uma investigação que tentará atravessar o labirinto das complexas relações linguísticas, com vistas a poder visualizar, ainda que de forma aproximada, a estrutura ontológica da realidade até chegar à origem do conhecimento humano.


[1] OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. p. 117.


Links:

Linguagem #2 – Introdução

A tradição filosófica ocidental sempre concebeu a linguagem como um instrumento de designação do real, no que podia ter razão até certo ponto, pois, conforme Wittgenstein, com a linguagem, realmente se podem descrever coisas, objetos ou fatos. No entanto não é apenas isso que se pode fazer com ela. Para nosso filósofo, a linguagem não é mero instrumento de descrição dos fenômenos da realidade. Com ela, pode-se fazer muito mais. Wittgenstein percebeu isso e, através da obra supracitada, pretende retirar o fenômeno linguístico dessa compreensão, que pode ser considerada, por si só, defasada.

Desde os gregos, a linguagem foi tomada em sua acepção designativa. No livro Tractatus Logico-Philosophicus, de Wittgenstein, esse caráter foi absolutizado como a única forma de concepção da linguagem, o que teve como consequência a transformação desse modo de uso da linguagem em um paradigma de uma linguagem segundo o qual fosse possível exprimir todos os fenômenos da realidade pela simples descrição. Como último representante dessa corrente de pensamento, Wittgenstein ratifica-o ao propor um modelo de linguagem exata, de acordo com os fundamentos da lógica, ainda que preservando seu caráter fundacionista.

O pensamento filosófico de Wittgenstein está dividido em duas fases bem distintas, as quais, comumente, denominamos de “primeiro Wittgenstein”, na qual a obra Tractatus Logico-Philosophicus está compreendida, e de “segundo Wittgenstein”, na qual se situa a obra Investigações Filosóficas. Essa distinção pode ser considerada como decorrente da profunda transformação espiritual operada na vida do autor e que se reflete de modo muito claro em seu filosofar. Wittgenstein abandona suas crenças anteriores e se coloca em radical oposição à tradição ocidental. Essa reviravolta, que pode ser considerada em todos os aspectos de sua vida, tem como consequência a quebra do paradigma segundo o qual a linguagem seria meramente designativa. Para o filósofo, isso seria a conversão de um único jogo de linguagem como sendo o paradigma de uma linguagem ideal[1].

Após essa radical transformação, Wittgenstein passa a orientar suas investigações para uma nova perspectiva de conhecimento. Com a relativização da linguagem, sua função descritiva passa a ser considerada tão somente como um entre infinitos jogos linguísticos. Por outro lado, essa mesma linguagem que utilizamos para nos comunicar corriqueiramente se eleva ao status de condição de possibilidade do conhecimento humano, coisa que não se poderia dizer quando considerada sob a perspectiva tradicional e mesmo no Tractatus. O que Wittgenstein faz é perceber que, fazendo parte do conjunto das ações humanas, a linguagem não poderia servir apenas para descrever os objetos, visto que é por meio dela que conhecemos os fatos e é com ela que podemos falar sobre eles. A linguagem é, pois, uma prática que se distingue das outras por constituir-se como forma de representação de todas as práticas, mas que nem por isso pode delas ser desvinculada.


[1] Wittgenstein, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Nova Cultural, 1989. § 592, 593. p.

Links:

Linguagem #1 – Resumo do Estudo

Com este trabalho monográfico, pretendemos tratar do fenômeno da linguagem com base nos escritos da obra Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein. Fenômeno este, concebido pelo filósofo como resultado dos processos humanos de interação social. Nesse sentido, buscamos situar o referido fenômeno no conjunto das atividades humanas realizadas em comunidade de modo que possamos, através da consciência de sua prática, colocá-la no âmbito das coisas imanentes. O fenômeno da linguagem é analisado sob o prisma das relações que os homens formam entre si e relativamente ao meio no qual estão integrados. Os caminhos trilhados por Wittgenstein na obra supra mencionada orientam-nos para uma nova concepção da linguagem humana. Para o filósofo, essa linguagem é fruto de nossa práxis cotidiana, a qual engendra os mecanismos de comunicação e de troca de experiências, os quais participam da totalidade de nosso conhecimento. Essa linha de raciocínio nos leva ao consequente descobrimento de uma linguagem que se impõe como condição de possibilidade da realização do conhecimento humano enquanto tal, uma vez que, sendo parte do conjunto das atividades humanas, é realizada na medida em que se pratica uma atividade. Dessa forma, concluímos que as palavras adquirem significação mediante o uso que delas é feito no conjunto da linguagem humana, sendo, portanto, resultado do processo de socialização do homem.

Palavras-chave: Linguagem. Conhecimento. Reviravolta.


Links:

Linguagem ## – Estudo – Apresentação

A linguagem é a forma através da qual se dá – assim como nos sistemas de informática – a configuração de todos os mecanismos de construção de simbolismos, significados, fala e escrita, dos quais nos utilizamos para nos comunicar de forma intra e extra-cultural, com animais e até com as máquinas.

Assim, visando contribuir com entendimentos que ajudem a compreender e dominar para melhor interagir nos nossos infinitos processos de interação, a partir deste e, pelos próximos 15 posts, apresento o artigo do estudo realizado como requisito para conclusão da Graduação em Filosofia (Licenciatura Plena), pela Universidade Estadual do Ceará-UECE, sob orientação da Professora Dra. Cristiane Maria Marinho, cujo título é “WITTGENSTEIN E O USO DA PALAVRA NO USO DA LINGUAGEM”.


Dedicatória:

"Dedico esta obra à minha mãe, Maria Adaíce, por haver-me mostrado, com toda a simplicidade, o caminho para uma vida digna, construída pela força do trabalho."

Jornada eSocial#119: encerramento

Parte#117

É com muita alegria que encerro a #JornadaeSocial, projeto que iniciamos em 16 de agosto de 2018 e com o qual assumimos o compromisso de estudar e de compartilhar todos os aprendizados adquiridos especialmente com os profissionais da área de Departamento Pessoal / Administração de Pessoas, mas também, com todos os interessados no tema. Após 118 posts falando sobre eventos, tabelas e ambiente eSocial, para o encerramento – que ocorre hoje – preparamos algumas dicas importantes:

RECOMENDAÇÕES FINAIS:

  • Muitas empresas, especialmente as com faturamento igual ou superior a 78.000.000,00, já estão avançadas na implantação do eSocial, mas as pequenas e microempresas ainda tem muito por fazer, portanto não perca mais tempo, reuna-se com os responsáveis pelas áreas impactadas na sua empresa e trace um plano de ação;
  • Acesse diariamente o Portal do eSocial e mantenha-se atualizado sobre todas alterações e ajustes realizados pelo Governo Federal;
  • Leia o manual do eSocial e analise os layouts e anexos;
  • Busque formar ou participar de uma equipe multidisciplinar com pessoal das áreas impactadas (RH, SESMT, Jurídico, Fiscal, TI, etc.;
  • Em quaisquer ambientes empresariais, a melhor forma de controle das informações do eSocial é no sistema. Evite controles paralelos;
  • Compartilhe todo o conhecimento acumulado através das suas práticas, com aqueles que ainda não as detêm;
  • Considere o eSocial como uma oportunidade de desenvolver inteligência sobre o tema para você e para a sua empresa.

Sucesso a todos!

Jornada eSocial#118: Evento S-5011 [2]

Parte#117

Dando ao detalhamento do S-5012, evento através do qual serão transmitidas as informações de IRRF CONSOLIDADO POR CONTRIBUINTE, hoje falaremos das sua aplicações e processos relacionados:

INFORMAÇÕES A SEREM RECEBIDAS:

  • Indicativo do período de apuração;
  • Número do recibo do arquivo que gerou o retorno;
  • Informações consolidadas do IRRF por código de receita.

PROCESSOS RELACIONADOS:

  • Fechamento de competência da Folha de Pagamento;
  • Encargos sobre a Folha de Pagamento.

CONDIÇÕES A SEREM SATISFEITAS:

  • Conferência periódica da Folha de Pagamento.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

  • Evento que serve de base para a DCTFWeb com relação aos valores recolhidos a título de IRRF.

Jornada eSocial#117: Evento S-5011 [1]

Parte#116

Finalmente chegamos ao último evento da nossa #JornadaeSocial. Hoje iniciamos o detalhamento do S-5012, evento através do qual serão transmitidas as informações de IRRF CONSOLIDADO POR CONTRIBUINTE. Como de praxe, começaremos pelo conceito e funcionalidades:

CONCEITO:

  • Tal como o anterior, este evento tem natureza de “retorno” das informações prestadas pelas empresas ao ambiente do eSocial. No caso, retornará informações prestadas através dos eventos S-1299 e S-1295;
  • O retorno de dará na forma de totalização dos valores de cada tipo de retenção do IRRF, identificado pelos códigos das receitas que foram informados individualmente para cada trabalhador no evento S-5002.

PRAZO DE ENVIO:

  • O retorno ocorre quando o evento de fechamento ou de contingência são transmitidos e validados pelo eSocial.

QUEM DEVE ENVIAR:

  • O ambiente nacional do eSocial. O retorno é gerado automaticamente, sempre que houver dados a criticar.

PRÉ-REQUISITO:

  • Validação do evento S-1299;
  • Validação do evento S-1295 (se utilizado).