Competição X colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [2]

Continuação:

Na realidade moderna, o modelo de mercado capitalista, ou seja, o modelo que faz circular com mais velocidade tudo aquilo que agrega valor capital e com menos velocidade aqueles produtos que têm pouca ou nenhuma importância monetária, dá ao instrumento das redes importância sem igual. Se você tomar por base a Lei de Darwin, então pode imaginar que o maior organismo vivo irá se sobrepor aos organismos de menor porte. Isso explica, em parte, a cadeia alimentar naturalizada pela necessidade de sobrevivência. Contudo, é possível observar que o mesmo conceito do darwinismo pode ser aplicado aos negócios. É o que chamamos de darwinismo empresarial.

Utilizando a mesma sequência lógica de raciocínio, no darwinismo empresarial, você pode observar as maiores empresas se sobrepondo às menores, em uma busca insana pela sobrevivência. A partir dessa realidade, colaborar em redes passou a ser a pauta do dia para os pequenos negócios, sobretudo no Brasil. Como você sabe, nem todos possuem tudo que querem; então, em determinado momento, alguém vai comercializar mais do que os outros, gerando concentração de riquezas. Isso parece um processo naturalizado no modelo capitalista de mercados. O que pode ser feito? Nossa reação ganha força nas redes colaborativas. Ou seja, não adianta mais somente o senso de redes, agora, é preciso que elas colaborem mutuamente.

Podemos citar várias formas de redes: associações, cooperativas, Arranjos Produtivos Locais (APLs), Redes de Negócios etc., mas o fundamental é a liga que essas diferentes formas possuem para dar vida à primeira motivação de quem as procura, ou seja: a sobrevivência.

As redes colaborativas dão importância de vida ao empreendedorismo no mercado. Esse mecanismo nada mais representa que uma capacidade humana muito relevante que, quando exposta a determinada necessidade, permite novas formas de fazer, reagindo ou antecipando o cenário dado. Como todo processo social, este não se apresenta de forma mais simples. O movimento de empreendedorismo se apresentou ao mundo moderno como instrumento alavancador de processos novos e descobridor de combinações e possibilidades pouco comuns até se reverberar em inúmeros desafios, acentuando diversos mecanismos na estrutura social dentre eles a empresa.

Com isso, temos o empreendedor de negócios, o empreendedor social, o empreendedor ambiental e assim por diante. Em outras palavras, o ser humano possui extrema facilidade adaptativa e o empreendedorismo é, sem dúvidas, o seu instrumento mais efêmero. Para ilustrar, convém lembrar Castells (2000), quando afirma que as transformações sociais são tão drásticas que se irrompem em um conjunto de decisões estratégicas particularistas e historicamente enraizadas de relações cada vez mais bipolarizadas (erradamente) entre a rede e o ser. Esse processo, de aspecto maniqueísta, desconfigura a possibilidade de avanços concretos representando quase uma alienação social, saindo do abstrato para o concreto, do

universal para o particular.

Projetar uma resposta direta para definir empreendedorismo em rede talvez não seja de todo prudente neste momento, posto que apontamos apenas algumas noções introdutórias sobre esses dois conceitos de altíssima complexidade. Uma resposta direta também não seria interessante; nosso papel aqui é aflorar a discussão e o debate. Afinal, quem sabe não consigamos, juntos, nos convencermos de que o fenômeno da colaboração, quando associada ao empreendedorismo, é um mecanismo importante para nossas novas demandas sociais, políticas, ambientais e institucionais?


Fonte:

Economia de Empresas. UniAteneu, 2019.
Autores:
-Rafael dos Santos da Silva
-Charlles Franklin Duarte.

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Competição X colaboração: ideias para um comportamento inteligente no mercado [1]

“Com o capitalismo, vem a competitividade, presente em todas as áreas”

Precisamos aceitar o fato de que o capitalismo, por sua veia competitiva, tornou-se dominante, e isso, sob certa medida, tornou-se natural ou normal. Neste sistema, a competitividade deve alcançar todos os ambientes. Cada vaga de emprego deve ser disputada

até as últimas circunstâncias. Os produtos devem ser ofertados a todos e vendidos a quem possa pagar. O mesmo se aplica às vagas universitárias, pelas quais cada vestibulando disputa

como peso descomunal.

Singer (2010) lembra que este movimento pode ser bom a partir de dois pontos de vista: o primeiro é que a competição permite melhores escolhas aos consumidores, influenciando o preço. O segundo é que os melhores vencerão, pois aqueles que prestam melhores serviços ou produtos galgarão melhores espaços. Isso gera, necessariamente, um vencedor e um perdedor. Está aí, talvez, o principal problema deste modelo: uma verdadeira apologia ao vencedor, enquanto o perdedor é relegado à penumbra.

Isso vale para a empresa que prestou melhor serviço, mas vale também para o aluno que não conseguiu vaga no vestibular público, levando à falsa sensação de que os vencedores acumulam vantagens e os perdedores acumulam desvantagens. Para Singer (2010), isso produz profundas desigualdades. O autor argumenta que este modelo se encaminha (talvez sem saber) para um abismo. A saída para isso é a cooperação em vez da competição gratuita.

Esse pensamento não é assim tão distante. Por exemplo, você consegue imaginar qual a semelhança entre o Facebook, a Wikipédia e a primeira campanha presidencial de Barack Obama? É que todos funcionam, ou funcionaram, sob o sistema de colaboração. O Facebook espera que as pessoas associadas em seu sistema postem, voluntariamente, suas mensagens; a Wikipédia permite, por meio de plataforma aberta, que pessoas espalhadas pelo mundo

façam parte da construção dos seus bancos de dados; e não faltou quem atendesse aos chamados inéditos de um candidato à presidência da república dos Estados Unidos para doar quantias mínimas, mas suficientes para conduzir o primeiro presidente negro à Casa Branca.

Ao falar de sociedade, isso fica mais complexo ainda e carece de várias definições, mas é fundamental projetar ali as grandes transformações sociais, tecnológicas, econômicas, culturais, políticas etc. Rapidamente, saímos do modelo de produção artesanal e alcançamos a fase industrial, a revolução da tecnologia e do conhecimento e outros elementos que deram um tom confuso e transitório às formas de negociar, dominar e articular a dinâmica do mundo moderno que alcança a população de maneira multidimensionada.

Paralelo a isso, vimos o sistema capitalista se tornar perverso (in natura) com os excluídos e exigir crescente readaptação dos incluídos, que amplia e intensifica conflitos ao mesmo tempo em que dissemina mercados, negócios e mão de obra em um irreversível ciclo segmentado de poderes cada vez mais difusos. Tudo isso, quando analisado em conjunto, nos põe em uma única rota de sobrevivência resumida em um termo: redes de relacionamentos.

Continua…


Fonte:

  • Economia de Empresas. UniAteneu, 2019. Autores: Rafael dos Santos da Silva / Charlles Franklin Duarte.