Ética – Afinal, o que é?

Não há como negar, o momento atual está sendo atravessado por uma crise ético-moral que parece não ter limites. Todos os dias os noticiários destacam, além da conta, informações sobre corrupção, violência e má fé.

Esta crise está tão na cara que necessita ser debatida urgentemente pela sociedade. Todavia, para que pessoas comuns como nós possamos fazer tal reflexão é preciso que entendamos um pouco mais sobre Ética e Moral

Será que sabemos a diferença entre Moral da Ética?

Bom, de acordo com o que aprendi na escola, Ética é nada mais que “um conjunto de princípios que orienta o comportamento humano em sociedade.”

Mas, calma, não é tão simples assim!

De acordo com a filosofia, temos, de um lado Habermas, que acredita que a Ética está fundamentada em dois princípios da moralidade: justiça e solidariedade! De outro lado, Kant, que defende que a ética deve estar subordinada á Lei e ao respeito pelo dever.

Podemos concordar ou não com o que dizem os filósofos citados. Todavia, as duas afirmativas ainda carecem de complementação.

Ética e Moral são dois conceitos distintos e, apesar de se comunicarem em diversos campos da vida prática, não devem ser confundidos.

A diferença mais clara é que, enquanto o primeiro é teórico, o segundo é prático:

A ética, enquanto conjunto de princípios, nasce dos valores e costumes praticados em comunidade (família, grupos sociais, etc.). A moral, enquanto elemento da prática, é algo que foi estabelecido pelos homens com base no seu comportamento e visa dizer-lhe claramente o que fazer e o que não fazer.

Explicando melhor:

-A Moral diz: “faça isto, não faça aquilo!”
-A Ética diz: “porquê eu devo fazer isto e não aquilo?”

Dessa forma, pode-se dizer que a Moral é a Lei propriamente dita.

Mas e a Ética: afinal, o que é?

Bem, com base nos elementos apresentados acima, pode-se afirmar que:

Ética, é uma reflexão sobre o agir humano! Esta reflexão consiste em validar o comportamento humano dentro de uma lógica universal de igualdade. Ou seja, a ética existe como orientador dos processos de interação entre as pessoas com a finalidade de promover a igualdade e o respeito entre os membros de uma comunidade e/ou sociedade.

Dessa forma, caros amigos, lanço as bases para que possamos questionar mais e trabalhar juntos para construir uma sociedade melhor. Tenha sempre em mente que a reflexão ética sobre tudo o que acontece num país, estado, bairro, comunidade é um exercício que deve ser feito por cada um de nós, e se o fizermos juntos, – quando o fizermos, – teremos mais condições de melhorar o que pode ser melhorado.


A sociedade contemporânea e a crise comportamental

“Uma reflexão motivada pelo massacre de 13/03/19, na cidade de Suzano/SP”

Muitas vezes na infância ouvi falar em “no futuro isto…”, “no futuro aquilo…” vai ser diferente. (…) Passaram-se os anos e, esse futuro parece nunca ter chegado para umas coisas. Mas para outras, sim!

Contudo, assumindo-se que o futuro seja o hoje, diria que vivemos num século marcado pela descartabilidade. Um momento no qual as coisas se prenunciam, nascem e se vão de uma forma tão efêmera que rapidamente são esquecidas.

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A implicação disto para a vida prática é que as coisas são descartadas sem que tenham sido plenamente vivenciadas. E isto se dá em decorrência da velocidade da informação, que tem provocado mudanças tão radicais na dinâmica das relações, que os fenômenos sociais parecem estar se tornado cada vez mais compactados.

Para adaptar-se à mudanças tão rápidas num mundo tão turbulento é preciso ter estrutura psíquica bem constituída. Esse aspecto, que é fundamental para a construção da personalidade do indivíduo é, de um modo geral, desenvolvido no ceio da família, com base no modelo de criação adotado pelos pais. Entretanto, quando esse modelo apresenta algum tipo de desconformidade com o “established”, oferece efeitos colaterais para os indivíduos a ele integrados.

Um deles é a ausência dos referenciais adquiridos na infância, que pode levar o indivíduo à uma inversão ou a uma desvaloração dos valores vigentes. Um exemplo disto é a confusão existente entre as questões psicológicas e religiosas, éticas e legais, políticas e filosóficas. Disto segue-se que, sendo o agir humano pautado pelo uso de modelos referenciais, pode-se atribuir à crise desses modelos, a subversão da sociedade.

A crise da família, entendendo-a como instância doadora de significado às relações particulares, contribui para a crise da sociedade como um todo. É notório que hoje, a humanidade acumula mais crises do que soluções. Dessa forma, temos, por exemplo, a crise dos gêneros, a crise moral (vislumbrada pelo cenário político atual), a crise dos ídolos (que em sua maioria são desprovidos de bom senso), etc.

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Nesse sentido, num momento em que se prega, cada vez mais, a libertação do homem; em que as possibilidades de se ser/fazer o que se quer nos são dadas de forma tão múltiplas, escolher torna-se cada vez mais difícil. Tudo isso aponta também – e, principalmente, – para a crise do “Eu”. Pois, como os referenciais individuais devem estar validados por um modelo cultural universal, o “Eu” não pode se constituir de forma independente.

Assim, considerando que os modelos expressam padrões instituídos em sociedade e que essas escolhas são assinaladas pela necessidade de rompimento de padrões, porque escolher? E, para quê? (…) Já que estes modelos podem ser traduzidos justamente pela manutenção dos padrões que durante muito tempo tolheram e aprisionaram em nome de verdades estáticas.

As convenções, que se estabelecem como norma tácita do modo de agir em sociedade, estão aí para orientar o agir humano, no entanto, não são garantias para quem quer que seja.

De onde se conclui que o momento em que nos encontramos traduz-se pelo descarte dos modelos sócio-culturais. Isto é, pelo abandono e/ou substituição das ideologias que apregoam a emancipação do homem pelo próprio homem em relação aos preconceitos, à opressão, à violência e às várias formas de intolerância que sempre fizeram parte da história da humanidade.

Como conclusão temos que, é possível notar que essa mudança, que se impõe como uma evolução pretensamente natural, distancia o homem da humanidade que tanto deseja. E o que é pior, pra todos os efeitos, peca justamente por não incluir nessa nova ordem, um alinhamento geral em favor da vida e pelo respeito a pessoa humana.