Vai lá e faz!

“Como empreender na era digital e tirar ideias do papel”

Autor: Tiago Mattos;
Editora: Belas Letras;
Ano: 2017;
Páginas: 320.

Pra quem empreende, o espírito empreendedor está associado a muitos princípios que indicam ação. O empreendedor é, por natureza, um ser colaborativo, dotado de capacidade de iniciativa e ama compartilhar o que tem e o que sabe.

Empreendedor não é todo aquele que simplesmente que abre uma empresa, que funda uma startup ou que desenvolveu um aplicativo capaz de revolucionar um ramo de atividade.

Na verdade, é a soma de tudo isso e muito mais. Há pessoas que têm muitos desses atributos, outras têm poucos e algumas, nenhum. Mas, o mais importante aqui é a atitude empreendedora, o impulso criativo/construtivo e a capacidade de organizar as ideias e tirá-las do papel.

Nesse sentido, há empresários que não são empreendedores e empreendedores que não são empresários. Entre os empreendedores, há idealistas, capitalistas, oportunistas, etc. e tal. Mas, para efeito desta análise, não importa com que se identificam ou o que os motiva. O que importa é que todos querem fazer a diferença na vida de alguém.

E fazer a diferença não está relacionado com o desejo de mudança apenas, mas também com o desejo de melhorar algo que pode ser melhorado, de criar algo que produza impacto positivo no universo a sua volta e/ou no mundo. O empreendedor nato se alimenta da concretização do seu impulso criativo/construtivo.

Empreender é sempre desafiador, ainda mais na era digital, que exige muito mais capacidade de resposta e visão de futuro, dada a efemeridade das coisas. Nesse sentido, uma das sacadas mais legais do livro, é ver que o autor se preocupou em compreender a história da tecnologia e que ele a vislumbra tanto numa perspectiva local quanto global e, o mais importante, que a aceita como imprescindível para a realização de toda a cadeia produtivo-construtiva no intervalo compreendido entre o “agora” e o “devir”.

Neste ponto, introduz-se o conceito de futurismo, que é um termo muito usado de uns anos pra cá, mas ainda pouco difundido entre todos aqueles que não são do ramo.

Futurista é todo aquele que é dotado de capacidade de projetar cenários possíveis entre as diversas variáveis mercadológicas, dentre as quais, destaca-se a econômica. Tiago Mattos é, nesse sentido, um dos nomes mais difundidos entre os empreendedores da geração que ora vivemos, dada a sua visão clara e nível de profundidade no tema.

Por essas e outras, o livro tem a sagacidade de exercer críticas aos modelos tradicionais de aprendizagem/trabalho, ao mesmo tempo em que oferece insights que ajudam a quebrar com o engessamento dos mesmos. Aqui, o autor alerta para a necessidade de romper com esses modelos e de democratizar esses conhecimentos para que a sociedade possa evoluir em sua totalidade.

Tiago nos ajuda a ver que o mercado começa a repudiar naturalmente muitas práticas intrínsecas a estes modelos e a perceber que somente pelo abandono destas velhas práticas, pessoas e organizações poderão se manter relevantes para o mercado num futuro já próximo.

Essa capacidade de enxergar e de se antecipar às intempéries do devir é o produto da reflexão que – suponho – Tiago espera que façamos. Ela pode e deve ser feita do aspecto mais particular para o mais geral, ou seja, da realidade individual para a coletiva e da local para a global, sem deixar de olhar para os lados e de contemplar os muitos aspectos do processo construtivo/produtivo.

Paralelamente, a ação [de ir lá e fazer] deve ser precedida de outro tipo de reflexão – a ética. Neste momento o leitor pode se perguntar: porque é necessária tal reflexão? A resposta é simples e diz respeito a pelos menos dois pontos relevantes:

1) Autocrítica, que é o conhecimento de si mesmo (das potencialidades e das fraquezas);
2) Circunstancial, que se refere a situar-se em relação às próprias práticas e sobre as quais se pretende inovar.

Mas há o motivo óbvio, que provavelmente não precisaria citar por se tratar do fato de que ninguém pode sair por aí fazendo o que quer sem que esta ação seja livre de conseqüências.

Já que falamos em inovar, o tema Inovação é justamente o favorito de Tiago, por isso, o autor reserva mais espaço para o mesmo. Individualmente, a capacidade de produzir inovação está diretamente ligada ao “mindset”(termo que em português significa “modelo mental”) e se refere a “configuração  mental” de cada um. Dessa forma, para estimular o pensamento inovador, somam-se todas as experiências do indivíduo (interação com pessoas e coisas), pois cada aspecto influencia na atitude empreendedora de uma forma específica – daí a importância do auto conhecimento.

Havendo organizado as próprias ideias, fica muito mais fácil para quem deseja empreender, tirá-las do papel, tocar o próprio projeto e obter êxito.

No entanto, é preciso ter em mente que na vida, a única constante é a mudança, por isso, é muito importante ter disposição e informação para produzir impactos na vida pessoal ou nas organizações. Todos os dias conceitos mudam ou deixam de existir e, nesse contexto, tudo permanece inacabado, em processo de reconstrução ou de ressignificação.

Se você acredita que pode impactar positivamente a vida de alguém num grupo, numa comunidade ou numa empresa, não deixe de ler este livro. Paralelamente, busque desafiar-se sempre que possível. Encontre formas de aprender coisas que ajudem a manter a mente aberta e use suas vivências pessoais para melhorar algo com o qual atua ou se identifica.

O livro é didático na medida da complexidade do tema. Mas a leitura e prazerosa e estimulante. E, apesar de todos os tópicos relacionador e dos parênteses abertos (e por mais estranho que isso possa parecer), a mensagem mais importante que ele passa é curta e simples: quer fazer alguma coisa/qualquer coisa? Vai lá e faz!


O Monge e o Executivo

“Uma história sobre a essência da liderança”


Escritor: James C. Hunter;
Editora: Sextante;
Paginas: 127.


O livro conta a historia de John Daily um executivo bem sucedido que tinha uma vida que certamente seria considerada boa por muitos de nós, no entanto, ele tinha problemas como quaisquer um de nós: sua mulher demonstrava insatisfação com o casamento e seus dois filhos estavam na fase da rebeldia adolescente e retrucavam tudo o que ele dizia. Pra piorar, no ambiente de trabalho, havia desgaste profissional.

 Percebendo seu aborrecimento crescente, sua esposa aconselhou que falasse com o Pastor da igreja que frequentavam para pedir aconsehamento. O Pastor o convenceu a passar alguns dias num mosteiro, para onde um grande executivo também havia ido e lá compartilhava seus aprendizados com quem desejasse ouvir.

O ex-executivo transmitia seus conhecimentos sobre o mundo corporativo de uma forma pouco convencional e desse modo enfatizava a diferença entre liderar e servir, e sobre como ambas se complementavam.

Um dos momentos mais marcantes é quando distingue a Administração segundo o velho e novo paradigmas:

De acordo com o antigo paradigma, no mundo corporativo, as pessoas (donos de empresa, gerentes e demais funcionários), baseavam suas crenças no seguinte:

  • Os EUA eram imbatíveis;
  • Administração centralizada é como deve ser;
  • O Japão somente fabrica produtos de má qualidade;
  • Eu penso (postura que reforça o individualismo);
  • Apego a um modelo (modelo baseado no “sempre foi assim”);
  • As empresas têm que gerar lucro a curto prazo;
  • Trabalhar, trabalhar e trabalhar (cumprir tarefas mecanicamente);
  • Evitar e temer mudanças (sem comentários);
  • Está razoável (ou seja, vamos fazer de qualquer jeito).

De acordo com o novo Paradigma, no mundo corporativo e na vida pessoal (todos nós), devemos nos basear no seguinte:

  • A concorrência é global (mundial);
  • A Administração descentralizada aponta para a abertura de conceitos;
  • O Japão fabrica produtos de alta qualidade;
  • Liderar também é servir;
  • Causa e efeito (tudo ocorre como conseqüência de alguma coisa);
  • Melhoria contínua (aprendizado contínuo);
  • O lucro deve ser planejado para curto, médio e longo prazos;
  • Sócios (postura que reforça o colaborativismo);
  • A mudança é uma constante (sem comentários);
  • Defeito Zero (significa que a qualidade é algo que deve ser perseguido).

Dizendo isto, o monge explicava que a verdadeira liderança é algo que deve ser feito com amor e que, portanto, deve buscar primeiramente servir. Disto decorre que o bom líder deve incentivar e dar condições para que as pessoas se tornem melhores.

O livro em si é sobre liderança, mas uma forma de liderança libertadora que busca identificar o que há de melhor nas pessoas e usa isto para empoderá-las.  A liderança servidora é reconhecida pelo respeito conquistado, pela autoridade legitimada pelo exemplo e pelo amor ao servir (independente de a quem se sirva).  

Jonh refletiu sobre como estava conduzindo sua vida pessoal e profissional e identificou muitas oportunidades de melhoria. Foi o princípio do começo da mudança. A mesma mudança que todos nós almejamos, mas que não temos coragem e/ou disposição para dar o primeiro passo – a menos que estejamos próximos do fundo do poço.

De todo modo, o lado bom é que sempre poderemos recomeçar. Todos os dias são novas oportunidades de aprender e de pôr em prática novas percepções, novos olhares e de rompermos com os velhos paradigmas.