Equipes #7 – Abordagem Teórica da Cultura Organizacional

Numa perspectiva de pluralidade, observa-se na concepção do homem pelo homem, uma tendência de autoclassificar-se como indolente e irresponsável. Classificação esta que, no “Leviantã”, de Hobbes, vincula o homem à concepção da gestão clássica (que encontra seus principais representantes em Taylor, Fayol, Mayo e Weber), segundo a qual, o homem é um ser egoísta e individualista. Visão que se estabelece como verdade até os dias de hoje – com exceções, a bem da verdade. (FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, 2011).

Entretanto, Schein (2007, p. 35-36), como representante de uma vertente inovadora, afirma o homem como um ser plural dotado de contradições e de possibilidades. Concepção esta que, tomada como verdadeira, permite afirmar que, em relação à práxis das organizações, muito há para ser feito até que o homem possa ser compreendido na mesma proporção de sua complexidade.

Desenvolvendo o argumento, julga-se oportuno estabelecer, aqui, critérios de medida segundo os quais se possa validar a afirmação em torno de que desenvolvendo e fortalecendo os elementos certos da cultura organizacional, criar-se-ão condições para que o homem possa atingir níveis elevados de comprometimento, entrega e realização para com a empresa.

Nesse sentido, como forma de valorização do homem, pode-se fixar como premissa básica, o respeito à pessoa humana corporificada no empregado que disponibiliza a sua força de trabalho. Como premissa intermediária, a educação do empregado no sentido de capacitá-lo para o trabalho. E como premissa avançada, o desenvolvimento do trabalhador enquanto pessoa, no sentido de que, suprido de suas necessidades básicas, possa aspirar a níveis superiores de realização profissional e pessoal.

O respeito é uma forma de valorização do homem em todas as suas circunstancialidades. Isso significa privilegiar a sua dignidade em detrimento das suas não-virtudes. O respeito, como categoria social/humana possui valor transcendente e universal, situando-se, portanto, acima da positivação das leis. Contexto no qual O’Donnel (2006, p. 134) se insere afirmando que o respeito é gerado no relacionamento com as pessoas mais próximas, estendendo-se aos desconhecidos e, finalmente a todos, igualmente.

O investimento na capacitação do trabalhador de modo a prepará-lo para a execução das tarefas rotineiras é uma forma de valorizá-lo e de estimulá-lo a desempenhar com satisfação as suas atividades laborais. Educando o trabalhador, a empresa propiciará o aumento de seu repertório técnico de modo a gerar mais e melhores respostas para as demandas organizacionais. Sobre isso MUSSAK (2010, p. 7), estabelece que, ao elevar a satisfação do profissional, haverá, consequentemente, aumento e melhoria no modo de execução das tarefas, preparando o ambiente para a inovação.

O desenvolvimento do trabalhador enquanto pessoa visando a excelência, leva a um nível superior de relações laborativas. Nível este, baseado em pressupostos de confiança e envolvimento mútuos na busca pela excelência.

Satisfeitas tais condições, cria-se o ambiente apropriado para o que, contemporaneamente, se chama de gestão por competências. A este respeito, Eboli apud Mussak (2010, p. 9) salienta:

[…] do ponto de vista do indivíduo, é preciso um estágio de maturidade e autoconhecimento que permita conscientização e internalização do real sentido da aprendizagem e do desenvolvimento contínuos, para que se instalem as competências humanas mais importantes para o sucesso da empresa.


Equipes #6 – Desenvolvimento de Equipes nas organizações

O termo equipe, oriundo do francês arcaico esquif, denota a realização de um trabalho por meio da colaboração e da ajuda mútuas entre os indivíduos. Lafon apud Mucchielli (1980, p.12) descreve o trabalho associado dos homens da seguinte forma:

Equipe viria do francês antigo, esquif, que designava originariamente uma fila de barcos amarrados uns aos outros e puxados por homens (como os barqueiros do Volga) ou cavalos, enquanto não chegava à época dos rebocadores. Seja devido à imagem dos barqueiros puxando a mesma corda ou à imagem dos barcos amarrados juntos, […] o fato é que um dia falou-se em equipe de trabalhadores para uma obra comum e, mais tarde, em equipe de esportistas para ganhar uma partida. Há nessa palavra, portanto, um vínculo, um objetivo comum, uma organização, um duplo dinamismo que vem tanto a ‘cabeça’ como o do conjunto; uma vitória a ser alcançada em conjunto.

O quadro acima permite inferir o sentido da palavra equipe nos dias de hoje. Todavia, pretende-se enfatizar a evolução do significado desta palavra em anos de refinamento, até a acepção atual, e, com isso, compreender melhor a aplicação do termo no contexto organizacional.

Contemporaneamente verifica-se uma re-significação do termo pela incorporação de elementos semânticos ao seu aspecto conteudístico. Isso implica em ganho de compreensão pelo aumento da sua capacidade de produzir significação numa quantidade maior de contextos. Isto que se diz, encontra-se fortemente amparado pelas palavras de Moscovici (2007, p. 5):

Pode-se considerar equipe um grupo que compreende seus objetivos e está engajado em alcançá-los, de forma compartilhada. A comunicação entre os membros é verdadeira, opiniões divergentes são estimuladas. A confiança é grande, assumem-se riscos. As habilidades complementares dos membros possibilitam alcançar resultados, os objetivos compartilhados determinam seu propósito e direção. Respeito, mente aberta e cooperação são elevados. O grupo investe constantemente em seu crescimento.

A formação de grupos é comum, ocorrendo na maioria das organizações, e, diferentemente do quadro acima descrito, não adquiriram o senso de alinhamento entre o seu trabalho e a fisiologia da empresa. Dessa forma, apenas cumprem as suas funções de modo mecânico. Sobre isso, Moscovici (2007, p. 5) observa que “um grupo transforma-se em equipe quando passa a prestar atenção à sua própria forma de operar e procura resolver os problemas que afetam seu funcionamento”.

Uma equipe de trabalho é um grupo de pessoas que, como unidade, aprende a observar a dinâmica de seu próprio funcionamento. A partir disto, se instrumentaliza para autodiagnosticar suas disfunções e a criar soluções para resolução de conflitos internos, bem como passa a operar num nível qualitativo otimizado. A equipe desenvolve seu próprio estilo de operar: o seu modus operandi. E, através disso, naturaliza os processos internos de modo que passam a prevalecer sobre os demais até se instituírem como componente cultural interno do grupo.


Equipes #3 – Conceito de Cultura Organizacional

Etimologicamente a palavra cultura tem sua origem no termo “colere”, oriundo do latim, e significa cultivar. Santos (2006, p. 110) define cultura como algo que “[…] diz respeito a tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade”.

Quadro que permite idear o conceito de cultura como sendo o fenômeno cujo significado está ligado ao cultivo e a manutenção do conjunto das atividades humanas; às relações que os homens formam entre si; aos processos de interação, que engendram os mecanismos de comunicação e de linguagem que, por sua vez, determinam o conjunto de conhecimentos, crenças, leis, costumes, etc.

Evocando o conceito de cultura nas organizações, Robbins (1999, p. 374) relata que as  organizações se constituíam num meio através do qual se pretendia controlar pessoas, mas que, em meados dos anos 80 deu-se uma mudança gradativa, haja vista que organizações são mais do que formas de controle. “Elas têm personalidade também, como os indivíduos.”

Ao inserir o conceito de cultura nas organizações, Schein (2009, p. 1) descreve que introduzindo a cultura no plano da organização, pode-se verificar como a cultura é instituída, vivenciada e manipulada de modo a fornecer significado aos membros do grupo.

Farias (2002) relata que os símbolos instituídos numa organização (expressões verbais e visuais, juntamente com as mensagens expressas por produtos e propagandas) estruturam a formação da cultura, que, por sua vez, moldará a identidade organizacional.