Capitalismo selvagem – significado da expressão

“Homem primata, capitalismo selvagem”

A expressão capitalismo selvagem é um termo criado originalmente para se referir à fase do capitalismo na época da Primeira Revolução Industrial (cerca de fins do século XVIII). Naquela época, especialmente na Grã-Bretanha, camponeses empobrecidos vindo de um meio rural superpovoado e estagnado, não tinham outra alternativa senão trabalhar nas nascentes indústrias da época, criadas a partir das inovações tecnológicas que pipocavam a todo momento, em especial o tear mecânico ou ainda o motor a vapor.

Obviamente, neste cenário cheio de inovações, não havia nenhum regulamento ou disposição prevendo como se dariam as relações entre os donos de fábricas e seus empregados. Assim, as condições de trabalho desses primeiros empregados eram as mais desumanas possíveis, com um dia de trabalho de dezesseis horas ou mais, emprego de menores de idade, até mesmo crianças em ambientes insalubres, fechados e de risco de mutilações e doenças. Isto se dava não por falta ou pelo excesso de humanidade de qualquer um dos patrões, o que acontecia é que esta realidade de trabalho dava o máximo de retorno financeiro ao dono do empreendimento. Muitas vezes, os trabalhos nas fábricas não paravam, havendo turnos diurnos e noturnos, numa rotina de trabalho de 24 horas, que supria não só a Europa como boa parte do mundo com os novos produtos industrializados. Claro, este sistema não trazia vantagem nenhuma ao trabalhador, mesmo que fosse mais vantajoso de que aguardar por trabalho no campo. Esse sistema todo descrito deu origem ao termo capitalismo selvagem, onde a exploração ferrenha do rico empresário oprimia os pequenos trabalhadores, assim como na selva, os animais grandes impõem sua vontade aos pequenos.

Hoje, a locução “capitalismo selvagem” é utilizada para indicar um sistema capitalista de dimensões globais, onde ocorre concorrência ferrenha entre as multinacionais dominadoras de vários mercados ou até mesmo países, com o apoio de seus governos lenientes e corruptos, fruto da ausência de sustentabilidade do modelo capitalista dos dias de hoje. Exemplo perfeito deste conceito é o domínio que a Firestone, empresa do ramo da borracha industrial exerceu desde 1926 até bem recentemente dentro do território da Libéria, país africano, onde a mesma praticamente controlava o país.

Este segundo significado também é ligado a vários outros conceitos onde o ganho financeiro suplanta o desenvolvimento humano e do planeta como um todo. Assim, o conceito de capitalismo selvagem estará ligado a vários outros temas, como por exemplo a política dos países ricos, que exploram as riquezas da terra sem consideração a qualquer noção preservacionista ou auto-sustentável, ou a banalização da morte a favor do capital, ou da guerra pelo petróleo, pela venda de armas, pela manutenção de um estilo de vida luxuriante nos países desenvolvidos, a venda de alimentos industrializados com produtos cancerígenos, a utilização dos pesticidas, o superaquecimento do planeta, desmatamento, a morte pela fome e AIDS, a impunidade dos criminosos detentores de poder econômico ou político, e até mesmo a infância desvalida que acaba atraída para o tráfico de drogas e a criminalidade.


Fonte:

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Qual é a tua obra?

“Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”

Autor: Mário Sergio Cortella;
Editora: Vozes;
Idioma: Português;
Páginas: 144;
Ano: 2015.

Neste livro, o professor Mário Sergio, oferece componentes para a construção de reflexões sobre o trabalho e sobre a forma como o encaramos. Apresenta elementos que ajudam a preparar nossas para se abrir a novas noções como, por exemplo, a substituição da ideia de trabalho como castigo por um conceito de algo que vai além do mero respeito às normas laborais e da execução das tarefas.

Nesse sentido, o trabalho deve ser ressignificado para algo tão superior quanto a realização de uma obra. Obra esta, que permanece no tempo a despeito da passagem da pessoa que a realizou e constituirá o conjunto de saberes desenvolvidos pela empresa de modo a servir a todos os que ali passarão. Nesta perspectiva, os atos de pensar estrategicamente, de dar ou de executar ordens, adquirem contornos cujos limites se expandem para algo que pode ser nomeado de prazer e dá às relações de trabalho um significado equiparado a isto que chamamos de espiritualidade.

“Qual é a tua obra?” não é manual. Ao contrário, pretende ser o elo que media e concilia as expectativas de patrões e empregados, chefes e subordinados de modo que ambos possam refletir e identificar o que há de mais gratificante no desempenhar de suas atribuições e almeja que cada um possa identificar aspectos de liderança no ato de executar suas atividades diárias para, dessa forma, enxergar significados e elevar o trabalho cotidiano em experiências transformadoras.


  • Ricardo Cunha