Vilém Flusser – Língua e Realidade (2004)

“Se a língua cria a realidade e a poesia cria a lingua, quem cria a poesia?”

Nota: 10.

Vilém Flusser nasceu numa família judia em 1920 na cidade de Praga/Tchecoeslováquia (atualmente, República Checa). Era apenas um jovem universitário quando os alemães invadiram sua cidade natal. Assim, por ocasião da chegada de Hitler à cidade de Praga, Flusser e sua amiga Edith Barth tiveram que deixar seu país às pressas partindo para a Inglaterra. Posteriormente, quando Paris caiu e antecipando-se a invasão iminente da Inglaterra, decidiu vir para o Brasil, onde chegaram em 1940. Mais tarde casaram-se, tiveram filhos e adotaram o país como sua nova terra natal.

Língua e Realidade foi originalmente escrito em 1963 e não antes reeditado até 2004. Trata-se do primeiro livro desse pensador e constitui-se numa obra ímpar. Nunca antes e nem depois se discutiu uma filosofia da língua como neste trabalho, baseado não apenas na informação de um erudito como também na vivência de um poliglota exilado. Escrito em português por um filósofo tcheco que usualmente escrevia em alemão. A partir da sua experiência no Brasil, Flusser sentiu-se incorporando o português como uma terceira língua materna.

Vivendo no Brasil e “ganhando a vida como escritor, descobriu o poder da tradução como recurso de apropriação da língua nativa. Em carta à pintora Mira Schendel, Flusser explica porque sistematicamente traduzia a si mesmo. Escrevia tudo primeiramente em alemão, que é a língua que mais pulsa no seu peito. Depois, traduzia para o português, que é a língua que mais articula a realidade social na qual esteve engajado. Traduzia, ainda, para o inglês, que segundo ele, é a língua que dispõe de maior riqueza de repertório e forma. Por fim, traduzia para a língua em que o escrito seria publicado. Dessa forma, penetrando nas estruturas das várias línguas, chegava a um núcleo geral e despersonalizado, através do qual articulava a(s) realidade(s) com maior liberdade e propriedade.

Esta pequena obra-prima, além de evocar as questões fundamentais do pensamento ocidental como as categorias de Aristóteles segundo as infinitas línguas existentes no mundo, também trata de questões primárias da filosofia, como aquela que persegue os filósofos desde Platão: se o mundo pode ser pensado, pensar sobre o pensamento, pode revelar elementos da estrutura do mundo?

Bem, meu objetivo aqui não é responder a estas e as outras questões que certamente surgirão, mas de instigar em você, amante da leitura, o desejo de ler e de adentrar no universo apaixonante que Vilém Flusser criou neste livro.


Autor: Vilém Flusser;
Editora: Annablume;
Idioma: Português;
Páginas: 230;
Ano: 2004.

Linguagem #1 – Resumo do Estudo

Com este trabalho monográfico, pretendemos tratar do fenômeno da linguagem com base nos escritos da obra Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein. Fenômeno este, concebido pelo filósofo como resultado dos processos humanos de interação social. Nesse sentido, buscamos situar o referido fenômeno no conjunto das atividades humanas realizadas em comunidade de modo que possamos, através da consciência de sua prática, colocá-la no âmbito das coisas imanentes. O fenômeno da linguagem é analisado sob o prisma das relações que os homens formam entre si e relativamente ao meio no qual estão integrados. Os caminhos trilhados por Wittgenstein na obra supra mencionada orientam-nos para uma nova concepção da linguagem humana. Para o filósofo, essa linguagem é fruto de nossa práxis cotidiana, a qual engendra os mecanismos de comunicação e de troca de experiências, os quais participam da totalidade de nosso conhecimento. Essa linha de raciocínio nos leva ao consequente descobrimento de uma linguagem que se impõe como condição de possibilidade da realização do conhecimento humano enquanto tal, uma vez que, sendo parte do conjunto das atividades humanas, é realizada na medida em que se pratica uma atividade. Dessa forma, concluímos que as palavras adquirem significação mediante o uso que delas é feito no conjunto da linguagem humana, sendo, portanto, resultado do processo de socialização do homem.

Palavras-chave: Linguagem. Conhecimento. Reviravolta.


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